Escolha de Mojtaba Khamenei para liderar o Irã pode dificultar o término imediato da guerra.

Nomeação de Mojtaba Khamenei

O Irã nomeou Mojtaba Khamenei como sucessor de seu pai, o líder supremo assassinado, em uma cerimônia realizada na última segunda-feira. Essa escolha indica que a linha dura permanece firme no comando do país, sinalizando a disposição de manter uma postura firme frente a qualquer possibilidade de resolução rápida da guerra no Oriente Médio.

Aumento nos Preços do Petróleo

A expectativa de que as dificuldades no fornecimento global de energia — que já é uma das mais alarmantes da história recente — podem durar mais tempo do que o previsto anteriormente resultou em um aumento acentuado nos preços do petróleo, enquanto os mercados de ações globais enfrentaram quedas significativas.

Perfil de Mojtaba Khamenei

Khamenei, aos 56 anos, é um clérigo xiita influente nas forças de segurança do Irã e em seu extenso império empresarial. Sua nomeação foi considerada inaceitável pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que exigiu a rendição incondicional do Irã.

Lealdade ao Novo Líder

O sistema político iraniano se uniu em torno do novo líder supremo, com políticos e instituições expressando promessas de lealdade de forma contundente. Ao longo do dia, foram organizadas procissões públicas para demonstrar o comprometimento com Mojtaba Khamenei.

“Obedeceremos ao comandante-chefe até a última gota de nosso sangue”, informou um comunicado do conselho de defesa.

Contexto da Nomeação

O pai de Mojtaba, Ali Khamenei, antigo líder supremo, foi morto em um dos primeiros ataques contra o Irã, que ocorreu há mais de uma semana. Mojtaba já era visto como um dos favoritos antes da votação de domingo realizada pela Assembleia de Especialistas, um corpo formado por 88 clérigos responsáveis por eleger o novo líder supremo, que possui a palavra final em todas as questões do governo.

Divisões na Sociedade Iraniana

Embora as promessas públicas de lealdade ao novo líder tenham sido amplamente divulgadas, a sociedade iraniana permanece profundamente dividida. Muitas pessoas celebraram a morte do antigo líder, Khamenei, em um contexto em que as forças de segurança haviam reprimido com violência os protestos, resultando na morte de milhares de manifestantes, na que foi considerada a maior onda de agitação interna desde a Revolução de 1979 no Irã.

Entretanto, observaram-se poucos sinais de descontentamento nas ruas durante a campanha de bombardeios, com ativistas apontando que não seria seguro manifestar-se sob tais circunstâncias no país.

Objetivos de Guerra e Demandas

Israel declarou que seu objetivo na guerra é derrubar o regime clerical do Irã. Inicialmente, os Estados Unidos foram mais cautelosos, evidenciando que seu foco principal consistia em desmantelar as capacidades de mísseis e o programa nuclear iraniano. No entanto, Trump ampliou suas exigências, passando a exigir a instalação de um governo iraniano que fosse mais complacente.

Israel havia estipulado que mataria qualquer sucessor do antigo líder Khamenei, a menos que o Irã encerrasse suas políticas hostis. O presidente Trump reiterou no domingo que Washington deve ter voz na escolha do novo líder supremo, afirmando: “Se ele não tiver nossa aprovação, não vai durar muito tempo”, em uma declaração feita à ABC News. Ele ainda salientou que o término da guerra seria uma decisão a ser tomada em conjunto com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Após a nomeação do novo líder supremo, Trump foi questionado e respondeu de forma evasiva, afirmando apenas: “Veremos o que acontece”, conforme relatado pelo Times of Israel.

Impacto no Mercado de Petróleo

A guerra levou praticamente ao fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte marítimo para petróleo e gás, por onde circula cerca de um quinto do total mundial. Com os petroleiros impossibilitados de navegar por mais de uma semana, a capacidade de armazenamento dos produtores se esgotou, resultando em interrupções no bombeamento de petróleo.

Os contratos futuros do petróleo Brent registraram um aumento de 12,5%, alcançando o valor de US$ 104,30 por barril às 7h17 (horário de Brasília). O preço chegou a ultrapassar a marca de US$ 119,50, estabelecendo um novo recorde para um único dia.

A expectativa de uma crise prolongada na área de energia, que traz à tona memórias do choque do petróleo no Oriente Médio nos anos 1970, levou a uma forte instabilidade nos mercados de ações na Ásia e na Europa. Os futuros indicam que o impacto também afetará Wall Street na abertura de segunda-feira.

O aumento nos preços dos combustíveis é um assunto de grande relevância política nos Estados Unidos, especialmente para os aliados republicanos de Trump, que almejam manter o controle do Congresso nas próximas eleições de meio de mandato em novembro. Trump, que venceu as eleições de 2024 prometendo pôr fim às guerras no exterior e reduzir os custos de vida, se depara com um desafio significativo.

Declaração de Trump

No último domingo, Trump se manifestou sobre a situação dos preços do petróleo, enfatizando que a diminuição desses valores ocorrerá rapidamente uma vez que a ameaça nuclear do Irã seja eliminada. Ele declarou que esse seria um “preço muito pequeno” a ser pago pela segurança e paz dos Estados Unidos e do mundo, reforçando sua posição no Truth Social. “SOMENTE OS TOLOS PENSARIAM DE FORMA DIFERENTE!”, concluiu.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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