Crescimento do Setor de Serviços em Janeiro
A leitura predominante entre economistas indica que o aumento no volume de serviços em janeiro, superando as expectativas, reforça a resiliência deste setor. Destacam-se segmentações menos cíclicas, como informação e comunicação, bem como "outros serviços".
Análise das Variáveis do Setor
Alguns analistas afirmam que o resultado reflete uma recomposição após a queda registrada em dezembro. Embora isso não altere a avaliação central de uma desaceleração gradual na economia, ainda assim é um indicador positivo para um PIB (Produto Interno Bruto) forte no primeiro trimestre de 2026.
Em janeiro, o volume de serviços cresceu 0,3% em comparação a dezembro, conforme dados ajustados sazonalmente. Esse aumento foi acima da mediana de 0,1% do Projeções Broadcast, que apresenta um intervalo que vai de -1,2% a 1,0%. Em relação a janeiro de 2025, a alta foi de 3,3%, também superando a mediana de 2,7%, que abrange valores entre 1,1% e 5,2%.
Os dados oficiais foram divulgados na Pesquisa Mensal de Serviços, apresentada na manhã de sexta-feira, dia 13, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Setores em Destaque
André Valério, economista sênior do Inter, ressalta que o crescimento registrado em janeiro se concentrou em segmentos menos cíclicos da economia, como "outros serviços" e os serviços de informação e comunicação. Ele observa que o índice de informação e comunicação cresceu 1%, sendo sustentado principalmente por tecnologia da informação, que apresentou um aumento de 3,4%.
Valério enfatiza que os serviços de informação e comunicação têm sido os principais responsáveis pela robustez do setor, representando 44% do crescimento acumulado nos últimos 12 meses.
Do lado da demanda mais sensível, o economista aponta para a queda nos serviços prestados às famílias, que registrou uma diminuição de 1,2%, e para serviços profissionais, que não apresentaram variação (0%). No entanto, ele observa que janeiro costuma ser um mês tradicionalmente negativo para as famílias.
Expectativas Econômicas
Leonardo Costa, economista do ASA, também expressa surpresa com os resultados, mas reafirma a ausência de mudanças na análise de tendência: "O dado não altera o diagnóstico de desaceleração bastante gradual da economia, observando um cenário de juros elevados".
Ele salienta que, entre os setores que sustentaram o desempenho do mês, "outros serviços" registraram um crescimento de 3,7%, revertendo parte da queda de 4,2% observada em dezembro. Além disso, o setor de informação e comunicação cresceu 1%, acumulando um total de 3,6% nos últimos dois meses, impulsionado pela área de tecnologia da informação.
Costa também menciona o setor de transportes, que avançou 0,4%, recuperando parte das perdas acumuladas em novembro e dezembro. Ele afirma que isso corrobora uma projeção de PIB do primeiro trimestre de 2026 mais elevada, embora mantenha a perspectiva de desaceleração ao longo do ano.
Avaliação do Setor e Projeções
De acordo com o Bradesco, o desempenho do setor de serviços em janeiro não altera a projeção de crescimento em torno de 1% para o PIB do primeiro trimestre. Embora o resultado tenha surpreendido positivamente, representa, segundo a instituição, uma compensação pela queda de 0,4% observada em dezembro. Este padrão, de acordo com o Bradesco, também foi observado na indústria e no varejo de janeiro.
Rafael Perez, economista da Suno Research, adota uma visão mais otimista, afirmando que os serviços devem manter um "forte dinamismo em 2026". Ele aponta que o crescimento é liderado pelos setores de informação e comunicação, serviços profissionais, administrativos e transportes, em uma dinâmica associada a transformações estruturais.
Perez argumenta que a digitalização tende a ampliar a demanda por serviços empresariais e que o setor de transportes pode se beneficiar do aumento da renda e das atividades no agronegócio. Ele acredita que esses fatores são cruciais para manter o crescimento da atividade ao longo do ano.
O economista ainda menciona que medidas recentes do governo, como a isenção do Imposto de Renda Pessoa Física, podem beneficiar os serviços destinados às famílias. Com um mercado de trabalho ainda robusto e um crescimento na renda, a expectativa é de que o setor continue a ser um dos principais pilares da economia em 2026, projetando-se uma alta de 0,9% do PIB no primeiro trimestre e uma expansão de 1,8% no acumulado do ano.
Perspectivas Futuras
Rodolfo Margato, economista da XP Investimentos, observa que, com os resultados alcançados, os dados (tracker) da instituição apontam um PIB de 1% no primeiro trimestre, prevendo que o setor de serviços avançou 0,4% no trimestre móvel encerrado em janeiro.
Ele defende que o setor de serviços continuará em trajetória de expansão em 2026, impulsionado pela inflação mais baixa, pelo aumento da renda disponível e por um conjunto abrangente de medidas de estímulo que devem sustentar a demanda doméstica no curto prazo.
Margato também afirma que a renda real disponível das famílias deverá aumentar significativamente neste ano. Ele acredita que esses elementos irão compensar de modo mais que suficiente a influência negativa de taxas de juros ainda elevadas.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br