Dólar sobe para R$ 5,24 com indicação de Warsh ao Fed, mas fecha janeiro com queda superior a 4%

Desempenho do Dólar no Último Pregão da Semana

No encerramento da sessão de sexta-feira (30), o dólar à vista (USDBRL) fechou cotado a R$ 5,2476, registrando uma alta de 1,04%. Esse avanço pode ser atribuído a fatores externos que influenciaram o mercado.

Por volta das 17h (horário de Brasília), o índice DXY, que mede o valor do dólar em relação a uma cesta de seis moedas globais, como o euro e a libra, operava em alta de 0,73%, alcançando 97.013 pontos.

No acumulado da semana, o dólar teve uma diminuição de 0,73% em relação ao real. Em janeiro, o saldo foi negativo em 4,40% na comparação com a moeda brasileira.

Fatores que Influenciaram o Dólar Hoje

A indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed), feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez com que o dólar se afastasse das mínimas do dia.

Warsh, que já ocupou a função de diretor do Banco Central dos EUA, substituirá Jerome Powell, que deixará o cargo em maio.

Na análise de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a indicação de Warsh foi vista pelo mercado como um sinal de preservação da independência do Banco Central e sugere uma menor probabilidade de cortes agressivos nas taxas de juros.

Por outro lado, a estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi, declarou que, em relação ao Brasil e a outros mercados emergentes, a escolha de Warsh pode gerar pressão por um dólar mais forte e rendimentos globais mais altos no curto prazo, com a projeção de queda nas taxas de juros acontecendo de forma mais lenta.

“O mais relevante é que a escolha de Trump pode diminuir o risco político e promover uma reprecificação global mais saudável para taxas no longo prazo”, destacou Zogbi em sua análise.

É importante ressaltar que a nomeação de Warsh ainda precisa ser aprovada pelo Senado americano.

Tensões Geopolíticas e Suas Implicações

As tensões geopolíticas também se tornaram foco de atenção dos investidores. No início da tarde, o presidente Trump comunicou que uma grande armada dos Estados Unidos, superior àquela enviada anteriormente à Venezuela, está a caminho do Irã. Ele mencionou que o Irã deseja estabelecer um acordo, embora não tenha fornecido detalhes adicionais sobre o assunto.

Dados Econômicos e Suas Consequências no Brasil

No Brasil, novos dados referentes ao mercado de trabalho e às contas públicas, além da fraqueza nas commodities, influenciaram a desvalorização do real em relação ao dólar.

A taxa de desemprego no país alcançou um novo recorde em sua série histórica, iniciada em 2012, com um índice de 5,1% no quarto trimestre de 2025. Além disso, a média anual também atingiu um novo patamar, mostrando que o mercado de trabalho permanece aquecido ao fim de 2025.

A taxa média anual do indicador teve uma queda de 6,6% em 2024 para 5,6% em 2025, representando o menor nível desde 2012.

Conforme Rodolfo Margato, economista da XP, esses dados reforçam a percepção de um mercado de trabalho bem apertado. “A taxa de desemprego atual está significativamente abaixo do seu nível neutro, o que dificilmente será revertido no curto prazo”, observou Margato.

Para o C6 Bank, a taxa de desemprego deverá permanecer em níveis baixos ao longo de 2026, sustentada por um crescimento do PIB próximo do potencial. A projeção do banco sugere que a taxa de desemprego poderá encerrar o ano em torno de 5,5%.

Dívida Pública e Perspectivas Econômicas

Complementando as informações, o Banco Central do Brasil divulgou que a dívida bruta do país fechou 2025 com um percentual de 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse indicativo está abaixo dos 79,0% registrados em novembro, mas superior aos 76,3% do final de 2024. Economistas consultados pela Reuters previam uma dívida bruta de 79,5% ao final de 2025.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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