Discurso de Flávio Bolsonaro em ato na Avenida Paulista
O senador Flávio Bolsonaro (PL), que também é candidato à Presidência, aproveitou um discurso em um ato realizado na Avenida Paulista, em São Paulo, no Dia da Independência, para tentar estabelecer uma conexão entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O candidato prometeu que, se eleito, vai trabalhar para recuperar a credibilidade do Judiciário brasileiro.
Mensagem de Fora Lula e Fora Moraes
Durante o evento, que teve como lema o slogan “fora Lula e fora Moraes”, Flávio se declarou confiante sobre a possibilidade de vencer a eleição presidencial já no primeiro turno, que está programado para ocorrer em 4 de outubro, dentro de menos de um mês. Ele se posicionou como “o libertador da pátria”. Recentes pesquisas realizadas pelas instituições Datafolha e Quaest indicaram que Lula liderava as intenções de voto para o primeiro turno, com uma disputa acirrada entre ele e Flávio no segundo turno, embora com uma leve vantagem para o petista.
“Primeiramente, fora Lula, fora Moraes”, iniciou Flávio, atraindo milhares de pessoas que compareceram ao ato, mesmo enfrentando um frio de cerca de 12 ºC e condições climáticas desfavoráveis na capital paulista nesta segunda-feira.
A crítica a Alexandre de Moraes
O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou: “Esse consórcio de Lula com Moraes vai acabar”. Ele alegou que quem vota em Lula está, na verdade, optando por Alexandre de Moraes, e expressou seu compromisso em impedir que Lula indique mais ministros com o perfil de Moraes para o STF. “Eu vou indicar cinco ministros para o Supremo Tribunal Federal, porque Alexandre de Moraes vai cair”, afirmou Flávio com convicção.
Alexandre de Moraes assumiu a sua função como ministro do STF em 2017, a partir de uma indicação do então presidente Michel Temer, que assumiu o cargo após o impeachment da ex-presidente petista Dilma Rousseff. Ao longo do governo Bolsonaro, Moraes tornou-se alvo de constantes críticas por parte de Jair Bolsonaro, que, assim como Flávio nesta segunda-feira, aproveitou eventos alusivos ao 7 de Setembro, na Paulista, para atacar o magistrado.
Contexto de tensão e críticas
No ano de 2021, Jair Bolsonaro se referiu a Moraes como “canalha” e afirmou que não acataria suas decisões. Em 2023, foi com a relatoria de Moraes que ocorreu a condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e outros delitos. Atualmente, o ex-presidente está cumprindo prisão domiciliar, levando em consideração sua condição de saúde.
A pressão sobre Moraes intensificou-se nos dias recentes após o ministro do STF, André Mendonça, liberar o sigilo de um relatório da Polícia Federal. O documento expunha mensagens de Daniel Vorcaro, um banqueiro, questionando se Moraes poderia reverter investigações que o envolviam. Ademais, foi revelado que Vorcaro tinha um contrato de aproximadamente R$130 milhões com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Críticas à presença de Moraes no STF
Flávio Bolsonaro também fez uma dura crítica a Moraes em seu discurso, referindo-se a ele como “laranja podre” e afirmando que sua presença no Supremo Tribunal Federal não pode comprometer a integridade da corte. “Eu vou trabalhar para resgatar a credibilidade do Judiciário brasileiro. Nós temos que proteger o STF de Alexandre de Moraes. Aquela laranja podre não pode contaminar toda a corte. O Supremo não é Alexandre de Moraes, o Judiciário não é Alexandre de Moraes. A magistratura não é Alexandre de Moraes”, ressaltou.
Avisos e ameaças em relação às eleições
O senador se manifestou, ainda de maneira enigmática, em relação àqueles que supostamente teriam a intenção de interferir nas eleições. Flávio fez menção ao atentado a faca sofrido por seu pai durante a campanha de 2018 que completou oito anos no dia anterior, e classificado por ele como uma “segunda facada” a condenação por golpe de Estado. Ele alertou que uma terceira tentativa estaria em curso. “Estou avisando, vão tentar uma terceira facada não só em mim, mas também em meus aliados. E o que eu tenho a dizer a vocês que vão tentar mais uma vez interferir nas eleições: não vai adiantar nada, porque eu estou aqui de peito aberto e nós juntos somos muito mais fortes do que eles”, afirmou com determinação.
Reunião com diplomatas e dúvidas sobre o sistema eleitoral
Recentemente, Flávio Bolsonaro conduziu uma reunião com diplomatas na qual, sem apresentar evidências concretas, levantou questionamentos sobre a legitimidade do sistema eleitoral brasileiro, utilizando informações que já foram desmentidas anteriormente. Um dos episódios relacionados à inelegibilidade de Jair Bolsonaro foi atribuído a uma reunião com embaixadores em 2022, onde o ex-presidente atacou as urnas eletrônicas.
Durante o comício realizado nesta tarde, Flávio reiterou sua afirmação de que vencerá a eleição no primeiro turno, ao declarar: “Eu quero ser o libertador da pátria”.
Fonte: www.moneytimes.com.br
