Ibovespa Fecha com Queda Expressiva
O Ibovespa encerrou a terça-feira, dia 3 de março, com uma significativa queda de 3,28%, atingindo 183.104 pontos. Essa movimentação no mercado reflete a reprecificação de risco global diante da possibilidade de um conflito mais prolongado no Oriente Médio. Durante o pior momento do pregão, o índice registrou a maior baixa intradiária desde fevereiro de 2021, indicando um “sell-off” generalizado. O volume financeiro totalizou expressivos R$ 34 bilhões, valor bem acima da média móvel de 50 pregões, que corresponde a R$ 21,3 bilhões. Esse volume elevado sinaliza uma saída relevante de capital institucional. Além disso, o contrato futuro de Ibovespa acompanhou o movimento negativo ao longo do dia, reforçando o tom defensivo dos investidores.
Impactos da Escalada de Conflitos no Oriente Médio
A escalada do conflito no Oriente Médio, que inclui relatos sobre drones iranianos, movimentação de tropas de Israel no sul do Líbano e discussões sobre um possível fechamento do Estreito de Ormuz, impulsionou o preço do petróleo Brent em 3,83%, o que reacendeu temores inflacionários em nível mundial. Esse movimento tem implicações diretas no Brasil, aumentando a pressão sobre a política de preços da Petrobras, uma vez que há a possibilidade de reajustes nos combustíveis.
Cenário da Curva de Juros e Mercado de Trabalho
Além desses fatores, a curva de juros passou a incorporar um corte de 25 pontos-base nas projeções pelo Comitê de Política Monetária (Copom), com a Selic terminal sendo reprecificada para 12,25% em comparação a 12,00% previamente. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) indicou a criação de 112.334 vagas em janeiro, um resultado acima da expectativa de 92 mil, o que reforça a resiliência do mercado de trabalho. Adicionalmente, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,10% no quarto trimestre, enquanto a projeção esperava uma alta de 0,20%. Os investimentos, por sua vez, recuaram 3,5%.
Movimentos das Moedas e Ações no Mercado
No exterior, o dólar futuro avançou 1,78%, sendo cotado a R$ 5,308, enquanto o índice DXY subiu 0,48%, o que pressionou as moedas emergentes. Entre as principais ações que compõem o índice, a Vale viu uma queda de 4,17%, liderando as perdas em um contexto de redução do risco global. O Itaú Unibanco também apresentou um recuo de 3,35%, seguindo a tendência de aversão a ativos domésticos. A Azzas 2154 teve uma queda de 4,60%, refletindo a pressão sobre o setor varejista.
Principais Quedas do Mercado
Nas maiores quedas percentuais, o Grupo Pão de Açúcar se destacou com uma desvalorização de 17,78%. A Yduqs também teve um desempenho negativo com uma queda de 6,99%, e o Assaí Atacadista registrou um recuo de 6,49%. A temporada de resultados gerou movimentações em empresas como Hidrovias do Brasil, LWSA, RD Saúde, Auren Energia e Vulcabras.
Mercado de DI Futuro e Leilão do Tesouro Nacional
No mercado de DIs futuros, os contratos encerraram com uma alta de até 23 pontos-base, refletindo a elevação dos yields norte-americanos e a pressão inflacionária advinda dos preços do petróleo. Os vértices mais curtos reagiram à reprecificação do Copom prevista para março, enquanto os prazos médios e longos ajustaram-se conforme a revisão da Selic terminal para 12,25%, aumentando assim a inclinação da curva.
O leilão do Tesouro Nacional, que resultou na venda integral de 750 mil LFTs e 656.800 NTN-Bs, também influenciou a dinâmica do mercado durante o dia, reforçando a percepção de que o investidor está exigindo um prêmio maior em um cenário caracterizado por maior volatilidade e incertezas em nível global.
Fonte: br.-.com