Julgamento de Duane “Keffe D” Davis
Um júri considerou Duane “Keffe D” Davis culpado por orquestrar o assassinato de Tupac Shakur em 1996, mais de 30 anos após a morte do rapper, um desfecho judicial que marca a resolução de um caso que ficou sem solução por décadas, envolvendo uma das figuras mais icônicas da história do hip-hop.
Davis, que tem 63 anos, foi condenado nesta segunda-feira, 31 de outubro, pelo crime de homicídio com o uso de arma letal, podendo enfrentar uma sentença de prisão perpétua. O júri deliberou por três horas, após um julgamento que durou semanas, realizado em Las Vegas.
Durante as alegações finais, o vice-procurador distrital Binu Palal relatou que Davis teria adquirido uma arma e “saiu à caça” de Tupac e do cofundador da gravadora Death Row, Marion “Suge” Knight, após os dois agredirem o sobrinho de Davis naquela mesma noite.
Orlando “Baby Lane” Anderson, sobrinho de Davis, foi apontado como um possível autor dos disparos. Outro homem que estava no banco traseiro do Cadillac também chegou a ser considerado um suspeito em potencial.
A investigação sobre o caso ficou paralisada por muitos anos. De acordo com a polícia, declarações de Davis feitas em 2018 para veículos de comunicação sobre seu envolvimento no tiroteio foram fundamentais para reativar a investigação.
Davis mencionou, em entrevistas e em seu livro de memórias publicado em 2019, intitulado “Compton Street Legend”, que estava sentado no banco do passageiro da frente do Cadillac e teria entregue a arma a um dos dois homens que estavam no banco traseiro. No entanto, nem Davis nem as autoridades conseguiram identificar quem realmente realizou os disparos contra Tupac.
Os outros três homens que estavam no Cadillac com Davis já faleceram. Segundo a legislação de Nevada, é possível que uma pessoa seja acusada de homicídio mesmo que não tenha efetuado os disparos, desde que tenha participado do crime de alguma forma.
Tupac e a parceria com a Death Row Records
A trajetória de Tupac também é marcada por um importante acordo financeiro com a Death Row Records, gravadora liderada por Suge Knight. Durante seu período de encarceramento, o rapper assinou um contrato para gravar três álbuns pela gravadora.
O contrato previa um adiantamento de pelo menos US$ 1 milhão para o primeiro álbum, além de US$ 125 mil para a aquisição de um automóvel, US$ 120 mil em despesas durante 12 meses e US$ 250 mil destinados a custos jurídicos. Tupac ainda teria direito a royalties de 18% sobre as vendas, com bônus adicionais conforme os álbuns atingissem determinadas marcas comerciais.
Essa negociação foi relacionada à saída de Tupac da prisão. Suge Knight foi responsável por facilitar o pagamento da fiança de US$ 1,4 milhão que possibilitou a libertação de Tupac em outubro de 1995, enquanto ele aguardava a decisão sobre o recurso de sua condenação.
Documentos apresentados posteriormente por Afeni Shakur, mãe do artista, questionaram a versão de que Knight teria coberto o valor sozinho. De acordo com esses documentos, a negociação esteve relacionada a garantias ligadas aos royalties futuros de Tupac.
O sucesso de “All Eyez on Me”
Poucos meses após ser libertado, Tupac lançou o álbum “All Eyez on Me”, que se tornou um grande marco em sua carreira, sendo um álbum duplo pela Death Row Records.
Com mais de 75 milhões de discos vendidos em todo o mundo, “All Eyez on Me” e a coletânea “Greatest Hits” receberam a certificação de diamante nos Estados Unidos, cada uma através da comercialização de mais de 10 milhões de unidades.
Esses números ilustram o impacto comercial significativo que Tupac alcançou em um curto espaço de tempo. O contrato firmado enquanto estava preso colocou Tupac no centro de uma operação que envolvia música, gravadora, royalties e os direitos sobre sua produção artística.
No entanto, essa trajetória foi abruptamente interrompida, menos de um ano depois. Tupac foi vítima de um tiroteio em Las Vegas em setembro de 1996, vindo a falecer seis dias após o ataque, aos 25 anos.
A morte de Tupac e seu legado duradouro
A morte de Tupac não determinou o fim da sua relevância no cenário musical. Seu catálogo continua a ser associado à história do hip-hop, mantendo-se como um objeto de interesse tanto para fãs quanto para o mercado musical.
Esse caso também está intimamente ligado à intensa rivalidade entre artistas e grupos da Costa Oeste e da Costa Leste dos Estados Unidos. Em seu livro, Davis mencionou que durante muito tempo foi considerado um dos principais suspeitos nos assassinatos de Tupac e de seu rival, The Notorious B.I.G., que foi morto a tiros em Los Angeles em março de 1997.
O assassinato de B.I.G. permanece sem solução. Especialistas investigativos especulam que a morte do rapper pode ter sido uma retaliação relacionada ao assassinato de Tupac, que ocorreu meses antes.
Três décadas após os eventos, a condenação de Davis representa o fechamento de um capítulo na história judicial de um dos casos mais notoricamente conhecidos dentro da indústria musical.
Fonte: timesbrasil.com.br
