Aumento da Venda em Massa no Mercado de Títulos
A recente venda em massa no mercado de títulos tem elevado as expectativas para a reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed) programada para esta semana, além de destacar o compromisso do banco central em conter a inflação.
Expectativas em Relação à Taxa de Juros
Os operadores do mercado esperam amplamente que o Fed eleve sua taxa de juros de referência na quarta-feira, dia 16, marcando a primeira alteração desde 2023. Atualmente, os traders estão precificando uma chance de 93% de que haverá um aumento nos juros, conforme indicado pelo CME FedWatch, uma ferramenta que oferece previsões em tempo real relacionadas ao mercado financeiro.
Um cenário onde o Fed surpreende ao manter as taxas inalteradas pode, segundo analistas, provocar uma aceleração na venda de títulos, contribuindo para a elevação dos rendimentos observada nas semanas anteriores. Caso o Fed implemente um aumento nas taxas de juros de 0,15 ponto, como é esperado pelo mercado, os traders irão focar nos comentários do presidente do Fed, Kevin Warsh, que poderão oferecer mais clareza sobre a direção futura da política monetária.
Movimentações no Mercado de Títulos
Na terça-feira, dia 15, o rendimento do Tesouro de 10 anos subiu, alcançando brevemente seu nível mais alto desde 2007, ilustrando a sensibilidade atual do mercado. Uma série de preocupações está levando os rendimentos dos títulos a máximas de vários anos. Nas semanas anteriores, os mercados demonstraram incertezas em relação à decisão do Fed, com as probabilidades para aumento ou manutenção das taxas oscilando em torno de 50% para cada desfecho.
Após a divulgação de dados na sexta-feira, dia 11, que confirmaram a persistência da inflação ao consumidor em agosto, os traders começaram a reposicionar suas apostas em favor de um aumento de juros. Caso o Fed decida manter as taxas nos níveis atuais, poderá ocorrer uma venda de títulos, com investidores questionando se o banco central está fazendo o suficiente para lidar com a inflação, a qual se agravou desde o início do conflito com o Irã.
No decorrer deste ano, os rendimentos dos títulos do Tesouro avançaram em meio a uma venda generalizada no mercado global, elevando os custos de empréstimos para consumidores, empresas e o governo dos Estados Unidos. Se o Fed não conseguir convencer os investidores de sua seriedade em controlar a inflação, os rendimentos dos títulos poderão continuar a subir, colocando pressão adicional sobre o orçamento dos consumidores e do governo e potencialmente abalando o mercado de ações.
O estrategista de taxas dos EUA no BMO Capital Markets, Vail Hartman, afirmou em nota que “neste estágio, seria muito difícil para o Fed deixar as taxas inalteradas esta semana sem corroer sua credibilidade no combate à inflação”. Ele ressaltou que, historicamente, o Fed raramente se desvia de decisões sobre juros que já foram precificadas com tanta convicção pelos mercados. A manutenção das taxas, portanto, poderia desencadear uma alta acentuada na ponta curta da curva e uma venda em Treasuries de prazo mais longo, afetando negativamente a valorização do dólar americano e ativos de risco.
A Interpretação de Warsh sobre o Mercado
Na reunião do Fed realizada em julho, Warsh expressou seu desejo de que os mercados se movessem baseando-se em dados econômicos, ao invés de tentarem prever a próxima decisão do Fed. Ele reconheceu que a alta nos rendimentos dos Treasuries naquela ocasião era resultado da “atenção do mercado centrada em dados reais e desenvolvimentos econômicos reais”, valorizando esse movimento.
Warsh afirmou, em 29 de julho, que “os participantes do mercado estão aprendendo a jogar a bola, não o árbitro — e os preços de mercado continuarão a responder na direção e na magnitude que considerarem adequadas”. Desde sua última reunião, os rendimentos dos Treasuries continuaram a subir, com o rendimento de 10 anos fechando em 4,6% em 29 de julho e atualmente sendo negociado em 5%, próximo a níveis não vistos em quase vinte anos.
O rendimento do Treasury de 2 anos, que geralmente reflete as expectativas para a política monetária do Fed, está em seu nível mais elevado em mais de dois anos, correspondendo a cerca de 100 pontos-base completos (1%) acima da taxa de juros de referência do Fed.
Warsh, que tinha expressado sua preferência por receber uma “mensagem não filtrada dos mercados”, agora se encontra diante de um cenário onde os mercados estão apostando firmemente na elevação das taxas na próxima quarta-feira.
Ed Yardeni, presidente da Yardeni Research, comentou que “Warsh tem falado de forma hawkish desde junho. Agora, ele tem que entregar um aumento de juros”. Ele ressaltou que, “afinal, ele prometeu seguir a liderança dos mercados financeiros. Os rendimentos de 2 anos e de 10 anos estão claramente pedindo um aumento de juros”. Yardeni também enfatizou que, se os rendimentos continuarem a subir após a coletiva de imprensa de Warsh na quarta-feira, a questão da credibilidade do presidente do Fed poderá se intensificar.
Fatores que Influenciam os Rendimentos
Os rendimentos têm se elevado este ano devido a uma variedade de fatores, incluindo o aumento na emissão de dívidas corporativas, o crescimento da dívida pública, preocupações com a inflação, expectativas de aumento nas taxas de juros por parte dos bancos centrais e, ainda, a incerteza política relacionada ao conflito no Oriente Médio.
George Goncalves, chefe de estratégia macro dos EUA no MUFG, informou que inicialmente esperava que o Fed mantivesse as taxas de juros estáveis em setembro; no entanto, ele alterou sua previsão para um aumento em razão de fatores como o relatório de inflação da semana passada, que apresentou resultados mais robustos do que o esperado. Goncalves acredita que, embora o aumento das taxas possa não ser a medida política correta, a inação seria “problemática”, considerando os reiterados comentários de Warsh sobre como “a inflação é uma escolha” e a determinação do Fed em reduzir a inflação até a meta de 2%.
Stephen Myrow, diretor-gerente da Beacon Policy Advisors, acrescentou que “Warsh deu ao mercado uma votação sobre quando o Fed deveria agir, e o mercado agora votou de forma decisiva por setembro”.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
