Ibovespa encerra semana em tom negativo
O Ibovespa (IBOV) fechou a semana, que foi mais curta devido ao feriado de Páscoa, em uma trajetória negativa, reflexo do aumento das tensões no Oriente Médio, especialmente após novas declarações feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Por volta das 10h10 (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira registrava uma queda de 1,01%, alcançando 186.060,69 pontos. Apenas seis ações estavam apresentando desempenho positivo.
Apesar dessa forte queda no índice, o Ibovespa ainda deve encerrar a semana com um saldo positivo. Até o momento, o índice acumulava um ganho de 3,52% nos últimos três pregões.
Dólar e mercado financeiro
O dólar à vista estava operando em alta em relação ao real, seguindo a tendência observada na moeda no cenário internacional. No mesmo horário mencionado anteriormente, o dólar subia para R$ 5,1850 (+0,55%). Simultaneamente, o DXY, que compara o desempenho do dólar com uma cesta de seis divisas consideradas fortes, apresentava um avanço de 0,48%, sendo negociado a 100,128 pontos.
Assuntos relevantes para o investidor
1 – Produção industrial
O setor industrial brasileiro teve um crescimento superior ao esperado em fevereiro, marcando o segundo mês consecutivo de alta. Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelaram um avanço de 0,9% na produção industrial em comparação ao mês anterior, embora tenha ocorrido uma queda de 0,7% quando comparado ao mesmo mês do ano anterior.
Esses resultados superaram as previsões feitas em uma pesquisa da Reuters, que esperava um ganho de 0,7% na comparação mensal e uma queda de 1,0% na anual.
“Apesar do desempenho positivo no mês, a indústria ainda está seguindo uma tendência de desaceleração, sendo este o setor produtivo mais afetado por essa situação. Embora possa se beneficiar do preço elevado do petróleo, as condições gerais continuam desafiadoras”, afirmou o economista sênior do Inter, André Valério. A instituição projeta um crescimento de apenas 0,4% para a indústria ao longo deste ano.
2 – Com a palavra, Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que pretende anular o leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP), utilizado no gás de cozinha, que foi realizado pela Petrobras (PETR4). Ele alegou que houve um ágio de 100% no preço do gás vendido pela estatal, insinuando que a população não teria condições de arcar com esse custo elevado.
“Como foi realizado um leilão com um ágio de 100%, como é que se pode permitir que a população arque com essa responsabilidade? Não vai, pode ter certeza, isso não vai acontecer”, afirmou o presidente em uma entrevista concedida à TV Record Bahia, na cidade de Salvador.
Durante a mesma entrevista, Lula reiterou sua intenção de que a Petrobras recompre a refinaria de Mataripe, que foi vendida pela empresa em 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), para o fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos, Mubadala.
3 – Tarifas de Trump
De acordo com informações do Wall Street Journal, os Estados Unidos estão se preparando para revisar o regime tarifário aplicado ao aço e ao alumínio. O país mantém uma sobretaxa de 50% sobre os aços e produtos de alumínio mais comuns, enquanto os bens acabados importados fabricados a partir desses materiais sofrerão uma tarifa de 25%.
O jornal destacou que o governo de Donald Trump pode fazer o anúncio dessas novas medidas ainda nesta semana.
4 – Conflito no Irã
As tensões no Oriente Médio aumentaram nas últimas horas, especialmente após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que continuará os ataques ao Irã, sem se comprometer a um cronograma específico para encerrar o conflito. Trump declarou: “Vamos terminar o trabalho, e faremos isso muito rapidamente. Estamos muito perto de alcançar nossos objetivos”.
Ele fez essas declarações em um pronunciamento na noite do dia 1º, acrescentando que as forças armadas dos EUA estavam quase atingindo as metas no conflito, que, segundo ele, poderia ser concluído em um período de duas a três semanas, embora não oferecesse detalhes adicionais.
Em resposta, o comando do Exército iraniano, liderado por Amir Hatami, sublinhou que o quartel-general operacional do Irã deve monitorar os movimentos inimigos com máxima eficácia e estar preparado para responder a qualquer tipo de ataque. “Nenhuma tropa adversária deve sobreviver se os inimigos tentarem uma operação em solo iraniano”, afirmou Hatami, segundo a mídia estatal do país.
O New York Times reportou que várias agências de inteligência dos EUA avaliaram recentemente que o governo iraniano não está disposto a participar de negociações significativas para pôr fim ao conflito em que estão envolvidos.
5 – Petróleo em disparada
Com a ausência de perspectivas de finalização da guerra, os preços do petróleo atingiram um novo crescimento acelerado, com a cotação do barril ultrapassando a marca de US$ 100, próximo de níveis históricos. Por volta das 10h (horário de Brasília), os contratos futuros para o Brent, com vencimento em junho, estavam apresentando uma alta de 7,81%, cotando-se a US$ 109,13 o barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Enquanto isso, os contratos futuros do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para maio, que é a referência no mercado norte-americano, subiam 12,16%, alcançando o valor de US$ 112,31 por barril na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos Estados Unidos.
Fonte: www.moneytimes.com.br