ETFs de gestão ativa atraem 40% dos novos investimentos: qual é o segredo dessa tendência?

ETFs de gestão ativa atraem 40% dos novos investimentos: qual é o segredo dessa tendência?

by Editoria Bolsa e Mercado
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ETFs no Brasil: Perspectivas e Tendências

A próxima fase de crescimento dos fundos de índice, conhecidos como ETFs (Exchange Traded Funds), no Brasil deve estar menos relacionada ao lançamento de novos produtos e mais à mudança na maneira como esses instrumentos são utilizados nas carteiras de investimento. Executivos do JPMorgan e da Global X apontam que a gestão ativa, a diversificação internacional e um modelo de assessoria menos dependente de comissões são algumas das tendências que devem moldar a indústria nos anos próximos.

Crescimento Global dos ETFs Ativos

No cenário global, os ETFs ativos representam atualmente uma pequena fração do patrimônio total, mas estão avançando a um ritmo mais acelerado do que a própria indústria como um todo. Segundo Isabella Nunes, do JPMorgan Asset Management, esses produtos já correspondem a cerca de 10% do mercado, embora recebam aproximadamente 40% dos novos investimentos destinados a ETFs.

Mudanças Regulatórias e Adaptação

Esse crescimento foi impulsionado por mudanças regulatórias nos Estados Unidos nos últimos anos, que facilitaram a criação de ETFs ativos. Nunes acredita que o Brasil deve seguir um caminho semelhante, embora possivelmente com um certo atraso em relação ao mercado americano.

Diferenças entre ETFs

Enquanto um ETF passivo visa reproduzir um índice específico, o ETF ativo possibilita que uma equipe de gestão escolha empresas, títulos e exposições conforme uma estratégia definida. Para os investidores brasileiros, que tradicionalmente estão habituados a fundos de gestão ativa, essa mudança diz respeito principalmente ao veículo através do qual os investimentos são realizados.

Nunes destaca as principais diferenças entre as estruturas disponíveis:

  • ETF Tradicional: O investidor deve considerar principalmente custos, liquidez e a capacidade do fundo de acompanhar o índice de referência.
  • Smart Beta: Aqui, a metodologia utilizada para construir a carteira se torna um fator preponderante.
  • ETFs Ativos: A análise abrange a equipe de gestão, o processo de investimento e a habilidade de gerar retornos adicionais.

Painel na B3 Week 2026

Essas discussões foram abordadas durante o painel “Para onde vão os ETFs: as tendências que moldam a próxima década”, realizado na B3 Week 2026. Além de Nunes, participaram Flavio Vegas, da Global X, e João Morbim, da B3.

Acesso a Novos Setores

Flavio Vegas observou que uma das principais funções dos ETFs globais é oferecer ao investidor brasileiro acesso a setores, empresas e tendências que são praticamente inexistentes na Bolsa local. Foram citadas áreas como inteligência artificial, eletrificação, transição energética, terras raras e defesa como algumas das teses com caráter estrutural que têm potencial para se desenvolver ao longo de horizontes de 10, 15 ou 20 anos.

Desafios e Oportunidades no Brasil

Quando a discussão se voltava para o futuro, os executivos disseram que o Brasil já conta com uma oferta de produtos bastante ampla. Há mais de 200 ETFs locais e mais de 300 ETFs globais acessíveis através de BDRs (Brazilian Depositary Receipts), conforme dados mencionados no painel. Assim, o desafio passa a ser o de ensinar investidores, assessores e consultores a integrar cada instrumento em suas respectivas carteiras.

Mudanças no Modelo de Distribuição

Outra transformação significativa pode advir do próprio modelo de distribuição dos produtos financeiros. Nunes ressaltou o avanço nos Estados Unidos de modelos nos quais os profissionais são pagos pela gestão ou pelo aconselhamento do patrimônio, em vez de serem remunerados pelas comissões geradas pela venda de cada produto. Nesse novo modelo, carteiras-modelo construídas com ETFs tornam-se mais comuns, permitindo que os assessores dediquem mais tempo ao relacionamento com os clientes do que à seleção individual de cada ativo.

Informações Sobre a B3 Week 2026

A B3 Week 2026 ocorre entre os dias 14 e 16 de setembro, em São Paulo, e reúne representantes do mercado de capitais brasileiro e instituições internacionais. Nesta sétima edição, o evento promove debates sobre economia, tendências globais, regulação, investimentos, dados e tecnologia.

Fonte: www.estadao.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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