O Dólar e Suas Variações
O dólar apresentou uma valorização em relação a moedas fortes e emergentes, como é o caso do real, mesmo em um contexto de significativa valorização das commodities. Essa movimentação no mercado foi impulsionada pelo receio de uma possível ação militar dos Estados Unidos no Irã, que tem gerado uma escalada nas tensões geopolíticas.
Nesta quarta-feira, 14 de novembro, o dólar à vista (USDBRL) fechou a sessão cotado a R$ 5,4008, marcando uma alta de 0,46%.
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Esse movimento contrasta com a tendência observada no exterior. Por volta das 17h, no horário de Brasília, o DXY, que é um indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como o euro e a libra, apresentava estabilidade, mantendo-se na faixa dos 99 pontos.
Fatores que Influenciam o Dólar
O cenário geopolítico continua a ser um ponto focal para os investidores, especialmente em um momento em que os Estados Unidos demonstram interesse pela Groenlândia e fazem ameaças ao Irã, conforme declarações do presidente Donald Trump.
Fontes da Reuters relataram que os Estados Unidos estão deslocando alguns militares de bases estratégicas na região como medida de precaução diante do aumento das tensões. Adicionalmente, Teerã avisou países vizinhos que abrigam tropas dos EUA que atingirá as bases norte-americanas em resposta a um possível ataque de Washington.
Em paralelo, o governo Trump anunciou que suspenderá o processamento de vistos de imigrante para solicitantes provenientes de 75 países a partir do dia 21 deste mês. Entre os países afetados estão Brasil, Somália, Irã, Rússia, Afeganistão, Nigéria, Iémen e Tailândia. Vale ressaltar que essa medida não se aplica a vistos de turismo e trabalho.
O Livro Bege, documento divulgado pelo Federal Reserve no final da tarde, apontou que a atividade econômica apresentou aumento na maior parte dos Estados Unidos, enquanto o nível de emprego permaneceu praticamente inalterado nas últimas semanas. O relatório indicou que “as perspectivas para a atividade futura foram ligeiramente otimistas, com a maioria dos participantes prevendo um crescimento leve a modesto nos próximos meses.”
Para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, o mercado aguarda novos sinais do Fed para ajustar as apostas em relação à trajetória das taxas de juros. A analista comentou: “O Livro Bege reforçou a percepção de um crescimento moderado da economia, com a demanda e o mercado de trabalho desacelerando levemente, mas sem indícios de uma recessão iminente, o que sustenta a narrativa de cortes graduais nas taxas de juros.”
Entre as informações destacadas, os índices de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) subiram 0,2% em novembro, após um aumento de 0,1% em outubro, alinhando-se às expectativas do mercado. No acumulado de 12 meses até novembro, o índice cresceu 3,0%, comparado a um aumento de 2,8% em outubro.
Com os dados divulgados, o mercado manteve suas expectativas de que o Federal Reserve (Fed) manterá as taxas de juros nos níveis atuais durante sua próxima decisão de política monetária, sendo junho o mês mais cogitado para o retorno do ciclo de afrouxamento monetário.
Impactos do Cenário Eleitoral no Brasil
No Brasil, a cotação do câmbio também foi influenciada por eventos relativos ao cenário eleitoral. A pesquisa Genial/Quaest, apresentada nesta quarta-feira, revelou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera em todos os cenários projetados para a eleição presidencial deste ano, tanto no primeiro quanto no segundo turno, superando candidatos como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Em outro ponto, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou que deixará a pasta ainda em janeiro, conforme informação da jornalista Míriam Leitão. Em entrevista, Haddad mencionou que o sucessor deve assumir a função imediatamente para se dedicar ao trabalho ao longo do ano, especialmente no que tange ao Orçamento e à questão fiscal.
Fonte: www.moneytimes.com.br