"Golpes estão fazendo com que consumidores regressem às lojas físicas na Black Friday", afirma o CEO do Reclame Aqui.

“Golpes estão fazendo com que consumidores regressem às lojas físicas na Black Friday”, afirma o CEO do Reclame Aqui.

by Rafael Martins
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Insegurança e Compras Online

Enquanto os canais de venda buscam um novo ponto de equilíbrio, os consumidores brasileiros avaliam as dificuldades e vantagens de realizar compras em suas casas. Um fator crucial que influencia essas decisões é a insegurança no ambiente digital, o qual está atualmente exposto a uma crescente quantidade de golpes e fraudes, especialmente em períodos de grande demanda por ofertas.

Um levantamento recente do Reclame Aqui revela que 63% dos consumidores têm dificuldade em identificar fraudes que utilizam ferramentas de inteligência artificial, tornando-os mais suscetíveis a páginas falsas e links maliciosos. Essa preocupação se intensifica na aproximação da Black Friday, um período em que criminosos simulam promoções e imitam comunicações de empresas para enganar consumidores desatentos.

Sensação de Vulnerabilidade

Relatos de vulnerabilidade também são comuns nas plataformas de reputação e órgãos de defesa do consumidor. A sensação de vulnerabilidade aumentou, o que afeta a percepção que uma parte do público tem em relação às compras online. Reclamações relacionadas a ofertas enganosas, sites fraudulentos e fraudes associadas a grandes eventos promocionais cresceram ao longo do ano. Especialistas alertam que essa tendência deve continuar, devido ao cenário de renda reduzida e juros altos, o que resulta em uma clara necessidade de cautela entre os consumidores. Para muitos, errar pode ser muito caro.

Impacto no Varejo

Esse ambiente de insegurança tem um efeito direto nas estratégias adotadas pelo varejo, especialmente no comércio eletrônico, que depende de confiança e previsibilidade para converter visitantes em vendas. Quando o consumidor hesita em finalizar a compra, o resultado é um carrinho de compras abandonado. Para as empresas, isso pode resultar em margens de lucro reduzidas, aumento de custos e a inevitável necessidade de investir mais em segurança e transparência.

Influência na Black Friday

Para entender como essas condições devem afetar a Black Friday e a importância da confiança no processo de compra, o E-Investidor entrevistou Edu Neves, CEO do Reclame Aqui. Neves discutiu a evolução dos golpes digitais, suas implicações para varejistas e consumidores, além de estratégias para reduzir riscos durante um dos períodos comerciais mais lucrativos, porém arriscados.

Mudança no Comportamento do Consumidor

E-Investidor: O Reclame Aqui tem notado uma mudança clara no comportamento do consumidor para esta Black Friday?

Edu Neves: Sim. Existe uma ansiedade mais intensa em comparação aos últimos anos. O consumidor deseja aproveitar as ofertas, mas se sente exposto, ciente de que os golpes estão presentes por toda parte. Com a pressão financeira, a possibilidade de perder dinheiro é um fator que pesa consideravelmente. Este cenário provoca um alerta geral e abre espaço para golpes altamente convincentes, que frequentemente se apropriam da identidade visual de grandes marcas. Isso desorganiza a jornada de compra e aumenta o risco.

Sofisticação dos Golpes

Por que os golpes deste ano parecem mais difíceis de identificar? O que mudou?

A resposta está na sofisticação dos métodos. Os golpistas evoluíram e agora utilizam tecnologias que replicam a comunicação oficial das empresas com alarmante precisão. O consumidor recebe um link via WhatsApp, SMS ou e-mail e, em meio à expectativa por ofertas, acaba cruzando as informações e caindo na armadilha. Os golpistas operam com pressa e aproveitam esse momento de alta expectativa para atacar. Embora o consumidor esteja mais atento, a velocidade da inovação por parte dos criminosos continua sendo superior.

Retorno às Lojas Físicas

Esse ambiente de insegurança digital está fazendo com que os consumidores voltem às lojas físicas?

Sim, de forma muito evidente. Quando as compras online se tornam arriscadas, uma parte do público tende a migrar para o varejo físico. Muitos optam por visitar a loja "para evitar cair em um golpe". Abandonar a conveniência em prol da segurança é uma tendência que impacta diretamente o comércio eletrônico, pois resulta em uma diminuição nas conversões e em um aumento da desconfiança. A queda na confiança faz com que as finalizações de compra se tornem menos frequentes. Embora esse movimento seja temporário, ele é significativo, demonstrando que o varejo físico ganha força sempre que o ambiente digital se torna instável.

Medidas para Reduzir Riscos

O que o varejo e o consumidor podem fazer para diminuir riscos e aumentar a confiança durante a Black Friday?

No que diz respeito às empresas, uma comunicação clara é essencial. Os varejistas precisam informar por quais canais se comunicarão, quais ofertas são legítimas e quais mensagens não serão enviadas. Este tipo de padronização ajuda a educar o consumidor sobre possíveis fraudes. Para os consumidores, as diretrizes básicas continuam válidas: evitar clicar em links enviados por desconhecidos, confirmar as ofertas diretamente no site oficial, desconfiar de mensagens que criam urgência e realizar pesquisas no Reclame Aqui são ações fundamentais. Hoje, esse tipo de cautela é imperativo e a única maneira de garantir segurança em um cenário de risco elevado.

Dicas para a Black Friday

Quais são as dicas fundamentais para economizar durante a Black Friday, seja em compras online ou em lojas físicas?

A recomendação principal é o planejamento. O consumidor deve decidir o que precisa antes do dia 28 de novembro. Chegar à Black Friday sem uma lista aumenta consideravelmente o risco de compras por impulso, especialmente no ambiente digital. Uma segunda dica é pesquisar o histórico de preços. Anualmente, ocorrem casos de manipulação de descontos, e é essencial saber o preço anterior dos produtos para compreender se a promoção é legítima. Além disso, verificar a reputação da empresa é importante, tanto para compras online quanto para aquisições em lojas físicas, ajudando a evitar problemas relacionados a trocas, garantias e serviços de pós-venda. Por fim, o consumidor deve desconfiar de ofertas que parecem boas demais: reduções de preço da ordem de 70% em produtos de marca praticamente do dia para a noite, muitas vezes, são indicativas de golpes. Se parece milagre, provavelmente é um golpe.

Fonte: einvestidor.estadao.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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