A Dilema dos Investidores diante do Cenário Atual
Os investidores enfrentam um dilema no contexto de um conflito entre os Estados Unidos e o Irã, cujas repercussões parecem mudar a cada hora. Neste cenário, riscos variados continuam a pairar sobre um mercado de ações que ainda se encontra próximo de máximas históricas, o que dificulta a tomada de decisões sobre onde investir e o que fazer.
Desempenho do Mercado
Na terça-feira, os principais índices de ações apresentaram uma alta, construindo sobre a recuperação registrada na segunda-feira, quando as ações reverteram uma tendência negativa substancial após o presidente Trump afirmar que "a guerra está praticamente completa." Essas declarações ajudaram a provocar uma forte oscilação nos mercados, fazendo com que o S&P 500 encerrasse a sessão com alta de 0,8%, após ter caído até 1,5% durante o dia.
Apesar desses avanços, alguns investidores demonstram ceticismo em relação à ideia de que o cenário de incertezas já foi superado. O S&P 500 encontra-se apenas 2,5% abaixo de seu recorde histórico, mas as expectativas de volatilidade futura permanecem elevadas. O VIX, conhecido como o indicador de medo de Wall Street, que é calculado com base nos preços em tempo real das opções do S&P 500, estava acima de 20, após ter se aproximado de 30 na última sexta-feira.
Análise do Especialista
"Embora a entrevista de Trump à CBS News e a coletiva de imprensa em Doral, Florida, parecessem sugerir um término antecipado da guerra, ele não foi capaz de fornecer uma data — ‘não esta semana,’ disse ele," comentou Komal Sri-Kumar, presidente da Sri-Kumar Global Strategies, em entrevista à CNBC. "Além disso, a nomeação do filho linha-dura de Khamenei como o próximo líder iraniano sugere que eles estão se preparando para uma guerra prolongada."
Possibilidade de Correção
"So após a queda acentuada nos preços do petróleo na segunda-feira e a recuperação nos preços das ações, a correção pode recomeçar," acrescentou Sri-Kumar. Ele, que já foi o principal estrategista global da TCW, é pessimista tanto em relação à economia dos Estados Unidos quanto ao mercado de ações. Sua hipótese central é de que a estagflação está a caminho, um período caracterizado por baixo crescimento econômico e pressões inflacionárias persistentes — uma previsão que ele mantém desde setembro.
Dada sua visão negativa sobre a economia, aliada a elevadas avaliações de ações, um conflito em andamento e preocupações contínuas sobre a saúde do crédito privado, Sri-Kumar aconselhou os investidores a reduzirem sua exposição ao mercado acionário. Ele sugere que os operadores se posicionem de forma defensiva em ações dos setores de energia e saúde. No que diz respeito a Títulos do Tesouro, ele recomenda a manutenção de títulos de prazo mais curto.
Sri-Kumar, cuja firma oferece consultoria macroeconômica, acredita que as ações podem sofrer uma queda de 15% a 20% antes que os investidores intervenham para adquirir ações que estão sendo negociadas abaixo do seu valor real. "Espere até que haja sangue nas ruas, e quando você ver sangue nas ruas, apresse-se," disse Sri-Kumar.
Divergência de Opiniões entre Especialistas
Entretanto, nem todos compartilham da mesma perspectiva. Na terça-feira, Max Kettner, estrategista chefe de múltiplos ativos do HSBC, elevou a recomendação para as ações para "max" sobrepeso, afirmando que os piores temores relacionados ao aumento do preço do petróleo iraniano já foram superados pelos investidores.
Apesar disso, Kettner concordou com a avaliação de outros especialistas de que os investidores devem se concentrar nas ações que foram mais penalizadas durante a recente queda. Ele expressou uma preferência por ações na Ásia e na Europa em detrimento das dos Estados Unidos, considerando estar com uma posição de sobrepeso nas ações japonesas.
Um setor que pode oferecer oportunidades é o de software, que pode conter boas ofertas após a recente queda acentuada. A Deutsche Bank Research, por exemplo, argumentou que atualmente existe uma oportunidade de compra nesse setor após o movimento de vendas registrado no mês anterior.
Fonte: www.cnbc.com