Alocação em FIDCs pela Franklin Templeton
Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) estão conquistando uma maior participação nas carteiras da Franklin Templeton, uma gestora que possui R$ 49 bilhões sob gestão. A empresa aumentou a alocação média nesses fundos de aproximadamente 8% para 13%, ao mesmo tempo em que reduziu sua exposição ao crédito corporativo tradicional.
O que são os FIDCs?
Os FIDCs são fundos que investem em dívidas e pagamentos que empresas ou indivíduos têm a receber, englobando parcelas de empréstimos, financiamentos e vendas a prazo. Esses valores, designados como direitos creditórios, passam a integrar a carteira do fundo.
A Franklin Templeton identifica nos FIDCs uma estrutura que pode proporcionar mecanismos de proteção aprimorados contra perdas em determinadas operações. Essa abordagem é distinta da compra direta de uma debênture, em que o investidor fica mais diretamente exposto à dívida de uma empresa.
Exemplo prático de FIDCs
Um exemplo comentado pela gestora é o caso da Light. Mesmo após a companhia entrar em recuperação judicial, alguns FIDCs que investiam em seus recebíveis continuaram recebendo pagamentos.
No entanto, essa situação não implica que todos os FIDCs sejam mais seguros do que uma debênture ou outro título de crédito privado. A Franklin Templeton ressalta que é seletiva em relação a essa classe de ativos. De acordo com Casarotto, a alocação em FIDCs não deve exceder 20% de um fundo, devido à menor liquidez desses ativos caso seja necessário vendê-los no mercado.
Análise de investimentos em FIDCs
A análise de investimentos nos FIDCs requer uma mudança de perspectiva. No caso do crédito corporativo tradicional, o investidor geralmente avalia o balanço, a geração de caixa e o nível de endividamento da empresa. Já em um FIDC, é imprescindível examinar a qualidade da carteira de recebíveis, as garantias que existem, a estrutura de pagamentos e os participantes envolvidos na transação.
Rentabilidade dos FIDCs
Não há uma única rentabilidade a ser aplicada aos FIDCs, pois o retorno vai depender dos créditos que compõem a carteira e do grau de risco que o investidor decide assumir.
Entretanto, CEOs de gestoras do setor estimam que as cotas seniores (que apresentam maior proteção) têm potencial para render CDI (índice referência para aplicações em renda fixa) mais 2,75% a 3,5% ao ano. As cotas mezaninas, que são consideradas menos protegidas, oferecem, em média, rentabilidades na faixa de CDI mais 4% a 5% ao ano.
Na carteira da gestora, a predileção atual reside em operações que são vistas como mais robustas sob a perspectiva da estrutura de proteção, mesmo que isso signifique um retorno potencial menor.
Entre os segmentos que despertam interesse estão o crédito consignado e o financiamento de veículos. No caso do crédito consignado, a Franklin Templeton manifesta preferência por operações que envolvam servidores públicos e beneficiários do INSS.
Fonte: www.estadao.com.br
