A escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã poderá influenciar de maneira significativa os preços dos combustíveis em escala global. Esta análise é do presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Roberto Ardenghy.
Em uma recente entrevista à CNN Brasil, Ardenghy destacou que o bloqueio no Estreito de Ormuz, um canal de navegação de vital importância, pode causar instabilidade no mercado global de petróleo.
“O Estreito de Ormuz é crucial para a exportação da produção do Oriente Médio, que se destaca como o maior produtor e também o principal exportador de petróleo do mundo”, afirmou Ardenghy.
O presidente do IBP também mencionou que cerca de 18 milhões de barris de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) transitam diariamente por essa rota estratégica.
Impacto Global e Medidas de Contenção
Ardenghy salientou que nações asiáticas, como Singapura, China e Japão, seriam especialmente impactadas devido à sua elevada dependência do GNL para geração de energia e utilização industrial.
“Deveríamos observar um aumento significativo nos preços assim que os mercados asiáticos reabrirem hoje à noite”, afirmou ele.
O presidente do IBP também comentou sobre a importância da iniciativa da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) em tentar aumentar a liquidez do mercado, embora tenha enfatizado que a gravidade do cenário dependerá da evolução do conflito na região.
Outro ponto importante que foi abordado diz respeito ao uso de estoques estratégicos por países importadores que não possuem produção de petróleo suficiente.
“Estados Unidos e China mantêm grandes reservas de petróleo, mas o seu uso é restrito, pois não é viável esgotar rapidamente estes estoques estratégicos”, acrescentou Ardenghy.
Conforme o especialista, o mercado global terá que se readaptar de forma célere diante do conflito que teve início no último sábado (28).
Além disso, o presidente do IBP advertiu que, se a situação do conflito se intensificar, os preços dos combustíveis poderão passar por uma pressão adicional nos dias seguintes, impactando economias em todo o mundo. Ele ressaltou que, apesar do Brasil ser um produtor de petróleo, os preços internos permanecem vinculados às cotações internacionais do produto.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br