Bolsa pode valorizar com ajuste fiscal em 2027, mas eleição deve trazer volatilidade, diz Ágora
O economista-chefe da corretora Ágora, Dalton Gardimam, aponta que setembro deverá trazer alterações de posicionamento e oscilações no mercado financeiro.
Reação do Mercado
O Ibovespa registrou uma queda de 0,95% nesta semana, atingindo 183.476,86 pontos, após dois dias de alta e três de queda. Os principais fatores que influenciaram o comportamento da Bolsa incluem a inflação acima do esperado, indícios sobre a movimentação dos juros no Brasil e nos Estados Unidos, além de novas pesquisas eleitorais que mostram um empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Flutuação na Semana
O índice começou a semana com uma alta de 0,76%, beneficiado pela diminuição nos preços do petróleo e pela expectativa de avanços nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã. Na terça-feira, a Bolsa avançou mais 0,44%, embora tenha apresentado um pregão volátil.
A mudança de tendência ocorreu na quarta-feira, quando o Ibovespa recuou 0,86%, mesmo com as ações da Petrobras apresentando um aumento superior a 2,5%. Esse movimento de queda foi impulsionado, principalmente, por dados vindos de Nova York, onde um índice que avalia o desempenho do setor industrial e de serviços nos Estados Unidos (PMI) apresentou resultados mais fortes do que o esperado, indicando uma economia ainda aquecida. Além disso, as pesquisas eleitorais passaram a ter um peso maior sobre os ativos no mercado doméstico, enquanto o preço do petróleo voltou a subir.
Aversão ao Risco
Na quinta-feira, a aversão ao risco se intensificou: o índice caiu 0,99%, pressionado pela alta do petróleo, pelo aumento dos juros americanos e pelas preocupações relacionadas à inflação e à situação das contas públicas. O Banco Central anunciou uma redução na projeção de crescimento do PIB para 2026, passando de 2% para 1,8%. O Relatório de Política Monetária também indicou que há pouco espaço para novos cortes mais agressivos da Selic.
Divulgada na noite de quinta-feira (24), a pesquisa do Datafolha revelou que Lula possui 47% das intenções de voto, enquanto Flávio acumula 45% em uma simulação de segundo turno. Como a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, isso significa que ambos os candidatos estão tecnicamente empatados.
Na sexta-feira, o IPCA-15 subiu 0,70% em setembro, superando a mediana de 0,53% que era esperada pelo mercado. Nesse dia, o Ibovespa fechou o pregão com uma queda de 0,27%.
As maiores altas do Ibovespa na semana
Magazine Luíza (MGLU3): +15,56%, R$ 6,30
As ações da Magazine Luíza tiveram um aumento de 15,56% na semana, posicionando-se como as que mais valorizaram no Ibovespa nesse período. No acumulado deste mês, as ações apresentam uma alta de 40,54%, mas, no total do ano, acumulam uma queda de 23,70%.
Azzas (AZZA3): +14,55%, R$ 14,50
As ações da Azzas subiram 14,55% na semana. No mês, suas ações acumulam uma alta de 10,23%, mas no ano a desvalorização é de 34,90%.
Vamos (VAMO3): +12,17%, R$ 3,86
As ações da Vamos registraram uma valorização de 12,17% na semana. No acumulado do mês, as ações sobem 29,43%, ao passo que, desde o início do ano, apresentam uma alta de 20,19%.
As maiores quedas do Ibovespa na semana
Natura (NATU3): -10,33%, R$ 7,20
As ações da Natura caíram 10,33%, sendo as mais afetadas no Ibovespa nessa semana. No acumulado deste mês, suas ações desvalorizam 18,54%, e no total do ano, a queda é de 4,43%.
RaiaDrogasil (RADL3): -10,23%, R$ 18,45
A RaiaDrogasil viu suas ações caírem 10,23% na semana. Considerando o mês, a queda acumulada é de 7,35%, enquanto no ano o valor das ações diminuiu em 21,59%.
CSN Mineração (CMIN3): -9,34%, R$ 4,98
As ações da CSN Mineração apresentaram uma queda de 9,34% na semana. No mês, o recuo é de 16,39%, e, desde o início do ano, a desvalorização chega a 5,17%.
Fonte: www.estadao.com.br
