Utilidades em Foco na Era da Inteligência Artificial
As empresas de serviços públicos, e não as de tecnologia, estão se situando no que muitos especialistas chamam de "ponto ideal" para explorar o tema da inteligência artificial. Nick Giorgi, estrategista-chefe de ações da Alpine Macro, destacou em uma análise recente que "as utilidades estão nas etapas iniciais de uma evolução estrutural, movendo-se de um crescimento mais lento e altos rendimentos para um crescimento mais rápido e uma realocação de capital". Segundo ele, "o setor está bem alinhado aos motores tecnológicos seculares, mas com menor risco de execução".
Mudança na Proposta de Valor do Setor
Giorgi aponta que essa transformação altera a proposta de valor do setor, deslocando sua utilidade dentro das carteiras de investimentos de ser um proxy defensivo de renda fixa para um investimento essencial. A performance recente das utilidades corroborou essa visão, já que elas estão superando o mercado em um ano até o momento, impulsionadas pela enorme demanda por eletricidade em decorrência do crescimento das instalações de centros de dados.
Desempenho do Setor
Atualmente, as utilidades representam o terceiro setor com melhor desempenho no S&P 500, apresentando uma alta superior a 17%, sendo superadas apenas pelos setores de tecnologia da informação e serviços de comunicação. Entretanto, mesmo esses números positivos ainda ficam aquém do potencial de valorização que o setor pode alcançar, conforme afirmado por Giorgi. Historicamente consideradas opções defensivas devido à previsibilidade de seus fluxos de caixa estáveis, as utilidades estão começando a se comportar como ações de crescimento, impulsionadas pela eletrificação da rede elétrica.
Visão de Mercado e Recomendações
Em junho do ano passado, foi iniciada uma adição tática a utilidades, conforme o setor entrou em um momento de demanda crescente, uma necessidade significativa de investimento em capital e a inflação em queda. Giorgi mencionou: "Desde então, encerramos essa operação com um lucro satisfatório, mas agora reconhecemos que os ventos favoráveis que impulsionam as utilidades têm sido menos cíclicos e mais seculares". Isso torna o setor mais atraente que o de tecnologia ou até mesmo que o de energia, uma vez que as utilidades não apresentam o mesmo "potencial de colapso" que os últimos.
Recomendações Táticas
Com base em sua análise, Giorgi fez uma recomendação tática para os investidores: "comprar utilidades e vender energia". O Exchange-Traded Fund (ETF) Utilities Select Sector SPDR Fund (XLU) surge como uma maneira abrangente de acessar este grupo de ativos. Entre as ações mais favorecidas nesse ETF, destacam-se Vistra e PG&E, ambas consideradas promissoras por analistas de Wall Street.
A Vistra, por exemplo, é projetada para uma valorização de 35% nos próximos 12 meses, de acordo com a média das previsões coletadas por Wall Street através da FactSet. Da mesma forma, PG&E, NRG, Edison e Constellation Energy têm suas expectativas de ganhos acima de 15% para o próximo ano.
Essas previsões destacam não apenas a relevância crescente do setor de utilidades no contexto atual, mas também a confiança dos investidores na robustez e na capacidade de adaptação dessas empresas diante das mudanças no cenário econômico e tecnológico.
Fonte: www.cnbc.com


