Janeiro: O Mês da Ressaca Financeira
Janeiro é um período marcado pela recuperação dos gastos das festas de fim de ano. Para muitos brasileiros, as faturas dos cartões de crédito chegam repletas de despesas relacionadas a presentes, confraternizações e viagens realizadas em dezembro. Adicionalmente, este mês também é caracterizado por contar com uma série de compromissos financeiros, incluindo o pagamento do IPVA, IPTU, material escolar, entre outros.
IPVA 2026: Calendário de Pagamentos em São Paulo
Diante de tantas contas acumuladas, muitos se veem em dúvida sobre a viabilidade de quitar os impostos à vista ou optar pelo parcelamento. Qual alternativa é mais vantajosa? Para esclarecer essa questão, especialistas em finanças foram consultados.
Desconto à Vista no IPVA e IPTU
O desconto oferecido para o pagamento em cota única do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) varia conforme o município. Já o desconto do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) é determinado pelo estado onde o veículo está registrado.
Para o IPTU, os municípios costumam oferecer descontos que variam entre 3% a 20%. No caso do IPVA, em São Paulo, por exemplo, o desconto é fixado em 3%.
Para determinar se é vantajoso ou não optar pelo desconto, é necessário avaliar a situação financeira individual. Com a orientação da especialista em finanças, Luciana Ikedo, é imprescindível comparar o valor do desconto com o rendimento de investimentos de baixo risco, como o Tesouro Selic. Se o desconto disponível for inferior à taxa básica da economia, que atualmente é de 15% ao ano, o aconselhável é parcelar o imposto e manter o investimento. Por outro lado, se o desconto superar a taxa Selic, o ideal seria pagar o imposto à vista.
Não Tem Dinheiro Para Pagar Agora?
Para os indivíduos que não dispõem de recursos para o pagamento imediato, Luciana Ikedo aconselha a não recorrer a financiamentos para quitar a dívida à vista. Com as taxas de juros atualmente elevadas, contrair dívidas para essa finalidade pode não ser uma decisão financeiramente inteligente.
A alternativa mais recomendada é optar pelo parcelamento e integrar essa despesa no orçamento mensal. Esse pode ser um momento oportuno para rever despesas recorrentes e realizar cortes que se façam necessários.
Que Tal Usar o 13º Salário Para Pagar os Impostos?
Os trabalhadores com registro em carteira têm uma alternativa adicional: utilizar a segunda parcela do 13º salário. Segundo Florence Corrêa, planejadora financeira CFP pela Planejar, com uma boa gestão desse recurso, é viável empregar o 13º salário para o pagamento dos impostos.
Devo Usar a Reserva de Emergência?
Outra possibilidade para lidar com os impostos sobre propriedade é recorrer à reserva de emergência. Embora não seja uma solução ideal, já que esses gastos não são inesperados, pode ser uma opção viável para quem não se planejou financeiramente.
Florence Corrêa explica que o início do ano costuma ser um período financeiramente complexo, devido a despesas como material escolar e renovação de seguros. "Por isso, pode ser necessário utilizar uma parte da reserva para equilibrar as contas neste período", afirma. A planejadora acrescenta que, para muitos autônomos, as transições entre o final e o início do ano são períodos de menor receita, aumentando a dificuldade para efetuar esses pagamentos.
Embora o uso da reserva de emergência possa ser necessário, é fundamental que, assim que a fase de maior dificuldade passe, a prioridade seja a recomposição desse fundo.
Bônus: Prepare-se Para 2027
Uma recomendação de Corrêa é iniciar o planejamento para os pagamentos do ano seguinte desde já. Considerando que janeiro é tradicionalmente um mês repleto de despesas, é prudente começar a economizar ao longo de 2024 para evitar surpresas financeiras no futuro.
Embora 2027 possa parecer distante, um planejamento cuidadoso permitirá que a transição para esse ano seja muito mais tranquila.
Fonte: borainvestir.b3.com.br