BC Protege+ mostra corrida por segurança financeira
O avanço do BC Protege+, uma ferramenta introduzida em dezembro de 2025 com o objetivo de bloquear a abertura de contas em nome de cidadãos, chamou a atenção do público. O Banco Central registrou até a quinta-feira, dia 15, 716 mil ativações e projeta alcançar a marca de 1 milhão até o final do mês, o que é sustentado por um ritmo de adesões diárias de aproximadamente 18 mil. Este contexto se insere em uma preocupação crescente com fraudes e golpes, além de reforçar a agenda de integridade do sistema financeiro, que pode ter um impacto indireto na confiança bancária da população.
Reag, Master e o custo reputacional para o sistema financeiro
No que se refere ao risco doméstico, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF DTVM, anteriormente conhecida como Reag Trust DTVM, devido a descumprimentos de normas legais e prudenciais. Este caso está ligado a investigações da Polícia Federal, que incluem a Operação Compliance Zero e o contexto envolvendo o Banco Master. Uma interpretação jurídica que ganhou destaque nos noticiários é a segregação patrimonial dos fundos, onde o dinheiro pertencente aos cotistas não se mistura com os recursos da administradora. Contudo, tanto resgates quanto aplicações estão em situação de “congelamento operacional” até que o liquidante convoque uma assembleia para realizar a transferência dos ativos para outra administradora. O próprio Banco Central classificou a CBSF DTVM no segmento S4, o que indica um baixo risco de contágio para o sistema financeiro como um todo.
PGR, STF e a timeline longa que mantém incerteza no preço
A Reuters noticiou que a Procuradoria Geral da República (PGR) pode levar de quatro a seis meses para analisar o material em relação ao Banco Master. Essa análise envolve quebras de sigilo de 101 pessoas físicas e jurídicas, além de itens que foram apreendidos em 42 endereços. O ministro Dias Toffoli prorrogou o inquérito por mais 60 dias a pedido da PF. Paralelamente, a divulgação de investimentos relacionados ao círculo de Daniel Vorcaro em um resort vinculado a familiares de Toffoli gerou pressões políticas por uma CPI e demandas para que o ministro declare impedimento, acrescentando um ruído institucional que usualmente eleva o prêmio de risco e favorece posições defensivas no mercado.
Tesouro mostra conta crescente de garantias honradas
Em relação à situação fiscal, o Tesouro Nacional informou que a União pagou R$ 11,1 bilhões em dívidas atrasadas de estados e municípios em 2025, atuando como garantidora em operações de crédito. Desde 2016, o total honrado alcança R$ 86,52 bilhões, com apenas R$ 5,7 bilhões recuperados até o momento. Entre os estados, os valores mais altos correspondem ao Rio de Janeiro (R$ 4,69 bilhões), Minas Gerais (R$ 3,55 bilhões) e Rio Grande do Sul (R$ 1,59 bilhão), além de Goiás (R$ 888 milhões) e Rio Grande do Norte (R$ 226 milhões). Essa situação serve como um lembrete importante para o mercado: o risco subnacional frequentemente se transfere para o balanço da União, gerando preocupações com a sustentabilidade fiscal.
Indústria automotiva cresce, mas abaixo do sonhado
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou que a produção de veículos atingiu 2,644 milhões em 2025, representando um crescimento de 3,5% em relação a 2024, quando foram produzidos 2,553 milhões. Esse crescimento ficou abaixo da projeção inicial de 7,8% da entidade. A produção foi impulsionada pelo segmento de veículos leves, enquanto a produção de veículos pesados registrou uma queda de 9,9%. No campo das exportações, o resultado foi surpreendente: 528.827 unidades em 2025, contra 400.238 unidades em 2024, o que representa um aumento de 32,1%. A Argentina, por exemplo, importou 302.572 veículos, registrando um aumento de 85% em relação ao ano anterior. No setor de importações, foram 497.765 veículos, o maior volume em 11 anos, sendo que a China respondeu por 37,6% desse total, com 187.327 unidades, em comparação com 200.335 da Argentina. A questão dos kits CKD e SKD e das cotas de US$ 463 milhões, que estão isentas de impostos até janeiro de 2026 (ou até que se esgotem), continua a ser um ponto de tensão, pois traz riscos de “empobrecimento” da cadeia local. Para 2026, a Anfavea projeta um crescimento de 3,7%, embora o otimismo seja contido.
Safra recorde em 2025 e ajuste projetado para 2026
No agronegócio, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estimou uma safra recorde de 346,1 milhões de toneladas em 2025, o que representa um aumento de 18,2% em comparação a 2024, onde a produção foi de 292,7 milhões de toneladas. Para 2026, a terceira estimativa aponta uma produção de 339,8 milhões de toneladas, com uma queda de 1,8% (equivalente a menos 6,3 milhões de toneladas) em relação ao recorde, embora o número seja 1,2% superior à estimativa anterior, representando um acréscimo de 4,2 milhões de toneladas. A soja e o milho permanecem como os principais produtos impulsionadores da safra: a soja deve alcançar 166,1 milhões de toneladas (+14,6% em 2025) e o milho 141,7 milhões de toneladas (+23,6%). Para 2026, a soja deve crescer 2,5%, enquanto a produção de milho deve recuar 6% (menos 8,5 milhões de toneladas), impactando as expectativas em torno da inflação dos alimentos, da balança comercial e das empresas do setor agropecuário.
Exterior: Fed, indústria dos EUA e o pano de fundo geopolítico
No cenário internacional, a produção industrial dos Estados Unidos cresceu 0,2% em dezembro, impulsionada por metais primários, apesar da queda na montagem de veículos. O índice Dow Jones caiu 83,11 pontos, ou 0,17%, para 49.359,33 pontos; o Nasdaq recuou 14,63 pontos, ou 0,06%, para 23.515,39 pontos; e o S&P 500 teve uma leve queda de 4,46 pontos, ou 0,06%, fechando em 6.940,01 pontos. Na semana, o Nasdaq, que tem uma forte presença de empresas de tecnologia, caiu 0,7%, enquanto o S&P 500 e o Dow Jones recuaram 0,4% e 0,3%, respectivamente.
As bolsas de valores da região Ásia-Pacífico apresentaram um desempenho misto na sexta-feira. O índice Nikkei 225 do Japão e o índice Shanghai Composite da China caíram 0,3%, enquanto o Kospi da Coreia do Sul registrou um aumento de 0,9%.
No entanto, os principais mercados europeus fecharam em baixa. O índice francês CAC 40 caiu 0,7%, o alemão DAX diminuiu 0,2% e o britânico FTSE 100 teve uma leve queda de 0,1%.
Trump, Groenlândia e a precificação do risco político global
O risco geopolítico ganhou uma nova dimensão com as ameaças de Donald Trump de impor tarifas a países que não apoiem seu plano de aquisição da Groenlândia. Ele justificou sua posição citando a “segurança nacional” e o projeto denominado “Domo de Ouro”. A resposta europeia à situação incluiu o envio de tropas por diversos países, como Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia, a pedido da Dinamarca. A Casa Branca, por sua vez, indicou que essa mobilização não alterará a intenção do presidente. Para os mercados emergentes, esse tipo de instabilidade tende a resultar em uma maior volatilidade, uma vez que eleva a busca por proteção em dólar e pode pressionar as commodities devido ao prêmio de risco elevado.
Petróleo sobe com manchetes, mas 2026 pode continuar “cheio” de oferta
No que diz respeito ao petróleo, houve uma recuperação nos preços: o WTI para fevereiro fechou a US$ 59,44, com um aumento de 0,42%, enquanto o Brent para março terminou a US$ 64,13, com uma alta de 0,58%. Ao longo da semana, observaram-se avanços de 0,54% e 1,25%, respectivamente. O mercado reagiu a tensões no Oriente Médio, além de informações ligadas aos EUA e Irã, mas instituições como a Fitch acreditam que 2026 será marcado por uma superoferta, o que tende a limitar a elevação dos prêmios geopolíticos. Para o Ibovespa, essa situação apresenta um cenário ambíguo: altos preços podem sustentar as petroleiras no curto prazo, mas um cenário de petróleo “estagnado” devido ao excesso de oferta reduz a clareza sobre potenciais altas estruturais.
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Fonte: br.-.com