EUA pedem que cidadãos americanos ‘deixem o Irã imediatamente’ antes de negociações complexas com Teerã

Dois integrantes armados das forças especiais da polícia do Irã estão posicionados atrás de uma bandeira nacional colocada sobre um veículo militar blindado durante um comício de apoio ao governo, em Teerã, Irã, no dia 12 de janeiro de 2026.

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A Embaixada Virtual dos Estados Unidos no Irã emitiu um alerta de segurança na manhã da última sexta-feira, recomendando aos cidadãos americanos que “deixem o Irã imediatamente” e que preparem planos de saída que não dependam da assistência do governo dos Estados Unidos.

Esse aviso ocorre antes da reunião agendada entre os Estados Unidos e o Irã em Omã, que acontece na sexta-feira, sem que haja muitas indicações de que as duas partes tenham encontrado um terreno comum em relação à agenda do encontro.

O enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump, estavam programados para participar da reunião com uma equipe liderada pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, segundo informações de autoridades americanas e iranianas.

A reunião de sexta-feira será o primeiro encontro oficial entre Teerã e Washington desde que as tensões aumentaram em junho do ano passado, quando uma guerra de doze dias com Israel levou a ataques aéreos americanos que danificaram severamente as três principais instalações nucleares do Irã.

As diferenças em relação ao escopo e ao local das negociações levantaram dúvidas sobre a possibilidade de se chegar a resultados, mantendo em aberto o risco de uma ação militar por parte dos Estados Unidos.

O governo dos EUA teria exigido que o Irã descartasse seu estoque de urânio enriquecido, impusesse limitações ao programa de mísseis balísticos de Teerã e interrompesse o armamento e o financiamento de grupos militantes no Oriente Médio. Trump ameaçou realizar ataques militares contra Teerã caso este não concorde com as exigências dos EUA.

O Irã, por sua vez, respondeu afirmando que as exigências americanas constituem uma violação inaceitável de sua soberania e ameaçou retaliar de forma contundente a qualquer ataque, visando alvos militares dos EUA na região e em Israel.

Pouca esperança?

Os movimentos diplomáticos ocorrem em um contexto de tensões elevadas no Oriente Médio, com os EUA aumentando suas forças no Golfo nas últimas semanas. Trump enviou o que chamou de “uma armada massiva”, liderada pelo porta-aviões Abraham Lincoln, para a região antes das negociações.

As chances de um acordo ou de uma desescalada a partir das conversas são baixas, uma vez que as exigências centrais de ambas as partes continuam a estar “muito distantes e há uma total falta de confiança”, afirmou Bob McNally, presidente do Rapidan Energy Group.

McNally projetou uma probabilidade de 75% de que os EUA e o Irã se envolvam em hostilidades militares nos próximos dias ou semanas. Os cenários possíveis incluem um bloqueio semelhante ao da Venezuela, ataques seletivos ou limitados e um conflito militar em larga escala, disse ele.

As negociações estavam originalmente programadas para ocorrer em Istambul, devido ao papel de liderança da Turquia como mediadora, com ministros das Relações Exteriores de países árabes da região, incluindo Egito, Catar, Arábia Saudita e Turquia, convidados a participar.

No entanto, na terça-feira, Teerã solicitou uma mudança de local e formato de última hora, pedindo que a reunião fosse realizada em Omã e que os participantes fossem limitados a representantes iranianos e americanos.

À medida que Trump colocou a credibilidade dos EUA em jogo, se o Irã se recusar a fazer grandes concessões, o presidente dos EUA provavelmente se sentirá compelido a agir, afirmou McNally. Por outro lado, se os EUA se abstiverem de ataques, Israel pode lançar ataques contra os alvos militares, nucleares e de liderança do regime iraniano.

As tensões aumentaram no início deste ano após o surgimento de protestos em todo o Irã. Teerã reprimiu os protestos, resultando na morte de pelo menos 6.883 pessoas até quarta-feira, de acordo com dados da Agência de Notícias de Ativistas dos Direitos Humanos, um grupo com sede em Washington focado na situação iraniana.

Trump havia ameaçado intervir em apoio aos protestantes no país, mas acabou recuando da possibilidade de uma ação militar.

— Contribuição de Asriel Chua para o relatório da CNBC.

Fonte: www.cnbc.com

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