Ibovespa avança com valorização das blue chips e dados fracos da produção industrial, elevando expectativas de redução da Selic

Desempenho do Ibovespa

O Ibovespa (BOV:IBOV) fechou o pregão desta terça-feira, 3 de fevereiro, com uma alta significativa de 1,58%, alcançando 185.674 pontos. Essa valorização se destacou em relação ao desempenho negativo registrado nas bolsas de valores de Wall Street. O crescimento foi principalmente impulsionado pela queda nos vértices curtos da curva de juros, favorecida pelas expectativas de um início de ciclo de flexibilização monetária pelo Banco Central, que poderia incluir um corte de 50 pontos-base na Selic já no mês de março.

Volume Financeiro

O volume financeiro negociado atingiu R$ 26 bilhões, acima da média móvel dos últimos 50 pregões, que foi de R$ 19,3 bilhões. Isso sinaliza uma maior participação por parte dos investidores institucionais. Comparado ao contrato futuro de Ibovespa (BMF:INDFUT | BMF:WINFUT), o índice à vista demonstrou um desempenho mais resiliente ao longo do dia, mesmo com uma realização parcial de lucros no fechamento do pregão.

Vetores de Mercado

Os principais fatores que influenciaram o mercado nesta terça-feira incluíram dados macroeconômicos fracos no Brasil, uma forte aversão ao risco dos investidores no exterior e tensões geopolíticas. A produção industrial do Brasil teve um recuo de 1,2% em dezembro em comparação com o mesmo mês do ano anterior, marcando a queda mais acentuada desde julho de 2024 e superando a expectativa do mercado, que previa uma queda de 0,7%. Na comparação mensal, houve um aumento de apenas 0,4%, inferior à expectativa de 1,1%, o que reforçou a percepção de desaceleração na atividade econômica. Este cenário resultou em uma pressão de baixa nos juros futuros para os vértices curtos, ampliando as apostas de um corte mais agressivo da Selic.

Quedas nos Estados Unidos

No mercado externo, os índices das bolsas norte-americanas registraram quedas consideráveis, com um novo movimento de sell-off em ações do setor de tecnologia. O Bitcoin (COIN:BTCUSD) caiu para seu menor nível desde a eleição presidencial de Donald Trump, ocorrida em novembro de 2024.

Movimento Cambial

No âmbito cambial, o dólar futuro (BMF:DOLFUT | BMF:WDOFUT) recuou 0,44%, sendo cotado a R$ 5,267. Essa redução acompanhou a queda do índice Dólar DXY (CCOM:DXY), que mostrou uma diminuição de 0,17%, atingindo 97,4 pontos.

Tensão Geopolítica

No que diz respeito às questões geopolíticas, a alta do petróleo foi reflexo do aumento das tensões entre os Estados Unidos e o Irã, que se intensificaram após a derrubada de um drone iraniano no Mar Arábico. Esse evento gerou uma percepção aumentada de risco na região do Estreito de Ormuz.

Destaques no Noticiário Corporativo

Dentro do noticiário corporativo, o Ibovespa foi principalmente alavancado pelas ações de grandes empresas com alta liquidez. As maiores altas percentuais do dia foram observadas nas seguintes ações:

  • Vamos ON (BOV:VAMO3): +7,37% – a empresa atua na locação de caminhões, máquinas e equipamentos.
  • RD Saúde ON (BOV:RADL3): +5,99% – uma das principais redes de farmácias do Brasil, proprietária das marcas Raia e Drogasil.
  • Cyrela PN (BOV:CYRE4): +5,64% – uma incorporadora imobiliária com forte presença no segmento de médio e alto padrão.

Ações que Contribuíram para o Índice

Entre os principais contribuidores para o desempenho do índice, destacam-se:

  • Vale ON (BOV:VALE3): +4,92% – responsável por adicionar mais de mil pontos ao Ibovespa.
  • WEG ON (BOV:WEGE3): +3,95% – multinacional brasileira especializada em equipamentos elétricos e automação.
  • Axxia ON (BOV:AXIA3): +2,05% – empresa atuante no setor de infraestrutura e serviços especializados.

Ainda entre as ações mais negociadas, além de Vale e Petrobras, figuraram papéis relacionados a commodities e consumo doméstico, refletindo o apetite crescente dos investidores estrangeiros, cujo saldo acumulado no ano já soma R$ 26,3 bilhões.

Mercado de Juros Futuros

O mercado de juros futuros na B3 apresentou um comportamento misto nesta data. Os vértices curtos da curva de juros recuaram significativamente após a divulgação de dados mais fracos sobre a produção industrial. Isso refletiu um aumento nas apostas de um corte de 50 pontos-base na Selic, atualmente precificado em 63% pelas opções digitais da B3.

Vértices Intermediários e Longos

Os vértices intermediários também cederam, seguindo a análise sobre a desaceleração econômica e o tom mais flexível sugerido na ata do Comitê de Política Monetária (Copom), embora com um impacto menor. Por outro lado, os vértices longos inverteram a trajetória de queda no pós-mercado, após a informação de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve confirmar indicações para as diretorias do Banco Central, o que gerou um clima de cautela e resultou na expansão de prêmios na ponta longa da curva.

Expectativa entre os Contratos Futuros

Nos contratos futuros de juros (BMF:DI1FUT), os DIs mais negociados refletiram essa dinâmica, com um fechamento mais expressivo nos vencimentos curtos e uma leve pressão de alta nos longos. Isso evidenciou a tensão entre as expectativas mais otimistas para o curto prazo e as incertezas fiscais e institucionais que permeiam o horizonte mais distante.

Fonte: br.-.com

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