Sentimento de Risco e Desempenho do Dólar
A deterioração do sentimento de risco nos Estados Unidos teve um impacto positivo no dólar, que se valorizou em relação a moedas emergentes e fortes.
Nesta sexta-feira (12), o dólar à vista (USDBRL) fechou a sessão cotado a R$ 5,4108, registrando uma alta de 0,12%.
O movimento observado no mercado de câmbio acompanhou a tendência externa. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, um indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, apresentava uma alta de 0,05%, alcançando os 98.400 pontos.
No acumulado da semana, o dólar à vista teve uma desvalorização de 0,39% em relação ao real.
Fatores que Influenciaram o Dólar Hoje
O aumento da força do dólar foi motivado por incertezas em relação à direção que o Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, tomaria, assim como pela piora do sentimento de risco provocado principalmente no setor de tecnologia. Essa situação revigorou temores relacionados à formação de uma bolha em torno da inteligência artificial (IA).
Na última quarta-feira (10), o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Fed decidiu reduzir as taxas de juros em 0,25 ponto percentual, estabelecendo a nova faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, conforme esperado. Este foi o terceiro corte consecutivo.
A decisão, no entanto, não foi unânime. Stephen Miran defendeu um corte maior, de 0,50 ponto percentual, enquanto Austan Goolsbee e Jeffrey Schmid optaram por manter a taxa na faixa de 3,75% a 4,00% ao ano. Dessa forma, o resultado da votação foi de 9 a 3, sendo essa a maior dissidência desde setembro de 2019.
Na sexta-feira (12), os membros dissidentes comentaram seu posicionamento. O presidente da unidade do Fed de Kansas City, Jeffrey Schmid, se manifestou contra o corte de 0,25 ponto percentual, argumentando que a inflação está “muito alta” e que a política monetária deveria manter-se modestamente restritiva para controlar a inflação.
“Neste momento, vejo uma economia que está mostrando impulso e uma inflação que está muito aquecida, o que sugere que a política monetária não é excessivamente restritiva”, declarou Schmid.
O presidente da unidade do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, também se posicionou, afirmando que considera mais prudente aguardar dados adicionais sobre inflação e a situação do mercado de trabalho antes de promover novos cortes nas taxas de juros, especialmente em meio à preocupação expressa por empresas e consumidores sobre o aumento dos preços. Ele também optou por votar pela manutenção da taxa.
“Deveríamos ter esperado para obter mais dados, especialmente sobre a inflação”, afirmou Goolsbee.
Dados Econômicos no Brasil
No Brasil, os investidores estavam atentos a novos dados econômicos que impactam a visão do mercado. Entre esses dados, destacou-se o aumento de 0,3% no volume do setor de serviços em outubro em comparação a setembro, que já havia apresentado um crescimento de 0,7%, conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar de uma desaceleração nas taxas de crescimento, o resultado superou ligeiramente a expectativa apresentada em pesquisa da Reuters, que previa uma alta de 0,2% para o mês. Com isso, o volume de serviços atingiu um novo patamar recorde desde o início da série histórica em 2011.
O setor de serviços registrou seu nono resultado positivo seguido, acumulando um ganho de 3,7% no período, superando a sequência de resultados positivos que durou oito meses entre fevereiro e setembro de 2022.
Segundo Sara Paixão, analista de macroeconomia da InvestSmart XP, os indicadores do setor revelaram um quadro misto ao longo da semana: enquanto as vendas no varejo apresentam resultados melhores do que o esperado, o crescimento do setor de serviços ocorreu conforme as projeções. É importante frisar que o desempenho das vendas no varejo tende a ser mais volátil.
“O cenário ainda incerto reforça a necessidade de cautela por parte do Copom em relação à taxa Selic”, concluiu.
Fonte: www.moneytimes.com.br