Acordo sobre Terras Raras entre EUA e Brasil
Em uma iniciativa de colaboração sobre minerais críticos, o governo de Donald Trump sinalizou, em 11 de outubro, a disposição de financiar o processamento e refino de terras raras no Brasil, atendendo a uma demanda do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Tratativas Diplomáticas
O Departamento de Estado dos EUA e o Itamaraty estão envolvidos em negociações acerca da exploração de minerais críticos que se encontram no subsolo brasileiro. Este tema é um dos principais focos da visita do presidente brasileiro a Washington. O secretário de Estado adjunto, Caleb Orr, responsável por Assuntos Econômicos, Energéticos e Comerciais, destacou em entrevista coletiva a importância do Brasil nesse contexto.
"Os Estados Unidos consideram o Brasil um parceiro essencial em minerais críticos devido às suas vastas e ricas reservas naturais. Com a sofisticação e diversificação de sua economia, o Brasil é capaz de processar os minerais em seu território, o que também ajuda os EUA a diversificar seus mercados de processamento", afirmou Orr.
Expectativas para a Visita
Durante uma entrevista ao jornal Estadão, Orr foi questionado sobre a possibilidade de um acordo durante a visita de Lula a Trump, prevista para março na Casa Branca. Ele expressou otimismo em relação ao avanço nas negociações, embora a data ainda não tenha sido oficialmente confirmada. O presidente brasileiro manifestou interesse em viajar a Washington na primeira semana de março.
"Os Estados Unidos estão em negociações ativas com o Brasil sobre essas e outras questões comerciais e esperam avançar nesse sentido", declarou o diplomata americano.
Investimentos em Projetos
O integrante do Departamento de Estado mencionou que o governo americano já investiu em dois projetos de mineração de terras raras pesadas em Goiás, conhecidos como Serra Verde e Aclara. A ampliação das operações para incluir o processamento e refino no Brasil é considerada um "próximo passo natural". Recentemente, o governo Trump também anunciou um investimento de R$ 3 bilhões (aproximadamente US$ 565 milhões) na Serra Verde, parte de um esforço global para aumentar a variedade de fornecedores de minerais críticos e reduzir a dependência da China.
"Estamos explorando ativamente oportunidades para apoiar a capacidade no Brasil por meio do financiamento e da cooperação técnica da Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA (DFC)", afirmou Orr. Ele acrescentou que a parceria com o Brasil é promissora, enfatizando que as cadeias de suprimentos requerem colaborações robustas.
Seminário sobre Terras Raras
O governo Trump, em colaboração com a Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil) e o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), planeja realizar um seminário em março, possivelmente após a visita de Lula à Casa Branca. Este seminário se insere em uma nova prioridade diplomática dos EUA com relação aos minerais críticos, buscando garantir acesso a reservas no continente americano e alternativas a "fornecedores não confiáveis", uma referência implícita à China.
A China controla uma parcela significativa do refino de minerais críticos. Conforme dados da Agência Internacional de Energia (AIE), o país domina o processamento de 19 dos 20 minerais críticos, controlando proporções elevadas de cobre, lítio, terras raras, grafite e gálio.
Posição do Brasil
Na semana anterior, o governo brasileiro optou por não participar ativamente das iniciativas de Washington e teve um envolvimento de baixo nível na Reunião Ministerial de Minerais Críticos. Essa decisão reflete uma análise cautelosa da situação geopolítica e das implicações da crescente concorrência por minerais críticos.
Independência Estratégica
Um membro da Presidência da República enfatizou que a proposta americana parece ter a intenção de excluir a China e desafiar sua hegemonia. Com a segunda maior reserva global de terras raras, o Brasil não deve se comprometer com pactos políticos que possam restringir sua autonomia.
Apesar de ser um rico reservatório de recursos, o Brasil ainda não tem explorado totalmente o seu potencial em terras raras. Integrantes do governo percebem a nova estratégia dos Estados Unidos como uma maneira de fortalecer reservas, garantir exclusividade no fornecimento e criar estoques que ajudem a controlar a volatilidade de preços.
Abordagem Universalista do Brasil
O Brasil está buscando uma abordagem mais abrangente na formação de parcerias, visando garantir a autonomia na exploração e processamento dos minerais em seu território. Autoridades brasileiras já estão discutindo acordos com países como Estados Unidos, China, União Europeia e Índia, com a possibilidade de assinatura de um entendimento durante a visita de Lula a Nova Délhi.
Além disso, o governo brasileiro tem priorizado acordos bilaterais, evitando a adesão a blocos ou organismos internacionais que possam influenciar mercados e preços dos minerais críticos. "Os Estados Unidos estão buscando soluções vantajosas para todas as partes envolvidas, visando diversificar o mercado", refletiu Orr.
Relações EUA e China
Em relação à presença de empresas chinesas em iniciativas de mineração na América do Sul, Orr negou que as políticas americanas constituem uma retaliação à China. Ele reafirmou que os Estados Unidos estão focados em garantir um padrão elevado e resiliência nas cadeias de suprimento de minerais críticos.
O diplomata também se absteve de comentar se as negociações sobre minerais críticos estão conectadas a questões diplomáticas envolvendo sanções contra autoridades brasileiras, como a revogação de vistos e a implementação da Lei Magnitsky.
Fonte: www.moneytimes.com.br