Impacto do Caso Master no Fundo Garantidor de Crédito
O Caso Master, que envolveu não apenas o Banco Master, mas também o Will Bank e o Banco Pleno, resultou na retirada de R$ 50 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A fim de sanar essa situação, o fundo decidiu pela antecipação das contribuições ordinárias. Essa medida tem como objetivo amenizar a falta de recursos e garantir a solidez do sistema financeiro.
A antecipação está prevista no Estatuto do Fundo, especificamente no anexo I da Resolução 4.222/2013. A quantia total a ser recolhida corresponde a 60 meses de antecipação, resultando em uma recomposição do caixa do FGC estimada em R$ 32,5 bilhões.
Segundo o comunicado oficial, “a medida garante a plena capacidade de cumprimento de suas obrigações, em estrita observância à legislação vigente e às disposições estatutárias.” Hasta a data de 5 de março de 2026, já foram efetivados R$ 38,4 bilhões em garantias a credores associados ao conglomerado Master, que inclui o Banco Master, Master de Investimento e Letsbank, representando 94% do total a ser quitado. No que diz respeito ao Will Bank, o FGC calcula que deverão ser pagos R$ 6,3 bilhões em garantias.
O FGC possui um patrimônio estimado em R$ 125 bilhões. Deste total, os casos do Banco Master, Will Bank e Banco Pleno podem consumir, no mínimo, R$ 52 bilhões, o que demonstra a necessidade de recapitalização da instituição.
Perspectivas do Mercado segundo o Citi
Embora os números possam parecer alarmantes, analistas do Citi acreditam que o impacto para os bancos será imaterial. Em suas análises, os especialistas consideraram o custo de oportunidade para os bancos em 100% do CDI. A pesquisa abrangeu instituições como Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Banco do Brasil (BBAS3), Santander Brasil (SANB11), Nubank (ROXO32), Banco Inter e ABC Brasil.
Os analistas do Citi observaram que os impactos sobre o lucro das instituições variaram entre 0,4%, no caso do Nubank, e cerca de 1,9%, em relação ao Banco do Brasil. Em termos de capital de Nível 1, o impacto parece moderado, em torno de 8 pontos básicos do índice correspondente ao quarto trimestre de 2025. Schroden e sua equipe também mencionaram que, para o Banco do Brasil, Itaú e Nubank, as estimativas podem estar superestimadas, uma vez que foram utilizados todos os depósitos, incluindo operações ocorridas fora do Brasil, nas avaliações.
No caso específico do Itaú, a análise aponta para um desembolso inicial de R$ 8,8 bilhões, além de R$ 882 milhões ao longo do ano para cobrir o acréscimo extraordinário de 50% nas contribuições, segundo as estimativas apresentadas pelo Citi. Para o Bradesco, a expectativa é mobilizar cerca de R$ 7 bilhões na primeira fase, seguido de mais R$ 696 milhões no ano. Já para o Santander Brasil, o custo inicial está calculado em R$ 3,4 bilhões, acrescido de R$ 336,7 milhões posteriormente. Por sua vez, o Banco do Brasil anunciou a intenção de alocar R$ 5 bilhões de seu caixa para o pagamento das contribuições ordinárias, além de adicionar R$ 500 milhões como contribuição extraordinária.
Nova Medida para os Bancos
Uma nova medida aprovada traz uma boa notícia para os bancos, permitindo que utilizem recursos do depósito compulsório para a recomposição do caixa do FGC.
Os depósitos compulsórios são aqueles valores que os bancos são obrigados a manter guardados no Banco Central, correspondendo a uma parte do dinheiro dos clientes. Com a nova resolução, o Banco Central acolhe uma demanda do setor bancário, permitindo que esses recursos sejam utilizados para financiar o FGC, sem comprometer o caixa operacional das instituições.
“Como os compulsórios já são ativos não remunerados mantidos no BC, seu redirecionamento poderia reduzir os custos de oportunidade para os bancos. Espera-se que as instituições acelerem iniciativas de eficiência e, eventualmente, reprecifiquem o crédito para preservar suas metas de ROE,” segundo análises realizadas.
Fonte: www.moneytimes.com.br