Futuros das Ações nos Estados Unidos Indicam Queda Acentuada
Os futuros das ações nos Estados Unidos sinalizam uma queda acentuada na terça-feira, 3 de março de 2026, mesmo após uma leve recuperação registrada na segunda-feira, em razão da intensificação das hostilidades envolvendo o Irã.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou que a campanha conjunta entre os EUA e Israel pode se prolongar por várias semanas, afirmando que Washington tomará todas as medidas necessárias.
Enquanto isso, os preços do petróleo continuam a subir devido ao temor de interrupções no fornecimento pelo Estreito de Ormuz, um ponto considerado de importância estratégica vital. O preço do ouro à vista, por sua vez, recuou, em razão da valorização do dólar americano.
Os investidores também estão atentos aos resultados trimestrais da gigante do varejo Target.
Os Futuros Apontam Para uma Baixa Acentuada
Na manhã de terça-feira, os futuros dos índices de ações nos EUA apresentavam uma queda significativa, indicando um início negativo após uma estabilização das ações na sessão anterior, apesar das tensões geopolíticas persistentes.
Aos 08h12 (horário de Brasília), os futuros do Dow Jones estavam em queda de 857 pontos, equivalente a 1,75%. Os futuros do S&P 500 recuaram 124,50 pontos, ou 1,81%, enquanto os futuros do Nasdaq 100 caíram 586,5 pontos, representando 2,34%.
No pregão anterior, tanto o S&P 500 quanto o Nasdaq Composite, que possuem uma forte participação de empresas de tecnologia, fecharam em alta, recuperando-se das acentuadas perdas iniciais provocadas pelos ataques do fim de semana contra o Irã, realizados pelos EUA e Israel, que resultaram na morte do aiatolá Ali Khamenei, líder iraniano de longa data. O Dow Jones Industrial Average encerrou o dia com uma leve queda de 0,15%, tendo recuperado parte significativa de suas perdas.
Analistas da Vital Knowledge destacaram em uma nota para clientes que, apesar da pressão inicial nos preços das ações, os principais índices apresentaram uma recuperação substancial em relação às mínimas, à medida que os investidores mantinham a calma frente aos eventos no Oriente Médio.
O relatório ainda mencionou que, embora Trump tenha sugerido que a campanha poderia durar quatro ou cinco semanas, e o Irã tenha respondido com ataques aéreos na região, “há um consenso de que este conflito não se transformará em uma crise incontrolável”.
Além da situação no Irã, os mercados estaban avaliando uma recuperação das ações de tecnologia, que anteriormente estavam subvalorizadas, e os dados mostravam um aumento nos custos de insumos para os fabricantes americanos.
Foco em Conflito com o Irã
A trajetória do conflito é incerta, com Trump reconhecendo que a situação pode se prolongar além do que era esperado. Em sua primeira aparição pública desde o início dos ataques, o presidente indicou que “já estamos muito além de nossas projeções”, mas ressaltou que “qualquer que seja o momento, está tudo bem”.
Trump sugeriu que “custe o que custar” o país continuará firme em suas ações, acrescentando em uma publicação nas redes sociais que os EUA possuem um arsenal “virtualmente ilimitado” de certas armas.
A Reuters relatou que a ofensiva conjunta entre os EUA e Israel resultou no afundamento de pelo menos 10 navios de guerra iranianos e atingiu mais de 1.000 alvos. As Forças Armadas de Israel informaram que os ataques estão em andamento no Irã e também no Líbano, expandindo suas operações no sul do Líbano.
Relatos da mídia indicam que o Irã intensificou suas respostas, lançando ataques na manhã de terça-feira contra alvos no Golfo, que incluem a embaixada dos EUA na Arábia Saudita e o aeroporto de Dubai, um hub importante de trânsito internacional. As ações de companhias aéreas e hotéis foram as que mais sofreram quedas na segunda-feira, refletindo as preocupações com interrupções nos voos.
A divisão de computação em nuvem da Amazon revelou que duas de suas instalações nos Emirados Árabes Unidos e no Bahrein foram atingidas por drones, sofrendo danos “significativos”.
Petróleo Amplia Disparada
Os preços do petróleo bruto seguiram sua tendência de alta na terça-feira, consistindo em ganhos substanciais já registrados na sessão anterior, impulsionados pelas crescentes preocupações sobre possíveis interrupções na navegação pelo Estreito de Ormuz.
Às 08h12 (horário de Brasília), os contratos futuros do petróleo Brent para maio subiram 9,04%, equivalente a US$ 7,03, atingindo US$ 84,77 por barril. Simultaneamente, o petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos EUA para abril avançou 8,17%, ou US$ 5,82, para US$ 77,05 por barril.
Ambos os índices já haviam registrado uma subida de mais de 7% na segunda-feira, tendo atingido máximas em um ano, com uma ascensão que chegou a 13% na véspera.
A escalada dos preços foi acentuada após as autoridades iranianas ameaçarem atacar qualquer embarcação que tentar transitar pelo Estreito de Ormuz, que representa cerca de 20% do fornecimento global de petróleo.
“Embora o fechamento total e prolongado do Estreito seja um cenário extremo, mesmo uma interrupção parcial no tráfego de navios-tanque pode pressionar o equilíbrio do mercado e elevar os preços do petróleo bruto de forma significativa, caso essa situação persista. A contínua escalada militar e os altos prêmios de risco nos mercados de energia provavelmente ditarão a movimentação dos preços até que ocorram sinais mais claros de desescalada ou que surjam novas rotas de abastecimento”, analisou Laurence Booth, chefe global de mercados da CMC Markets, ao portal Investing.com.
Além disso, alguns analistas indicaram que os produtores da OPEP+ poderiam aumentar a produção, possivelmente ajudando a mitigar o impacto de interrupções significativas no fornecimento.
As preocupações com o fornecimento de energia impactaram de maneira severa as ações asiáticas na terça-feira, com mercados na Coreia do Sul, Tóquio e Taiwan registrando perdas. As bolsas europeias também apresentaram recuo.
Ouro Em Queda Com a Valorização do Dólar
O preço do ouro à vista apresentou uma leve queda após ganhos iniciais, pressionado pela força do dólar americano, enquanto os investidores avaliavam o aumento das tensões geopolíticas e os riscos associados ao fornecimento de petróleo.
Durante as negociações asiáticas, o ouro à vista recuou 0,3%, atingindo US$ 5.309,17 a onça, após ter registrado uma alta de 1%, indo a US$ 5.379,65. Os contratos futuros de ouro nos EUA cresceram 0,2%, chegando a US$ 5.320,24 a onça, tendo avançado 1% na sessão anterior.
Tradicionalmente, o ouro se beneficia em cenários de incerteza geopolítica, mas pode perder atratividade quando o dólar se valoriza.
Resultados da Target no Horizonte
A Target Corp (NYSE:TGT) está prestes a divulgar seus resultados trimestrais mais recentes, o que deverá trazer mais informações sobre o comportamento do consumidor norte-americano em meio às pressões contínuas sobre a acessibilidade dos preços.
Cabe ressaltar que, apesar de Trump descrever a economia como “pioneira”, pesquisas recentes indicam que muitos americanos estão menos otimistas. Uma pesquisa realizada pela Reuters/Ipsos no mês anterior indicou que 68% dos entrevistados, incluindo republicanos, discordaram dessa caracterização.
O crescimento econômico dos EUA desacelerou mais do que o esperado no quarto trimestre, embora analistas atribuam essa desaceleração, em grande parte, a uma paralisação temporária do governo, destacando, também, a resiliência dos gastos de consumidores e empresas. Alguns economistas preveem uma expansão moderada para 2026, impulsionada, em parte, pelos cortes de impostos introduzidos na legislação orçamentária de Trump no ano anterior.
Nesse cenário, a Target tem enfrentado dificuldades para atrair consumidores preocupados com os preços, diferentemente de concorrentes como o Walmart. O lucro da varejista caiu 14% nos últimos cinco anos.
Os principais acionistas, incluindo fundos de pensão de Nova York e Califórnia, passaram a contestar publicamente as decisões da administração da empresa.
Fonte: br.-.com