Análise da Volatilidade do CDI e do S&P 500
O CDI, que é o indicador padrão para investimentos em renda fixa no Brasil, apresenta um nível de volatilidade superior ao do S&P 500. Esta conclusão se baseia em uma análise que considerou um total de 21.146 janelas móveis, abrangendo o período de janeiro de 2005 até julho de 2026. Os dados analisados fazem parte do estudo intitulado “Ir para o exterior é fundamental: por que a Selic alta não protege totalmente o patrimônio brasileiro”, realizado por um grupo de professores do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGVcef), que inclui Claudia Yoshinaga, Francisco de Castro Junior, Ricardo Rochman e William Eid Junior.
Volatilidade e Risco Cambial
Segundo a pesquisa, essa diferença na volatilidade entre os dois indicadores é atribuída à instabilidade do real frente ao dólar, que é considerado uma moeda forte. A pesquisa esclarece que, embora o CDI não apresente risco relevante de crédito ou de mercado em reais, ele está exposto ao risco cambial em sua totalidade.
O professor William Eid, que também atua como colunista do E-Investidor na Avenue Connection, destacou a importância de selecionar um período amplo para a análise, com a intenção de incluir tanto momentos favoráveis quanto desfavoráveis do S&P 500.
Comparação com o Ibovespa
Em contrapartida, o índice Ibovespa demonstrou a maior volatilidade entre os indicadores analisados, com um percentual de 15,44%. Essa alta volatilidade é resultado da combinação do caráter instável das movimentações do mercado de ações e das flutuações no câmbio, que se somam, criando um efeito cumulativo em vez de se cancelarem mutuamente.
Retornos Anualizados
A tabela apresentada na pesquisa contém a distribuição detalhada dos retornos anualizados em dólar, considerados em termos reais, para o S&P 500, VUSTX, Ibovespa, CDI e IMA-B, que se referem a títulos públicos brasileiros indexados à inflação.
Na última coluna da tabela, que classifica o retorno médio em relação ao risco, podemos observar a seguinte hierarquia: o S&P 500 oferece um retorno médio de 1,20, enquanto o IMA-B apresenta 0,40. O CDI e o VUSTX estão empatados com um retorno médio em torno de 0,20. O Ibovespa, por sua vez, termina com -0,01, o que representa o pior retorno médio, apesar de possuir a maior volatilidade registrada na tabela.
Ao realizar uma análise sobre os retornos positivos, ficou evidente que o S&P 500 conseguiu aumentar seu poder de compra em dólar em 90,09% das janelas analisadas. O IMA-B conseguiu um aumento em 61,19% das janelas, enquanto o CDI obteve um aumento em 49,4%. Em analogia, o Ibovespa teve um desempenho substancialmente inferior, com um aumento em apenas 39,24% das janelas.
Média e Mediana dos Retornos
A comparação entre média e mediana dos retornos complementa a análise de desempenho dos ativos. Nos ativos norte-americanos, a média ficou abaixo da mediana, principalmente porque algumas crises severas puxaram a média para baixo. Em contrapartida, nos ativos brasileiros, a média superou a mediana. Isto ocorre porque a média nos ativos brasileiros é sustentada por um número reduzido de janelas que apresentaram resultados excepcionalmente favoráveis, como um real forte ou taxas de juros reais muito atrativas. O caso do CDI é particularmente notável, apresentando uma média de 1,75% contra uma mediana de -0,08%. Isso sugere que a média dos retornos dos ativos brasileiros foi influenciada por um número restrito de períodos extraordinários, enquanto a mediana ilustra um resultado típico que é menos otimista.
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Fonte: www.estadao.com.br
