Euro digital: BCE afirma que protegerá bancos e bandeiras de cartões na Europa

Banco Central Europeu Planeja Criação do Euro Digital

O euro digital está sendo desenvolvido com o objetivo de proteger as bandeiras de cartões na Europa e garantir que os bancos permaneçam no centro do sistema de pagamentos da zona do euro. Esta declaração foi feita por um alto funcionário do Banco Central Europeu (BCE) em um evento realizado na quarta-feira, dia 18.

Gestão e Receios Relacionados ao Euro Digital

O euro digital será gerido diretamente pelo BCE, por meio de contas que os usuários abrirão junto ao banco central. No entanto, esse projeto gera preocupações sobre a possibilidade de perda de papel das instituições financeiras no processamento de pagamentos.

A digitalização dos pagamentos resulta em uma diminuição do uso do dinheiro físico, a única forma de moeda atualmente emitida por bancos centrais. Diante disso, o BCE decidiu pela emissão de uma moeda digital para competir com as modalidades privadas de dinheiro que já estão em circulação.

Piero Cipollone, que é membro do conselho executivo do BCE, destacou que as transformações no setor de pagamentos implicam riscos para os bancos, independentemente da introdução do euro digital.

Em sua declaração ao comitê diretivo da associação bancária italiana, ABI, Cipollone enfatizou que o objetivo do euro digital é “preservar a posição central dos bancos nos pagamentos”.

Ele também alertou que os bancos estão suscetíveis a perder seu papel no processamento de pagamentos devido não somente ao surgimento de stablecoins, mas também por conta de outras soluções financeiras privadas disponíveis no mercado.

Essa perda de relevância pode resultar em uma diminuição nas receitas dos bancos, além de afetar o acesso a dados de pagamento de seus clientes, informações essas que são indispensáveis para a oferta de serviços financeiros adicionais e mais rentáveis.

Proteção aos Sistemas de Pagamento Europeus

O BCE reafirmou seu compromisso em proteger os sistemas de pagamento da Europa, incluindo o sistema de cartões Bancomat da Itália e a plataforma peer-to-peer Bizum da Espanha, conforme argumentou Cipollone.

Para garantir o fortalecimento do seu papel, a estrutura do euro digital será criada para que os comerciantes encontrem mais vantagens em utilizar essas redes, frisou.

Cipollone esclareceu que “o limite máximo da taxa que os comerciantes pagarão na rede digital do euro será inferior ao que costuma ser cobrado pela rede de pagamentos internacional, que é tipicamente mais cara, porém superior às tarifas associadas aos sistemas de pagamentos nacionais, que tendem a ser os mais acessíveis”.

Atualmente, apenas oito dos 21 países da zona do euro possuem um sistema nacional de pagamentos, enquanto os demais dependem, em sua totalidade, de redes de pagamentos internacionais.

O desenvolvimento do euro digital tem como efeito positivo a promoção dos sistemas de pagamento domésticos, uma vez que permitirá que as transações sejam processadas de maneira mais eficiente e com custos reduzidos.

Desafios nas Relações Transatlânticas e Recentes Avanços

O BCE também observou que a deterioração das relações entre a Europa e a América do Norte elevou a classificação de risco estratégico sobre o fato de que mais de três quartos das transações na Europa são realizadas por meio de sistemas de pagamentos internacionais, como Visa ou Mastercard.

Após dois anos de atrasos na aprovação da proposta legislativa necessária para que o BCE inicie a emissão da moeda digital, o Parlamento Europeu demonstrou, recentemente, seu primeiro apoio significativo ao euro digital.

No mês anterior, o Conselho da União Europeia fez declarações semelhantes, considerando o projeto como fundamental para a segurança econômica da região e assegurando que ele será “disponível ao público em geral e a empresas para realizar pagamentos a qualquer hora e em qualquer lugar na zona do euro”.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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