Ibovespa atinge alta histórica impulsionado por investimento estrangeiro, suporte externo e discurso prudente do Banco Central

Desempenho do Ibovespa

O Ibovespa (BOV:IBOV) finalizou o pregão da segunda-feira, 9 de fevereiro, com uma expressiva alta de 1,80%, alcançando 186.242 pontos e marcando um novo recorde histórico de fechamento. Este movimento reflete um dia caracterizado pelo apetite ao risco e pelo fluxo contínuo de investidores estrangeiros. O volume financeiro totalizou R$ 20,6 bilhões, superando a média móvel dos últimos 50 pregões, que era de R$ 19,7 bilhões, o que indica uma participação ativa do mercado. O desempenho positivo do Ibovespa aconteceu em meio a um clima otimista nas bolsas de Wall Street e foi particularmente impulsionado pelas ações das blue chips, como Itaú, Vale e Petrobras, em uma semana mais curta no Brasil devido ao feriado de Carnaval e repleta de dados econômicos e resultados corporativos relevantes.

Fatores que Influenciam o Mercado

O sentimento do mercado brasileiro foi moldado por diversos fatores tanto de âmbito nacional quanto internacional. No Brasil, as declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, foram interpretadas como cautelosas e conservadoras, enfatizando a necessidade de uma “calibragem” na política monetária em face de uma atividade econômica ainda bastante resiliente, além de um mercado de trabalho com características de aperto e expectativas em torno da inflação que permanecem elevadas. A atenção dos investidores também estava voltada para a agenda econômica desta terça-feira, que incluía a divulgação do IPCA referente ao mês de janeiro e novas projeções do Boletim Focus, que apontaram a quinta queda consecutiva na mediana de inflação prevista para 2026.

No cenário internacional, o ambiente era construtivo, com as bolsas norte-americanas registrando alta e o dólar apresentando uma queda, o que favoreceu ativos de risco e reforçou o fluxo de capital estrangeiro para a B3, que já acumulava um saldo positivo significativo em 2025.

Movimentações no Setor Corporativo

Durante o pregão, ocorrem movimentações significativas no setor corporativo. Entre as ações que mais se valorizaram, a Magazine Luiza ON (BOV:MGLU3) subiu 7,55%, reflexo de um apetite maior ao risco no setor de varejo e e-commerce. As Units do Santander Brasil (BOV:SANB11) também tiveram uma alta de 5,98%, impulsionadas pelo bom desempenho do setor bancário. A Cosan ON (BOV:CSAN3) viu uma valorização de 4,68%, beneficiada pela apreciação de ativos relacionados a energia, logística e agronegócio.

Entre as principais ações que contribuíram para o índice, as ações do Itaú PN (BOV:ITUB4) avançaram 3,34%. A Vale ON (BOV:VALE3) subiu 1,96%, mesmo diante da queda do minério de ferro na China. A B3 ON (BOV:B3SA3) apresentou uma alta de 3,40%, acompanhando o aumento do volume financeiro. Por outro lado, no campo negativos, as Units do BTG Pactual (BOV:BPAC11) sofreram uma queda em um movimento de realização, apesar de apresentarem um resultado financeiro sólido. A Raízen (BOV:RAIZ4) continuou sob pressão, afetada por notícias sobre rebaixamento de rating e discussões acerca do fortalecimento de liquidez.

Comportamento do Mercado de Juros Futuros

O mercado de juros futuros exibiu um comportamento misto. A curva de juros de curto prazo registrou uma leve alta de até 1,5 ponto-base, refletindo uma atitude de cautela com relação à inflação no curto prazo. Em contraste, a curva de juros de longo prazo apresentou uma expressiva queda, com redução de até 11 pontos-base, após as declarações de Galípolo reforçarem a percepção de que o Banco Central está atento aos dados econômicos e comprometido com a convergência inflacionária. Esse movimento também foi influenciado pela redução na cotação do dólar futuro (BMF:DOLFUT), que fechou em R$ 5,213, assim como pela desvalorização do DXY (CCOM:DXY), que destacou uma cotação de 96,86 pontos, fatores que ajudaram a aliviar os vértices mais longos da curva de juros.

Fonte: br.-.com

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