Dados do PIB no Terceiro Trimestre
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou, nesta quinta-feira, os dados referentes à atividade econômica do Brasil no terceiro trimestre. O mercado projeta um crescimento moderado do PIB (Produto Interno Bruto), estimando-se um aumento em torno de 0,2% comparado ao segundo trimestre e 1,7% em relação ao mesmo período de 2024.
Esse resultado deve corroborar “o cenário de pouso suave para a economia no segundo semestre”, conforme aponta a economista Ana Paula Vescovi em um relatório macro do Santander.
Apesar do contexto de juros elevados, que podem impactar negativamente o crescimento econômico, o PIB brasileiro tem surpreendido ao superar as expectativas dos analistas de mercado.
No segundo trimestre, a expectativa consolidada em uma pesquisa da Reuters era de uma expansão de 0,3% na comparação trimestral, mas o resultado alcançou 0,4%. Contudo, esse dado revelou uma desaceleração em relação ao crescimento do primeiro trimestre, que havia avançado 1,3% após revisão, impulsionado pelo desempenho do agronegócio.
Para os três meses finais de setembro, observa-se que “as altas taxas de juros e os elevados tarifários dos EUA sobre as exportações brasileiras provavelmente influenciaram a atividade”, como destaca Adriana Dupita, vice-economista chefe para mercados emergentes da Bloomberg Economics. Ela é ainda mais contundente em sua análise, projetando uma queda de 0,2% no PIB do trimestre.
Conceito de “Pouso Suave”
Em termos econômicos, o conceito de pouso suave refere-se a um cenário no qual a política monetária, representada pelas taxas de juros, provoca uma desaceleração no crescimento econômico, mas sem uma queda abrupta.
A taxa Selic, que serve como referência para os juros básicos do Brasil, mantém-se acima de dois dígitos desde o início de 2022, fixada em 15% ao ano desde junho deste ano, o patamar mais elevado desde 2006. Essa medida é parte dos esforços do Banco Central para conter a inflação.
Os elevados juros aumentam o custo do crédito, o que, por sua vez, pode restringir a atividade econômica. No entanto, até o momento, os resultados econômicos mostraram-se sólidos.
De acordo com os economistas ouvidos pela CNN Money, o PIB começa a apresentar indícios dos efeitos das taxas de juros elevadas.
No primeiro semestre, o mercado de trabalho mostrou-se aquecido, com uma taxa de desemprego em níveis baixos. Contudo, ao mesmo tempo, as taxas elevadas persistem, tornando o crédito cada vez mais seletivo, conforme observa Marco Ribeiro Noernberg, sócio e estrategista de renda variável da Manchester Investimentos.
Ele destaca que algumas dificuldades relacionadas ao crédito privado causaram certo abalo no mercado, com as instituições financeiras se tornando mais rigorosas na concessão de créditos. Segundo ele, as taxas de juros estão altas para os consumidores, o que pode limitar o crescimento econômico mais robusto.
Além disso, os dados do mercado de trabalho estão começando a sinalizar uma desaceleração na atividade que vinha apresentando um desempenho forte, com a diminuição de vagas e a variação da taxa de ocupação, que podem afetar o consumo.
No relatório semanal divulgado na segunda-feira, o Banco Daycoval também ressaltou a diminuição nas concessões de crédito para empresas e consumidores, enfatizando o cenário atual de “juros elevados e maior seletividade bancária”.
A instituição projetou um cenário de estabilidade na comparação trimestral, mas com uma desaceleração na variação anual em relação aos trimestres anteriores, devido principalmente à perda de ímpeto do consumo familiar e do agronegócio, que sustentaram a atividade no primeiro semestre.
Esse cenário é um ponto de atenção destacado pelos especialistas, que veem uma desaceleração na atividade do setor agropecuário.
A desaceleração no crescimento sequencial deve-se, segundo a análise do HSBC, à atividade agrícola, embora se observe uma recuperação em diversos componentes do PIB. As projeções para as safras do terceiro trimestre, que incluem café, algodão, cana-de-açúcar e laranja, permanecem favoráveis, mas a taxa de crescimento em comparação a 2024 é significativamente inferior àquela registrada nas safras do segundo trimestre.
Desse modo, o ajuste sazonal resultará em uma queda no PIB agrícola sequencial entre o terceiro e o segundo trimestre, o que explica a maior parte da desaceleração prevista para o PIB total.
Analisando por setor, a expectativa é de que o setor de serviços continue a se destacar. Adriana Ricci, fundadora da SHS Investimentos, menciona que em 2025 o setor de serviços será o principal responsável pelo crescimento do PIB, sustentado pelo consumo das famílias, enquanto a indústria avança, mas de forma lenta.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br