O que é a Super Quarta e por que ela importa para o investidor?
O Ibovespa enfrenta uma Super Quarta com decisões monetárias relevantes tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. No Brasil, há expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza a taxa Selic de 14% para 13,75%. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) pode elevar suas taxas de juros para um intervalo de 3,75% a 4,00% em resposta à inflação e à alta dos preços do petróleo. Essas decisões impactam as taxas de câmbio e os mercados financeiros. Na terça-feira, o Ibovespa fechou em alta de 0,54%, impulsionado principalmente pelas ações da Petrobras, enquanto o dólar teve uma valorização, encerrando o dia cotado a R$ 5,1551. Nos mercados norte-americanos, os índices Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 apresentaram quedas.
Expectativas para a Super Quarta
O Ibovespa chega à Super Quarta com as decisões sobre taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos como foco central. O mercado aguarda que o Copom informe uma redução da taxa Selic em 0,25 ponto percentual. O banco central também divulgará o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de julho às 9h, sendo considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, enquanto as vendas no varejo nos Estados Unidos também serão anunciadas.
Anúncio do Copom
O Copom anunciará sua decisão às 18h30, no horário de Brasília. A expectativa é que a taxa Selic seja reduzida de 14% para 13,75% ao ano. Além do anuncio, os investidores devem prestar atenção ao comunicado do Banco Central, que pode trazer informações sobre o ritmo e a extensão de futuros cortes.
Dados econômicos e projeções
Antes do anúncio do Copom, será divulgado o IBC-Br de julho, às 9h. A previsão indica uma queda de 0,10%, após um recuo de 0,64% em junho. Esse indicador é importante, pois fornece uma visão preliminar sobre a evolução do PIB e pode reforçar a percepção de uma desaceleração da atividade econômica, informação que pode influenciar a política monetária. Também será divulgado o Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) de setembro, em dados apresentados pela Fundação Getulio Vargas.
Decisões do Fed
No exterior, o maior evento do dia ocorre às 15h, quando o Fed anunciará sua decisão sobre a taxa de juros. Há expectativas de uma alta de 0,25 ponto percentual, elevando a taxa de 3,50%-3,75% para uma nova faixa de 3,75%-4,00% ao ano. A comunicação do banco central e as orientações de seu presidente, Kevin Warsh, sobre as direções futuras da política monetária, são cruciais e podem impactar o comportamento dos ativos.
Situação econômica dos EUA
Os investidores estão atentos à reunião do Fed, especialmente após o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) para agosto indicar uma inflação de 3,4% em doze meses. Essa expectativa vem em meio a uma alta significativa nos preços do petróleo, que ultrapassou os US$ 108 por barril, devido a tensões no Oriente Médio. A decisão do Fed poderá ter certos efeitos diretos sobre a cotação do dólar e nos juros dos Treasuries, títulos da dívida pública dos Estados Unidos, impactando, assim, mercados emergentes. Um sinal de uma política monetária mais restritiva pode provocar um fluxo favorável para ativos americanos, enquanto uma abordagem menos rigorosa poderia alterar as expectativas a respeito das taxas de juros globais.
Agenda dos EUA
A agenda econômica dos Estados Unidos ainda inclui a divulgação das vendas no varejo de agosto, com uma previsão de alta de 0,7%. Esse dado é significativo para avaliar a força do consumo nos EUA e, consequentemente, pode se tornar um componente importante na avaliação que o Fed faz sobre a saúde da atividade econômica.
Cenário político local
O cenário político também é relevante para os mercados. O imbróglio no Supremo Tribunal Federal (STF) está sob os holofotes, especialmente após o pedido de vista do ministro Flávio Dino que interrompeu uma sessão que analisava a possível abertura de investigação contra Alexandre de Moraes. Para o sócio da Fatorial Investimentos, Fábio Lemos, o mercado pode diferenciar entre o ruído político e as mudanças que acarretam riscos institucionais. Ele destaca que a divisão interna exposta pelo STF, com acusações públicas entre ministros, aumenta a incerteza e pode adicionar um prêmio de risco, particularmente com as eleições se aproximando.
Movimentação do mercado na terça-feira (15)
No pregão anterior, o Ibovespa apresentou uma alta de 0,54%, alcançando 186.502,64 pontos, em um dia que foi impulsionado pela valorização do petróleo e pelas expectativas em torno das decisões de juros programadas para quarta-feira. As ações da Petrobras foram as principais responsáveis pela sustentação do índice, enquanto as ações da Vale acabaram limitando os ganhos. O dólar teve uma leve alta, fechando a R$ 5,1551.
Detalhes das ações
As ações da Petrobras subiram 3,63%, refletindo a valorização da commodity. O Brent, referência para o petróleo, para entrega em novembro, aumentou 2,90%, sendo comercializado a US$ 108,75 por barril. Por sua vez, o WTI, para outubro, ganhou 4,38%, subindo para US$ 105,83, com essa valorização ligada ao temor sobre a oferta de petróleo na região, especialmente após ataques à infraestrutura na Arábia Saudita.
Reações em Nova York
Em Nova York, os índices registraram um desempenho negativo, refletindo recuos de 0,63% no Dow Jones, 0,78% no Nasdaq e 0,45% no S&P 500, o que se contrasta com a movimentação observada em diversos mercados internacionais.
Agenda para quarta-feira (15)
A seguir, estão algumas das principais informações da agenda programada para quarta-feira:
- 08h00 – Brasil: FGV: IPC-S (2ª quadrissemana) – Set
- 08h00 – Brasil: FGV: IGP-10 – Set
- 09h00 – Brasil: BC: IBC-Br – Jul
- 11h30 – Brasil: BC oferta até 50 mil contratos de swap cambial (US$ 2,5 bilhões) para rolagem de outubro
- 12h00 – Brasil: BC oferta até R$ 5 bilhões em operações compromissadas de 3 meses
- 14h30 – Brasil: BC: Fluxo cambial – Semanal
- 18h30 – Brasil: BC: Decisão de política monetária
- 03h00 – Reino Unido: ONS: Índice de preços ao consumidor (CPI) – Ago
- 03h00 – Reino Unido: ONS: Núcleo do CPI – Ago
- 06h00 – Zona do euro: Eurostat: Produção Industrial – Julho
- 09h15 – Alemanha: Vice-presidente do BCE, Boris Vujcic, participa de conferência institucional
- 09h30 – EUA: Departamento do Comércio: Vendas no varejo – Ago
- 11h00 – EUA: NAHB: Índice de confiança das construtoras – Setembro
- 11h30 – EUA: Departamento de Energia (DoE): Estoques de petróleo – semana até 11 de setembro
- 14h00 – Alemanha: Presidente do BCE, Christine Lagarde, participa de evento em Frankfurt
- 15h00 – EUA: Fed: decisão de política monetária
- 15h30 – EUA: Presidente do Fed, Kevin Warsh, participa de coletiva de imprensa
Fonte: Broadcast, Dow Jones Newswires e FactSet
Fonte: www.estadao.com.br
