Rede de contrabando ligada à China é desmantelada nos EUA
Autoridades dos Estados Unidos anunciaram, na terça-feira, que fecharam mais uma rede de contrabando vinculada à China, que traficava ou tentava traficar mais de US$ 160 milhões em chips de inteligência artificial da empresa Nvidia, os quais são controlados como exportações.
Detenções e acusações
De acordo com um comunicado de imprensa do Escritório do Procurador dos EUA, dois empresários foram presos, enquanto uma empresa de Houston e seu proprietário já se declararam culpados de contrabando de chips como parte de uma investigação mais ampla.
Este caso surge em um momento em que Washington intensifica a aplicação das regras de controle de exportações com o objetivo de restringir o acesso da China a tecnologias avançadas de inteligência artificial, incluindo as Unidades de Processamento Gráfico (GPUs) da Nvidia.
Operação Gatekeeper
A operação, chamada de “Operação Gatekeeper”, revelou esforços para canalizar chips de inteligência artificial de última geração — com aplicações tanto militares quanto civis — para entidades que poderiam comprometer a segurança nacional dos Estados Unidos, de acordo com uma declaração do procurador dos EUA, Nicholas J. Ganjei, do Distrito Sul do Texas.
Documentos recém-divulgados mostram que Alan Hao Hsu, de 43 anos, residente em Missouri City, Texas, e sua empresa, Hao Global LLC, se declararam culpados de atividades de contrabando e exportação ilegal no dia 10 de outubro.
Os oficiais afirmaram que Hsu e seus associados exportaram ou tentaram exportar pelo menos US$ 160 milhões em GPUs Nvidia H100 e H200 entre outubro de 2024 e maio de 2025.
Os modelos H200 e H100, apesar de não serem os chips mais avançados da Nvidia, ainda assim exigem uma licença especial para serem enviados à China sob as atuais regulamentações.
Falsificação de documentos e financiamento
A operação de Hsu supostamente falsificou documentos de envio para reclassificar as GPUs e ocultar seus verdadeiros destinos, que incluíam China, Hong Kong e outros locais proibidos. Investigações rastrearam mais de US$ 50 milhões em fundos que originaram da China para ajudar a financiar o esquema operado por Hsu e Hao Global.
Hsu, que permanece livre sob fiança, pode enfrentar até 10 anos de prisão em sua audiência marcada para o dia 18 de fevereiro, enquanto a Hao Global pode ter que pagar multas de até duas vezes os ganhos ilícitos, além de cumprir uma pena de liberdade condicional.
Declarações da Nvidia
Em uma declaração enviada ao CNBC, um porta-voz da Nvidia afirmou que os controles de exportação continuam rigorosos e que “mesmo as vendas de produtos de gerações anteriores no mercado secundário estão sujeitas a rigorosa supervisão e revisão”.
“Enquanto milhões de GPUs controladas estão em operação em empresas, residências e escolas, continuaremos a trabalhar com o governo e nossos clientes para garantir que o contrabando de segunda mão não ocorra”, acrescentou o porta-voz.
Chips da Nvidia reclassificados
Além disso, autoridades dos Estados Unidos também acusaram Fanyue Gong, de 43 anos, um cidadão chinês residente em Nova York, e Benlin Yuan, de 58 anos, um cidadão canadense vivendo em Ontário, como parte da investigação.
Yuan ocupa o cargo de CEO de uma subsidiária americana de uma empresa de TI chinesa com sede em Pequim, enquanto Gong é proprietário de uma empresa de tecnologia em Nova York. Ambos supostamente conspiraram de maneira independente com uma empresa de logística em Hong Kong e uma firma de IA com sede na China para driblar os controles sobre os chips.
Conspiração para contrabando
Os promotores alegaram que Gong utilizou compradores-laranja e intermediários para adquirir GPUs, fazendo declarações falsas sobre os clientes finais, que eram apresentados como estando nos Estados Unidos ou em países terceiros sem restrições.
Funcionários em armazéns nos Estados Unidos, segundo o caso, rebatizavam remessas sob nomes fictícios e as rotulavam como peças genéricas para exportação à China e a Hong Kong.
Por sua vez, Yuan é acusado de recrutar inspetores para a empresa de Hong Kong, orientando-os a ocultar destinos na China, elaborando histórias de cobertura para liberar remessas detidas e fornecendo informações falsas às autoridades. Ele também supostamente cuidava do armazenamento para exportações adicionais de GPUs.
Penas potenciais
Se condenados, Yuan poderá enfrentar até 20 anos de prisão por conspiração para violar a Lei de Reforma de Controle de Exportação, enquanto Gong poderá receber uma pena de até 10 anos por conspiração para contrabando.
A investigação envolveu o Escritório de Indústria e Segurança do Departamento de Comércio, que supervisiona e aplica os controles de exportação dos EUA, incluindo os sobre a Nvidia. O caso surge em meio a uma série de apreensões semelhantes referentes a exportações não autorizadas da Nvidia nos últimos meses.
Legisladores têm tentado reforçar a supervisão sobre os controles de chips dos EUA após relatos sobre brechas nas regras existentes.
No entanto, nesta semana, o Presidente dos EUA sinalizou que permitiria à Nvidia enviar seus chips H200 para “clientes aprovados” na China e em outros lugares, sob a condição de que Washington receba uma parte de 25% nos lucros.
Embora o H200 não seja o modelo mais avançado da linha da Nvidia, ele se tornaria o modelo mais avançado disponível para a China e poderia ajudar a atender à demanda por poder de computação em inteligência artificial no país.
Fonte: www.cnbc.com