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Defesa da Fiemg em Relação aos Projetos de Terras Raras
A Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) manifestou apoio a dois projetos relacionados a terras raras que estão sendo contestados pelo MPF (Ministério Público Federal). Essa situação foi noticiada pela CNN, que relatou que o MPF recomendou a suspensão da análise do processo de licenciamento ambiental dos projetos Colossus e Caldeira, que estão sendo desenvolvidos pelas mineradoras australianas Viridis Mining and Minerals e Meteoric Resources.
A Licença Prévia (LP) desses empreendimentos estava prevista para ser analisada na última sexta-feira (28) pelo Copam (Conselho Estadual de Política Ambiental), mas a pauta foi retirada após solicitações de conselheiros que decidiram seguir a recomendação do MPF.
Em comunicado oficial, a Fiemg ressaltou que os projetos são considerados como “avanços concretos” para o Brasil, oferecendo uma “oportunidade singular” de aumentar a participação do país nas cadeias globais de tecnologia, energia renovável e manufaturas de alto valor agregado. A federação argumenta que os projetos já passaram por audiências públicas e foram acompanhados dos “mais abrangentes estudos ambientais previstos na legislação”.
Na nota, a Fiemg expressou seu desejo de que os processos retornem à pauta da próxima reunião da Câmara de Atividades Minerárias do Copam em dezembro, afirmando que isso garantiria a continuidade regular das análises e contribuiria para o desenvolvimento sustentável, além de apoiar o avanço em minerais essenciais à transição energética e ao enfrentamento das mudanças climáticas.
Reação da Mineradora Viridis Mining and Minerals
A Viridis Mining and Minerals, a mineradora australiana responsável pelo Projeto Colossus, localizado em Poços de Caldas (MG) e rico em terras raras, contestou os argumentos apresentados pelo MPF. O empreendimento tem gerado interesse internacional e recebeu cartas de intenção de financiamento dos governos da França e do Canadá, além de contar com apoio financeiro do BNDES.
Atualmente, a Licença Prévia já possui um parecer técnico favorável emitido pela Feam. A mineradora destacou que o Estudo de Impacto Ambiental foi desenvolvido por equipes especializadas e altamente qualificadas, aplicando metodologias reconhecidas tanto nacional quanto internacionalmente.
Em nota enviada à CNN, a Viridis respondeu detalhadamente aos argumentos apresentados pelos procuradores. Um dos pontos levantados pelo MPF refere-se à alegação de que a área destinada à mineração está localizada sobre uma região de recarga do Aquífero Alcalino de Poços de Caldas, que é responsável pelo abastecimento de água da região, e também indicava que haveria previsão de supressão de 98 nascentes.
No entanto, a empresa contesta essa informação, afirmando que apenas três nascentes serão suprimidas, o que representa cerca de 3% do total identificado. “Na realidade, o Projeto Colossus não planeja a supressão de 98 nascentes”, enfatizou a Viridis.
A mineradora ainda esclareceu que, embora a Licença Prévia tenha sido baseada em estudos conceituais, foram realizados estudos detalhados sobre os recursos hídricos, incluindo modelagens hidrogeológicas numéricas e projetos de engenharia que estão em fase de finalização.
De acordo com a empresa, esses estudos demonstraram a ausência de impactos significativos na disponibilidade de água, tanto em nível local quanto regional. “A estratégia de captação de água para o empreendimento será feita exclusivamente através de barramentos que já existem, evitando a construção de novas estruturas”, declarou a companhia.
Outro aspecto levantado pelo MPF diz respeito ao método de lixiviação da argila extraída da mina, que envolve uma “lavagem química” para separar os minerais de terras raras presentes no solo. Esse processo utiliza sulfato de amônio para deslocar os íons de terras raras, que posteriormente são purificados, enquanto a argila já tratada é devolvida ao meio ambiente.
A Viridis argumenta que essa tecnologia representa um avanço ambiental significativo, pois elimina a necessidade de barragens de rejeitos. Essa abordagem, quando aplicada corretamente, é considerada por especialistas como menos poluente em comparação com a extração tradicional em maciços rochosos.
“O minério é processado mediante lixiviação com solução salina de amônio em pH próximo ao neutro, seguido de várias etapas de lavagem com água, o que permite que o material seja retornado de forma segura e gradual às cavas”, concluiu a mineradora.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br