Desempenho do Ibovespa
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, encerrou o pregão realizado nesta quarta-feira, dia 23 de setembro, apresentando uma queda de 0,86%, atingindo o patamar de 185.814 pontos. Essa desvalorização foi influenciada por um ambiente externo mais desafiador, especialmente em decorrência da alta nos rendimentos dos Treasuries e do aumento das preocupações relacionadas à trajetória dos juros nos Estados Unidos. O volume financeiro negociado durante a sessão somou R$20,8 bilhões, superando a média móvel dos últimos 50 pregões, que era de R$18,6 bilhões. Isso indica que houve uma atividade significativa mesmo em um dia marcado por uma maior aversão ao risco. O movimento observado no mercado brasileiro correspondeu ao desempenho negativo dos principais índices de Wall Street.
Mercado de Contratos Futuros
O contrato futuro de Ibovespa também reproduziu a dinâmica da sessão, estando sob a mesma pressão sobre os ativos de risco. No entanto, não foi possível apresentar a variação numérica de seu fechamento para uma comparação percentual direta com o índice à vista. O dólar futuro encerrou o dia em alta de 1,27%, com valor de R$5,175, reforçando uma percepção de maior cautela entre os investidores.
Pressões do Setor de Juros
O pregão desta quarta-feira (23/09) foi, em grande parte, marcado pela pressão ascendente nos juros norte-americanos. Nos Estados Unidos, o índice PMI composto preliminar da S&P Global subiu para 58,4, superando a expectativa de 55,3 e marcando o ritmo de expansão mais acelerado desde 2021. O PMI de serviços também registrou alta, atingindo 58,7, enquanto o de manufatura ficou em 57,0, reforçando a percepção de uma economia ainda muito resiliente. Nesse contexto, Michael Barr, diretor do Federal Reserve, afirmou que podem ser necessários novos aumentos nas taxas de juros para alcançar a meta de inflação de 2%, o que alimentou a visão de uma política monetária mais restritiva. Como consequência, os Treasuries experimentaram uma pressão significativa, com o rendimento do título da dívida pública de cinco anos alcançando o maior nível desde julho de 2007.
Perspectivas no Brasil
No Brasil, Nilton David, diretor de Política Monetária do Banco Central, comentou que estão surgindo cada vez mais indícios de que a política monetária está começando a apresentar resultados. Porém, ele observou que a atividade econômica permanece acima do potencial e que o Banco Central não tem a intenção de permitir que choques de oferta resultem em uma inflação duradoura.
Contexto Político
Em termos políticos, uma pesquisa realizada pela AtlasIntel indicou que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) possui 47,7% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) registra 47,4% para um possível segundo turno, qualificando o resultado como um empate técnico. No primeiro turno, Lula obteve 45,8% e Flávio Bolsonaro 43,4%. Além disso, os investidores monitoraram a repercussão de uma notícia sobre a possibilidade de uma restrição de 90 dias às exportações de diesel pelos Estados Unidos. Embora essa informação tenha sido posteriormente classificada como “falsa” por uma autoridade americana, a mera possibilidade de intervenção no mercado de combustíveis gerou volatilidade nas commodities. O preço do petróleo Brent futuro subiu 4,17%, encerrando a sessão a US$103,42 por barril. Na China, o contrato futuro de minério de ferro de Dalian avançou 0,07%, a US$106,18 por tonelada, devido a altos custos de transporte marítimo que sustentaram os preços, apesar das preocupações com a demanda e a oferta. Em contrapartida, os metais ouro e prata apresentaram quedas de 1,75% e 4,16%, respectivamente. No mercado exterior, os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq 100 finalizaram o dia com recuos de 0,68%, 0,75% e 0,85%, respectivamente.
Ações em Destaque
Entre as ações que exerceram maior pressão sobre o Ibovespa, destacam-se Vale ON, que recuou 1,85%; Itaú Unibanco PN, que caiu 1,88%; e Sabesp ON, que perdeu 2,79%. A Vale é uma empresa de mineração focada no minério de ferro e outros metais utilizados na indústria; Itaú Unibanco é um dos principais bancos do Brasil, oferecendo uma gama de serviços financeiros para indivíduos e empresas; a Sabesp, por sua vez, opera no setor de saneamento, lidando com o abastecimento de água e o tratamento de esgoto.
Maiores Quedas Percentuais
No ranking das maiores quedas percentuais do dia, a Tenda ON apresentou uma queda expressiva de 6,02%, Engie Brasil ON recuou 4,27%, e Cogna ON caiu 4,17%. A Tenda é uma empresa atuante no setor de construção e incorporação imobiliária, voltada principalmente para habitação popular; Engie Brasil trabalha com geração e comercialização de eletricidade; enquanto a Cogna se concentra principalmente em operações educacionais ligadas ao ensino superior e à educação básica. O material analisado não disponibiliza o ranking numérico das três ações mais negociadas da sessão, portanto, esses dados não foram incluídos na análise. Contudo, o ambiente de maior aversão ao risco e a pressão dos juros internacionais ajudaram a explicar a predominância de quedas entre as ações que impactam o índice.
Mercado de Juros Futuros
O mercado de juros futuros da B3, na sessão de quarta-feira, dia 23 de setembro, enfrentou forte pressão, repercutindo a deterioração do ambiente internacional provocada pela alta dos rendimentos dos Treasuries. Os vértices da curva de juros encerraram a sessão regular com elevações de até 10,5 pontos-base, sendo mais notórias nas contratações de maior prazo. Esse movimento está associado à expectativa de que o Federal Reserve poderá manter uma postura mais restritiva diante da robustez da economia americana e da inflação que ainda se mantém elevada. Durante o dia, os juros brasileiros chegaram a aliviar parte da alta após as declarações de Nilton David, que enfatizou a importância de serenidade e cautela, e reiterou que os juros devem permanecer em níveis restritivos até o fim do ciclo de calibração.
Expectativas para o Futuro
No que diz respeito à ponta mais longa da curva, o impacto gerado pelos Treasuries foi mais evidente, enquanto os vértices intermediários e curtos também terminaram sob pressão, mas reagiram às sinalizações internas sobre a condução da política monetária. Entre os contratos de referência, o DI futuro acompanhou a alta na abertura da curva, em um ambiente onde o mercado passou a incorporar uma maior cautela em relação à trajetória dos juros. O material fornecido não discrimina os valores e volumes individuais dos DIs mais negociados ou do contrato que registrou a maior variação, portanto esses números não foram estimados. Amanhã, quinta-feira, dia 24 de setembro, o mercado aguardará o Relatório de Política Monetária do Banco Central, que está previsto para ser divulgado às 8h00, seguido por uma coletiva do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do diretor de Política Econômica, Paulo Picchetti, às 11h00.
Fonte: br.advfn.com
