Revisão das Previsões Econômicas
O Ministério da Fazenda apresentou uma revisão para baixo das suas previsões para o crescimento econômico do país e para a inflação neste ano, em decorrência de uma política restritiva de juros estabelecida pelo Banco Central. A informação foi divulgada pela Secretaria de Política Econômica (SPE) nesta quinta-feira, que também manteve inalteradas as projeções para o ano de 2026.
Crescimento do PIB
A Fazenda, por meio do boletim recentemente publicado pela SPE, informou que a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro foi reduzida para 2,3% neste ano, em comparação à previsão anterior de 2,5%, que havia sido apresentada em julho. Para 2026, a estimativa de crescimento se manteve em 2,4%.
Em nota, a SPE ressaltou que “a revisão está relacionada ao resultado abaixo do esperado observado para o PIB do segundo trimestre, em comparação ao que foi projetado em julho”, acrescentando que esse desempenho reflete canais significativos de transmissão da política monetária para o crédito e a atividade econômica.
De acordo com a Secretaria, a economia tem demonstrado indicativos de desaceleração, com uma moderação no ritmo de crescimento do crédito. Além disso, há uma tendência de arrefecimento na expansão da massa salarial, mesmo com o nível de desemprego ainda considerado baixo.
Na semana anterior, após a divulgação do desempenho do PIB do segundo trimestre deste ano, a secretaria já havia mencionado que os dados apontavam para um “leve viés de baixa” na projeção de crescimento de 2,5% para o ano de 2025.
Inflação
O ministério também projetou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deverá encerrar este ano com uma alta de 4,8%, frente ao avanço de 4,9% que foi previsto em julho.
Para o ano de 2026, a expectativa é de que a inflação permaneça em 3,6%, que é o mesmo patamar estimado anteriormente, com a previsão de que esse índice “converja para o centro da meta (de 3%) a partir de 2027”.
Na análise da SPE, a perspectiva de um índice de preços menor para este ano reflete os efeitos defasados de um real mais valorizado, a redução da inflação no atacado agropecuário e industrial e um “excesso de oferta de bens em escala mundial”, que é um reflexo do aumento nas tarifas comerciais.
Taxa de Juros
O Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros do país em 15% ao ano, que é o maior nível em duas décadas. A expectativa é de que essa taxa permaneça nesse patamar por um período prolongado, visando levar a inflação à meta de 3%. A desaceleração da atividade econômica foi citada como um fator importante neste processo.
A autoridade monetária programou uma nova reunião para deliberar sobre a taxa de juros na próxima semana.