Rebaixamento do Rating da Raízen pela Fitch Ratings
A Fitch Ratings rebaixou mais uma vez o rating da Raízen (RAIZ4) nesta segunda-feira, dia 9 de outubro, coincidentemente horas após já ter reduzido a nota da companhia, fazendo com que as classificações fossem posicionadas na faixa de alto risco (‘CCC’).
Motivos para o Rebaixamento
Conforme informado pela Fitch, o novo rebaixamento da nota ocorreu em decorrência da comunicação da Raízen sobre a contratação de assessores financeiros para realizar uma avaliação de alternativas estratégicas com o objetivo de fortalecer a liquidez, otimizar a estrutura de capital e melhorar a interação com o mercado. A agência destacou que essa informação não havia sido considerada na primeira ação de rating realizada no mesmo dia, mesmo estando disponível ao público.
Detalhes das Classificações
A Fitch realizou a redução dos Issuer Default Ratings (IDRs) de longo prazo em moedas estrangeira e local da Raízen S.A. e da Raízen Energia S.A., passando de ‘B’ para ‘CCC’. Simultaneamente, a nota das emissões seniores sem garantia real da Raízen Fuels Finance S.A., com vencimentos programados para 2027, 2032, 2034, 2035, 2037 e 2054, também foi rebaixada para ‘CCC’, mantendo o Rating de Recuperação em ‘RR4’.
Além disso, no mercado doméstico, a Fitch cortou os ratings nacionais de longo prazo da Raízen de ‘BBB-(bra)’ para ‘CCC(bra)’. A reavaliação incluiu diversas emissões de debêntures da Raízen S.A. e da Raízen Energia S.A., que possuem a garantia da Raízen S.A. A Observação Negativa foi retirada de todas as classificações.
Reavaliação Inicial
Na primeira decisão, que foi divulgada pela manhã, a Fitch havia rebaixado os IDRs da companhia para ‘B’ com Observação Negativa, a partir de ‘BBB-’, enquanto o rating na escala nacional foi alterado de ‘BBB-(bra)’ para ‘AAA(bra)’.
Incertezas no Cenário da Empresa
A Fitch ressaltou que incertezas relacionadas aos próximos passos da Raízen e a disposição e os incentivos dos acionistas controladores, Cosan e Shell, em prover suporte financeiro à empresa tornaram-se fatores determinantes para o rebaixamento. Com a migração para a categoria ‘CCC’, a agência enfatiza que existe um risco de crédito considerável e que a possibilidade de inadimplência ou processos semelhantes agora se configuram como uma realidade, dependendo das decisões que serão tomadas pela companhia e pelos seus acionistas.
Avaliação da S&P Global Ratings
A S&P Global Ratings também rebaixou o rating da Raízen, passando de ‘BBB-’ para ‘CCC+’, e posicionou a companhia em observação com perspectiva de crédito negativa. A agência identificou um aumento dos riscos associados a uma possível reestruturação da dívida, considerando este cenário como equivalente a default.
Expectativas de Desempenho
Segundo a S&P, há pouco espaço para uma melhora no curto prazo. O desempenho insatisfatório do setor de açúcar e etanol deve influenciar negativamente os resultados, embora a área de distribuição de combustíveis no Brasil tenha apresentado evolução positiva nos volumes e margens. A S&P projeta um Ebitda em torno de R$ 11 bilhões para 2026, com alavancagem variando entre 5,0x e 5,5x.
Desempenho Financeiro da Raízen
A Raízen, uma joint venture entre o conglomerado brasileiro Cosan e a petrolífera Shell, registrou uma série de perdas substanciais em trimestres anteriores, além de acumular altos níveis de dívida líquida. Em novembro do ano passado, a empresa reportou um prejuízo líquido de mais de R$ 2,3 bilhões no segundo trimestre da safra de açúcar 2025/2026. No mesmo período, a dívida líquida totalizou R$ 53,4 bilhões.
Fonte: www.moneytimes.com.br