Empresas de mineração aproveitam grande interesse do Oriente Médio.

Interesse crescente em minerais críticos

Executivos do setor mineral têm observado uma notável crescente no interesse dos investidores provenientes do Oriente Médio, uma vez que os países do Golfo procuram expandir suas ambições em relação aos minerais críticos, estabelecendo-se como concorrentes de jogadores globais já estabelecidos.

Os minerais críticos referem-se a um subconjunto de materiais considerados essenciais para a transição energética. Esses recursos, que apresentam um alto risco de interrupção na cadeia de suprimentos, incluem metais como cobre, lítio, níquel, cobalto e elementos de terras raras.

“O interesse em terras raras nesta parte do mundo é fenomenal”, afirmou Tony Sage, CEO da mineradora Critical Metals, listada nos Estados Unidos, durante uma viagem de negócios pelo Oriente Médio. “Eu não esperava isso, porque, você sabe, eles não podem minerá-las. Não há realmente descobertas nessa área, mas eles querem participar de alguma forma na cadeia produtiva”, disse Sage em entrevista telefônica à CNBC.

Essas declarações ocorrem em um contexto onde responsáveis políticos e líderes empresariais se reúnem na Iniciativa de Investimento Futuro (FII), realizada na Arábia Saudita, em Riyadh, um evento conhecido como “Davos no Deserto”.

O evento anual, que teve início na última segunda-feira, ocorre sob o tema: “A Chave para a Prosperidade: Desbloqueando Novas Fronteiras de Crescimento”. Espera-se que a FII deste ano se concentre em áreas como inteligência artificial, especialmente à medida que o reino rico em petróleo continua sua missão de diversificar sua economia.

Movimentações estratégicas na região

Analistas afirmam que os países do Golfo, liderados por Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, estão cada vez mais buscando aproveitar seu capital financeiro e localização geográfica para capturar uma fatia do mercado de minerais críticos.

Uma série de aquisições direcionadas e parcerias internacionais compõe uma parte chave dessa estratégia regional, segundo uma análise do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), com os estados do Golfo procurando se apresentar como alternativas a países ocidentais.

A Critical Metals, por sua vez, firmou parceria com o Grupo Obeikan da Arábia Saudita para construir uma planta de processamento de hidróxido de lítio em grande escala no reino.

A influência da inteligência artificial

Kevin Das, consultor técnico sênior da New Frontier Minerals, uma empresa exploradora de terras raras com sede na Austrália, relacionou o interesse de investidores em terras raras vindos do Oriente Médio ao crescimento exponencial no campo da inteligência artificial.

“Não é surpresa ver interesse, não apenas no mundo ocidental, mas se espalhando pelos Estados do Golfo, porque as pessoas estão percebendo que provavelmente estamos à beira de um boom em IA”, disse Das em entrevista à CNBC. “Se você começar a ver a emergência da robótica, cada robô precisará desses metais raros. E eu acho que a oferta vai ficar cada vez mais escassa”, acrescentou.

Situação das terras raras no comércio internacional

Os elementos de terras raras emergiram como uma peça chave nas negociações da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, embora as ações globais tenham se valorizado na última segunda-feira, em meio às esperanças de uma distensão nas tensões entre as duas maiores economias do mundo.

Oficiais dos EUA promoveram a possibilidade de a China adiar rigorosos controles de exportação de terras raras como parte de uma cúpula de alto nível entre o presidente Donald Trump e o chinês Xi Jinping.

As terras raras são compostas por 17 elementos na tabela periódica, cuja estrutura atômica confere propriedades magnéticas especiais. Esses elementos são amplamente utilizados nos setores automotivo, de robótica e defesa.

Busca pela diversificação na Arábia Saudita

Shaun Bunn, diretor executivo da Empire Metals, empresa listada em Londres, também relatou um considerável interesse de investidores do Oriente Médio em sua empresa. “Acho que isso faz parte da estratégia do reino de se diversificar de sua dependência do petróleo. Eles sempre irão lucrar mais com o petróleo, pelo menos por ora, mas estão tentando diversificar”, disse Bunn em uma entrevista à CNBC.

Desafios para a produção de minerais críticos

Entretanto, analistas apontam uma série de barreiras enfrentadas pelo impulso dos estados do Golfo em relação aos minerais críticos, observando que os produtores da região permanecem como marginais na produção atualmente.

Segundo Asna Wajid, analista de pesquisa do IISS, “muitas das iniciativas de mineração da Arábia Saudita ainda estão em estágios iniciais ou mesmo conceituais, e o país ainda depende de parceiros estrangeiros para expertise, o que pode levar anos para que a Arábia Saudita, e os estados do Golfo em geral, ampliem a produção o suficiente para desafiar a dominação chinesa ou para atender completamente à demanda ocidental”.

Além disso, muitos no Ocidente podem hesitar em substituir a dependência da China pela dos estados do Golfo, que já exercem considerável influência estratégica devido a suas reservas de petróleo e gás.

Atualmente, a China é a líder indiscutível da cadeia de suprimento de minerais críticos, produzindo cerca de 70% do suprimento mundial de terras raras e processando quase 90% do total, o que significa que está importando esses materiais de outros países e os processando aqui.

Oficiais dos EUA já alertaram que essa dominância representa um desafio estratégico à medida que a transição para fontes de energia mais sustentáveis avança.

Fonte: www.cnbc.com

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