Mercado de ETFs completa 22 anos no Brasil e supera 190 fundos listados
Desde o lançamento do PIBB11, primeiro ETF brasileiro, a indústria cresceu no País oferecendo ao investidor diversificação, custos mais baixos e vantagens tributárias. Crédito: Estadão
Desde o início dos anos 1990, quando foi lançado o primeiro fundo de índice (ETF, na sigla em inglês) no mundo, essa indústria tem apresentado um crescimento significativo. Em agosto de 2026, havia mais de 17.000 ETFs disponíveis para os investidores, os quais gerenciavam aproximadamente US$ 23 trilhões em ativos, com a maioria concentrada em três grandes gestoras: BlackRock (Ishares), Vanguard e State Street. Esse cenário oferece um mundo amplo de opções aos investidores.
A diversidade na oferta de ETFs
A oferta inicial de ETFs, que se limitava aos grandes índices do mundo, evoluiu para uma gama diversificada, que inclui milhares de fundos com temas específicos, como defesa, semicondutores, urânio, baterias e energia limpa, além de focar em países e setores variados.
Entretanto, um aspecto que merece atenção é que um número elevado de ETFs não garante uma diversificação adequada. Um investidor pode possuir ETFs que replicam o S&P 500, o Nasdaq, além de focar em tecnologia e inteligência artificial, acreditando que isso o torna diversificado. Na prática, pode estar concentrado em um número restrito de empresas como Microsoft, Nvidia, Apple, Alphabet e Amazon. Na realidade, a quantidade de tickers em uma carteira não é tão importante quanto a diversidade de riscos que ela realmente apresenta. É essencial avaliar não apenas setores e estratégias, mas também os riscos envolvidos.
Cuidado com a concentração
Por exemplo, as ações de crescimento, que são aquelas que têm potencial de crescimento de lucros e receitas acima da média do mercado, apresentam um tipo de risco. Essas ações tendem a se comportar de maneira semelhante. O mesmo se aplica às ações de valor, que geralmente são negociadas abaixo do seu valor intrínseco e também tendem a apresentar comportamentos semelhantes.
No caso de Nvidia, Amazon e AMD, elas não exemplificam uma diversificação eficaz. Todas são classificadas como ações de crescimento, e manter uma grande concentração dessas em uma carteira, mesmo que distribuídas entre diferentes ETFs, representa estar exposto a uma única aposta.
ETFs temáticos e suas armadilhas
Além disso, é possível discutir a questão dos ETFs temáticos. Muitos deles são lançados em momentos em que os temas já se tornaram populares, resultando em perspectivas de valorização menos promissoras. Essa circunstância exige um cuidado adicional na escolha de quais ETFs incluir na carteira.
Retornando a um tema que já foi abordado em colunas anteriores, temos a importância do investimento por objetivos. Os investidores podem estruturar uma carteira que se assemelhe a uma constelação de ETFs. O núcleo dessa carteira, que deve receber a maior parte dos recursos, deve ser composto por um ETF global abrangente ou uma combinação deliberada de grandes regiões, incluindo Renda Fixa e variáveis de Renda Fixa para geração de rendimento.
Essa abordagem evita que a carteira se transforme em um conjunto de apostas de nicho ou baseadas em convicções pessoais. A inclusão de ETFs temáticos é possível, mas cuidados devem ser tomados para que não se pague sobrepreço, o que pode ocorrer, por exemplo, no caso de ETFs de nicho, que podem custar mais caro do que produtos abrangentes e mais acessíveis.
Liquidez e avaliação na seleção de ETFs
A questão da liquidez também deve ser considerada ao se tratar de ETFs de nicho muito específicos. Os investidores precisam estar atentos a esse aspecto. Quando um ETF é agregado à carteira, torna-se fundamental avaliar se ele proporciona uma nova exposição que ainda não está presente, se ajuda a reduzir algum risco ou se reforça uma convicção já estabelecida. Em resumo, o número de ETFs não é uma boa métrica para diversificação.
É possível que dez ETFs diferentes representem dez riscos distintos ou, ao contrário, dez maneiras distintas de adquirir ações de Nvidia, Microsoft e similares. A diversificação não se baseia na quantidade de produtos, mas na variação entre os riscos envolvidos. O que se tem, portanto, é uma simples coleção de tickers, sem a verdadeira diversificação.
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Fonte: www.estadao.com.br
