Zen Stewart e sua trajetória profissional
Zen Stewart conhece, por experiência própria, que os caminhos profissionais não são lineares. A dela, definitivamente, não é.
Hoje, aos 34 anos, Stewart exerce a profissão de eletricista em Raleigh, Carolina do Norte — especificamente, como eletricista de nível quatro em construção. Esse fato teria surpreendido sua versão mais jovem.
“Sempre gostei de moda, design e arquitetura”, afirma em entrevista. “Nunca pensei que estaria nos ofícios.”
Buscando um sentido
Após concluir o ensino médio, Stewart se aventurou em diversas áreas de estudo, incluindo design de interiores, design gráfico e administração de empresas. Contudo, nenhuma delas parecia certa para ela.
“Eu sabia em meu interior que algo mais estava à minha espera”, diz. Stewart passou um tempo atuando como DJ e trabalhando em varejo, joalheria, vendas e saúde à distância. Ela foi demitida do último emprego, onde organizava rotas para profissionais de saúde, devido à substituição de trabalhadores humanos por softwares novos, segundo seu relato.
“A ideia de me tornar eletricista nem havia passado pela minha cabeça até eu começar a ser demitida de empregos que achava que eram bons”, explica. Stewart começou a investigar quais carreiras “não seriam substituídas pela inteligência artificial tão cedo.”
Ela optou pela eletricidade porque “havia muitas maneiras de avançar e vários caminhos que ofereciam bons salários”, além de proporcionar a oportunidade de trabalhar com as mãos e ainda ser criativa.
Stewart foi também atraída pelo ofício da eletricidade, pois considerou mais viável para ela como mulher. “Pensei que conseguiria lidar com isso.”
Iniciando na profissão
Quando Stewart contou a amigos e familiares sobre seu desejo de ser eletricista, eles ficaram surpresos. “Foi um choque”, diz. “É muito diferente das coisas que eu estava fazendo anteriormente.”
“Eles estavam acostumados a ouvir: ‘Oh, eu quero ser designer de interiores. Eu quero ser arquiteta. Eu quero ser DJ.’ Então, eles estavam tipo: ‘Oh, bem, aqui está a nova ideia’”, recorda.
Entretanto, sua mãe a conectou com eletricistas de uma empresa que estava realizando um trabalho no local onde ela trabalhava, uma joalheria, e, a partir desse ponto, a história se desenrolou. “Eu literalmente entrei no escritório deles no mesmo dia, preenchi minha inscrição”, relata Stewart. “Na semana seguinte, já estava trabalhando.”
Em 2025, Stewart ganhou aproximadamente R$ 43.000 com seu trabalho como eletricista, além de alguma renda proveniente de suas redes sociais. Futuramente, ela espera aumentar sua renda, ficar livre de dívidas e adquirir uma casa.
Stewart se juntou à Irmandade Internacional de Eletricistas em agosto de 2025, mencionando benefícios como um bom plano de saúde, assistência para matrícula e facilidade na obtenção de trabalho. Ela paga cerca de R$ 57 mensalmente em taxas sindicais.
Desafios e adaptações
Stewart geralmente trabalha em turnos de oito horas, às vezes estendendo-se para 10 horas, de segunda a sexta-feira, com raras ocasiões de trabalho em feriados ou fins de semana para horas extras. Normalmente, ela começa suas manhãs despertando às 4h30 ou 5h.
“Foi um choque cultural enorme, pois não estava acostumada a acordar tão cedo”, reconhece. Mas “depois que entrei no ritmo das coisas, realmente gostei.”
Um dos maiores desafios é “tentar navegar neste campo dominado por homens como mulher”, comenta. “Sim, me sinto segura e protegida, mas muitas vezes, por ser mulher, sinto que preciso me provar mais.” Embora seus colegas tenham boas intenções, ela às vezes sente a necessidade de lembrá-los: “Está tudo bem, eu consigo sozinha.”
Atualmente, Stewart está se preparando para seu exame para se tornar aprendiz sindical. Após um programa de aprendizagem que dura vários anos, eletricistas normalmente podem obter sua licença de jornaleiro, que permite trabalhar em contextos residenciais, industriais e comerciais sem a supervisão que os aprendizes normalmente exigem.
Ela almeja aprender “como gerenciar minha própria equipe” e “estar responsável por todo um local de trabalho.” Com uma licença de jornaleiro da união, ela espera viajar e trabalhar em diferentes estados, o que, segundo ela, pode ser bastante lucrativo.
O futuro da carreira e a evolução da profissão
Atualmente, Stewart se concentra no trabalho elétrico comercial, mas deseja, futuramente, mudar para o trabalho elétrico industrial, que geralmente oferece salários mais elevados. Posteriormente, ela espera fazer uma transição para um papel mais de escritório na indústria, possivelmente em gerenciamento de projetos.
“Eu realmente penso sobre o desgaste físico desse trabalho”, admite. “Sei que, após certa idade, não vou querer estar no campo.”
Stewart não acredita que a inteligência artificial substituirá trabalhadores de ofícios especializados “por um bom tempo”, se é que algum dia isso ocorrerá. No entanto, menciona que já começa a notar a atuação de bots em tarefas simples, como mapear onde uma porta deve ser instalada ou onde uma parede deve começar. “Definitivamente, acredito que a inteligência artificial terá um papel na construção”, afirma.
Contribuindo para a próxima geração
Em suas redes sociais, Stewart oferece uma visão de seu trabalho.
“Pensei que, se eu pudesse mostrar meu ponto de vista sobre como é o meu dia a dia, isso poderia despertar o interesse de outras pessoas pelo ofício”, comenta. Para aqueles que estão considerando essa carreira, ela acrescenta: “Não deixe que a falta de experiência o impeça.”
Quanto à sua função, ela aprecia que “todo dia é diferente” e que pode “ver as coisas do começo ao fim”, transformando um terreno vazio em um edifício concluído. “Depois, poder acender as luzes e ver tudo ganhar vida, acho isso muito satisfatório”, diz.
Stewart sonha um dia em construir uma casa do zero. “Ainda tenho esse espírito criativo”, menciona. “Isso ainda está muito vivo e bem em minha vida.”
Fonte: www.cnbc.com