Desempenho do Ibovespa e do Dólar
Após um breve período de recuperação, o índice Ibovespa (IBOV) voltou a registrar resultados negativos, refletindo a performance dos índices da Wall Street. Nesta quinta-feira, dia 16, o principal índice da bolsa brasileira fechou o pregão com uma queda de 0,28%, finalizando a sessão em 142.200,02 pontos. O dólar à vista (USBRL) teve seu encerramento das negociações em R$ 5,4431, apresentando uma baixa de 0,35%.
Reação do Mercado a Dados Econômicos
No contexto do cenário econômico nacional, os investidores reagiram aos dados do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br). Considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), este índice mostrou um avanço de 0,4% em agosto em relação ao mês anterior, conforme os dados ajustados sazonalmente, de acordo com informações do Banco Central (BC). Esse resultado ficou abaixo da expectativa de alta de 0,6% apontada em pesquisa realizada pela Reuters, após um recuo de 0,52% em julho, dado que foi revisado.
Na comparação com agosto do ano anterior, o IBC-Br apresentou um aumento de 0,1%, enquanto que no acumulado dos últimos 12 meses registrou um ganho de 3,2%, conforme os números não dessazonalizados. O mercado também aguardava com expectativa a reunião entre o secretário dos Estados Unidos, Marco Rubio, e o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira. Esse encontro, que busca dar início às tratativas comerciais em resposta à tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros imposta no início do segundo semestre, aconteceu na tarde de quinta-feira.
Informações vindas do Itamaraty indicam que Vieira deve conceder uma entrevista coletiva ainda no mesmo dia, às 18h, no horário de Brasília.
Altas e Quedas do Ibovespa
Dentre as companhias listadas no Ibovespa, as ações da WEG (WEGE3) destacaram-se com ganhos significativos no índice, impulsionadas pela aquisição da Tubi Mob (Tupinambá Energia), o que foi avaliado positivamente por analistas de mercado. Na manhã da mesma quinta-feira, a fabricante fez o anúncio de acordos para a aquisição de aproximadamente 54% do capital social da referida companhia, que atua no segmento de softwares e gestão de redes de recarga para veículos elétricos, com um valor total investido de R$ 38 milhões.
Apesar de se tratar de uma transação de pequeno porte, o BTG Pactual considera que essa operação reforça a posição estratégica da WEG no segmento de mobilidade elétrica. Por outro lado, o lado negativo do Ibovespa foi liderado pelas ações do Magazine Luiza (MGLU3), que registrou uma queda de 8% devido à pressão provocada pelo aumento dos juros futuros de longo prazo. A Braskem (BRKM5) também se destacou entre as maiores quedas do dia após o banco Santander ter rebaixado a recomendação das ações de neutra para venda.
Entre os principais pesos pesados do índice, o desempenho dos bancos foi irregular. As ações da Petrobras (PETR4; PETR3) voltaram a ser pressionadas pela performance do petróleo. Da mesma forma, a ação da Vale (VALE3) que havia registrado uma sequência de ganhos, teve uma queda na sessão, influenciada pelo desempenho do minério de ferro e uma maior aversão ao risco no cenário global. Apesar da retração, as ações da mineradora mantiveram-se acima de R$ 60 [cotadas a R$ 60,30 no dia], representando o maior nível desde janeiro de 2024.
Desempenho nos Mercados Externos
Os índices da Wall Street encerraram a sessão em queda, evidenciando uma nova onda de aversão ao risco por parte dos investidores em relação ao setor bancário norte-americano. O banco regional Zions Bancorp anunciou uma baixa contábil de US$ 50 milhões para equilibrar dois empréstimos que foram concedidos a mutuários que estão enfrentando ações judiciais. O comunicado foi feito na noite anterior pelo banco.
Adicionalmente, o Western Alliance, também um banco regional, informou que apresentou uma ação judicial contra um de seus tomadores de crédito, o Cantor Group V, alegando que a empresa cometeu fraude. Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, em uma declaração, afirmou que “o receio de que empréstimos de alto risco, conhecidos como sour loans, estivessem se acumulando nos balanços de instituições como os bancos regionais e a Jefferies gerou uma forte liquidação das ações do setor financeiro. Essa incerteza resultou em um aumento imediato da aversão ao risco global, refletindo o nervosismo do mercado em relação ao possível impacto de calotes em um cenário de endividamento crescente entre consumidores e empresas nos Estados Unidos”.
No cenário político, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manteve conversas telefônicas com o mandatário russo, Vladimir Putin, para discutir o fim da guerra na Ucrânia. Ademais, a paralisação do governo federal, conhecida como shutdown, chegou ao seu 16º dia, sem perspectivas de que um acordo entre republicanos e democratas no Congresso seja alcançado. Ao final do pregão de quinta-feira, os índices de Wall Street apresentaram os seguintes fechamentos:
- Dow Jones: -0,65%, aos 45.952,24 pontos;
- S&P 500: -0,63%, aos 6.629,07 pontos;
- Nasdaq: -0,47%, aos 22.562,53 pontos.
Performance nos Mercados Europeus e Asiáticos
Na Europa, os mercados encerraram a sessão em alta, impulsionados por um resultado político favorável na França e uma valorização das ações da Nestlé. O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em alta de 0,69%, registrando 571,66 pontos, o que representa o maior nível desde março deste ano. Em relação à Ásia, os índices terminaram o pregão sem uma direção clara. Entre os principais índices asiáticos, o Nikkei, do Japão, subiu 1,27%, fechando a 48.277,74 pontos; enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, teve uma leve queda de 0,09%, encerrando o dia em 25.888,51 pontos.
Fonte: www.moneytimes.com.br