‘Economista Sincero’ avalia atuação do BC e oferece orientações a investidores com CDBs da instituição – Atualizações do Mercado Financeiro.

Declarações de Mendlowicz sobre o Banco Master

Charles Mendlowicz, conhecido como o Economista Sincero e eleito quatro vezes como o principal influenciador de investimentos no Brasil, avalia que a atuação das autoridades é extremamente saudável. Ele enfatiza que bancos que operam fora das regras prudenciais não devem permanecer no sistema financeiro. Para Mendlowicz, é preferível que instituições problemáticas sejam afastadas de forma rápida e transparente.

Liquidar Instituições Problemáticas

“O que acontece quando uma instituição atua em desacordo com as normas vigentes ou está em risco é que deve ser liquidada, investigada e retirada do sistema. Isso é benéfico para o mercado financeiro. É mais seguro liquidar um banco com problemas do que permitir que instituições sem credibilidade continuem operando”, afirma o economista.

A análise de Mendlowicz reflete um diagnóstico que se consolidou nos últimos anos sobre a situação do Banco Master. Desde 2019, a instituição cresceu rapidamente, atraindo investidores por meio de Certificados de Depósito Bancários (CDBs) com rendimentos de até 140% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI). Essa captação totalizou cerca de R$ 58 bilhões, com uma parcela significativa alocada em ativos de baixa liquidez. A combinação entre um alto custo de captação, governança questionável e decisões de risco culminou na deterioração da instituição, que agora enfrenta a liquidação.

Credores em Risco

Embora defenda a intervenção firme do Banco Central (BC), Mendlowicz lembra que nem todos os credores estarão isentos de prejuízos. Ele destaca um caso emblemático: o do Rioprevidência, que é o fundo de pensão dos servidores do Estado do Rio de Janeiro. Este fundo chegou a concentrar R$ 1 bilhão em Letras Financeiras do Banco Master, um produto que não tinha cobertura pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). “Como é que a previdência de funcionários, que é algo extremamente importante, pode ser alocada em um banco que já foi amplamente questionado em várias reportagens quanto à sua credibilidade?” questiona Mendlowicz.

Essa observação suscita um alerta sobre as práticas de gestão de risco e a responsabilidade dos administradores de grandes fundos. Já havia críticas no mercado sobre a alocação do Rioprevidência em ativos emitidos por um banco de médio porte, especialmente em relação à falta de proteção do FGC.

Situação dos Investidores Pessoas Físicas

Para os investidores indivíduos, no entanto, o cenário se apresenta de forma menos dramática, especialmente para aqueles que possuem CDBs e produtos simples emitidos pelo próprio banco.

“É necessário investir menos de R$ 250 mil e estar ciente de que se deve ganhar os juros. Os investidores devem se preparar para situações como essa, do Banco Master, com inteligência”, afirma o economista. A garantia do FGC cobre o montante principal mais os rendimentos.

Processo de Liquidação

Com a decretação da liquidação do banco, o advogado Stefano Ribeiro Ferri explica que a instituição deixa de operar e passa a ser administrada por um liquidante designado pelo BC. Esse profissional tem a responsabilidade de levantar os ativos, congelar movimentações e organizar a massa de credores, além de iniciar os pagamentos de acordo com a ordem legal. “Os recursos ficam imediatamente congelados. O liquidante vai identificar quanto cada cliente tem a receber”, afirma Ferri.

Nesse estágio, correntistas e investidores tornam-se formalmente credores do Banco Master. Isso implica que todas as contas, depósitos e aplicações emitidos pelo banco estão incluídos na massa de liquidação.

Cobertura do FGC

“O que é importante saber é que quem possui produtos simples, como CDBs, geralmente está coberto pelo FGC; já aqueles que têm produtos mais complexos podem enfrentar riscos maiores”, alerta Ferri.

Na prática, o principal mecanismo de proteção para investidores pessoas físicas é o Fundo Garantidor de Créditos. “Para a maioria dos investidores individuais, a primeira linha de proteção é o FGC, que garante até R$ 250 mil por CPF (Cadastro de Pessoa Física)”, destaca Ferri. Essa proteção abrange CDBs, Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), poupança e depósitos, sempre respeitando os limites por CPF e por instituição. Valores que excedem esse limite entram na fila da massa falida.

Ressarcimento e Tempo de Restituição

O processo para ressarcimento depende da divulgação da lista de credores pelo liquidante, o que geralmente demora cerca de 30 dias. Assim que essa lista estiver disponível, o investidor poderá acessar o aplicativo do FGC, realizar o cadastro e assinar o termo de pagamento. “O FGC costuma processar os pagamentos rapidamente após receber a lista, em alguns casos em apenas algumas semanas”, explica o advogado. No entanto, a recuperação de valores que excedem o limite o FGC pode levar meses ou até anos, visto que depende da venda dos ativos do banco.

Fonte: einvestidor.estadao.com.br

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