O custo duradouro de não levar a inteligência artificial a sério
Empresas, governos e profissionais já estão enfrentando as consequências de ignorar a revolução da Inteligência Artificial (IA). Crédito: Estadão
Mercado de Capitais Brasileiro e a Inteligência Artificial
O mercado de capitais brasileiro encontra-se em uma fase de estabilização quanto à adoção de inteligência artificial (IA), apresentando uma nota média de maturidade de 2,7 em uma escala que vai de 1 a 5. Essa avaliação foi emitida pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
O primeiro Índice de Maturidade em IA, especificamente voltado para o mercado de capitais brasileiro, foi obtido por meio da pesquisa inédita intitulada “Retrato da Inteligência Artificial”, que foi realizada em parceria com o Datafolha e recebeu apoio técnico da empresa MatchIT.
De acordo com Marcelo Billi, superintendente de Inovação, Sustentabilidade e Educação da Anbima, “o índice mostra um mercado em transição entre a experimentação e a escala. A IA já está incorporada no dia a dia das instituições, mas ainda há espaço para evolução na consolidação de processos, governança e geração de valor de maneira estruturada e sustentável.”
O levantamento, divulgado na última segunda-feira (14) pela Anbima, incluiu entrevistas com 177 instituições que estão associadas ou aderentes aos códigos de autorregulação dessa entidade. Os dados revelam que 92% das empresas do setor utilizam algum tipo de inteligência artificial em suas operações. Este número já havia sido antecipado durante a Rio Innovation Week, conforme relatado pela Broadcast.
Relevância e Benefícios da Inteligência Artificial
Uma análise mais detalhada mostra que 59% das empresas perceberam um aumento significativo na relevância da inteligência artificial nos últimos 12 meses. Adicionalmente, 63% delas acreditam que a importância da tecnologia continuará a crescer no próximo ano.
Nenhuma das instituições participantes da pesquisa antecipa uma diminuição na relevância da IA no horizonte avaliado, o que reforça a percepção de que a inteligência artificial desempenhará um papel cada vez mais central nas estratégias de negócios.
Os benefícios já identificados também contribuem para entender esse movimento, segundo a análise da Anbima. Entre as empresas que utilizam a IA, 80% relatam um aumento na produtividade, 75% destacam a automação de tarefas e 57% mencionam que a tecnologia auxilia na tomada de decisões, além de reduzir riscos ou erros.
As aplicações de inteligência artificial mais comuns estão relacionadas à ciência de dados, com 72% de adesão, seguidas por modelos generativos, que contam com 67%. Outras aplicações relevantes incluem machine learning (aprendizado de máquina), com 48%, e processamento de linguagem natural, que abrange 36% das empresas.
No entanto, a pesquisa deixa claro que a adoção da tecnologia não necessariamente indica maturidade. Enquanto 48% das empresas afirmam utilizar IA em áreas-chave que trazem ganhos de eficiência e melhorias nos processos, apenas 11% já integram essa tecnologia a processos críticos de negócio. A situação é ainda mais alarmante quando se observa que apenas 3% relatam ter uma vantagem competitiva clara decorrente do uso da inteligência artificial.
Desafio: Transformar IA em uma Competência Estratégica
As informações coletadas indicam que o principal desafio do mercado não é mais o acesso ou a implementação da tecnologia, mas sim a capacidade de transformá-la em uma competência estratégica que esteja completamente integrada ao negócio.
Segundo a Anbima, questões de governança e mensuração se destacam como alguns dos principais obstáculos nessa jornada. Menos de um terço das instituições informou ter estruturas de governança de dados que sejam classificadas como estruturadas ou avançadas. Além disso, somente 12% se posicionam em estágios consolidados ou avançados em relação às políticas de uso responsável da inteligência artificial.
A mensuração dos resultados também é apontada como uma lacuna crítica. Entre as empresas que utilizam IA, 43% afirmam avaliar seus impactos de forma subjetiva, sem o uso de métricas estruturadas. Por outro lado, apenas 3% possuem indicadores corporativos que estão integrados à estratégia da organização.
Segundo a Anbima, essas informações indicam que o mercado já reconhece o potencial da tecnologia, mas ainda precisa evoluir na capacidade de medir, acompanhar e capturar valor de maneira sistemática.
Oportunidades para o Desenvolvimento de Novos Produtos
O levantamento revela que 93% das empresas participantes acreditam que a IA contribuirá para aumentar a eficiência de seus processos internos. Além disso, 90% das instituições veem um potencial significativo para criar diferenciais competitivos e 73% identificam oportunidades para o desenvolvimento de novos produtos, serviços e modelos de negócio.
*Com informações da Broadcast
Leia mais
Fonte: www.estadao.com.br
