Análise do Mercado de Ações
O mercado de ações da bolsa de valores brasileira apresentou um pregão nesta quinta-feira, 29 de janeiro, marcado por ajustes e realização de lucros. O índice Ibovespa encerrou o dia com uma alta de 0,84%, alcançando 183.133 pontos, após devolver parte dos ganhos observados na abertura. Esse movimento pode ser interpretado como uma correção técnica, considerando que o índice havia recentemente ultrapassado a marca de 186 mil pontos.
Volume Financeiro e Comportamento do Índice
O volume financeiro do dia destacou-se, totalizando R$ 28,3 bilhões, valor que supera significativamente a média móvel dos últimos 50 pregões, que é de R$ 18,9 bilhões. Esse número reflete uma forte atuação tanto de investidores locais quanto de estrangeiros. O comportamento do índice acompanhou o tom negativo observado nos mercados externos. Além disso, o contrato futuro do Ibovespa também passou por ajustes, evidenciando um ambiente de cautela para o curto prazo.
Fatores Influentes no Mercado
Os movimentos do mercado foram inflenciados por uma combinação de fatores internos e externos. No cenário doméstico, destacou-se a sinalização do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre uma possível iniciação do ciclo de cortes na taxa de juros a partir de março. Essa sinalização foi considerada de um tom mais dovish, o que abriu espaço para debates acerca da magnitude da flexibilização, sendo discutidas quedas entre 25 e 50 pontos-base.
Além disso, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostraram o fechamento de 618,1 mil vagas formais em dezembro, indicador significativamente pior do que o esperado. Este resultado reforça a percepção de uma desaceleração no mercado de trabalho, aumentando a sensibilidade dos ativos aos próximos indicadores econômicos.
Ambiente Internacional
No âmbito internacional, a sessão negativa em Wall Street exerceu pressão sobre os ativos de risco no Brasil. O índice do Dólar DXY recuou 0,15%, o que favoreceu moedas emergentes e ajudou a limitar movimentos mais defensivos no mercado local. No campo geopolítico, as tensões entre os Estados Unidos e o Irã sustentaram uma alta nos preços do petróleo. Em contraste, o minério de ferro apresentou uma queda, resultado de ajustes nos contratos negociados em Dalian, refletindo cautela em relação à demanda chinesa.
Movimentações no Setor Corporativo
O noticiário corporativo registrado ao longo do dia foi caracterizado por fortes oscilações. Entre as ações que apresentaram as maiores quedas percentuais no Ibovespa, destacaram-se a Metalúrgica Gerdau PN, com uma perda de 5,13%, a Usiminas PNA, que caiu 4,88%, e a Suzano ON, com uma diminuição de 4,64%. Entre os principais detratores do índice, estiveram o BTG Pactual UNIT, a Embraer ON e a Rede D’Or ON. Em contrapartida, o destaque positivo foi o Nubank, que anunciou ter obtido aprovação condicional para operar como banco nos Estados Unidos, o que reforça sua estratégia de expansão internacional e foi bem recebido pelos investidores.
Reação do Mercado de Juros Futuros
O mercado de juros futuros da B3 demonstrou uma reação positiva em resposta à sinalização do Banco Central. Os vértices da curva de juros encerraram o dia com quedas que variaram de até 9,5 pontos-base. Observou-se maior alívio nos contratos de médio e longo prazo, refletindo as expectativas de início do ciclo de cortes na taxa básica de juros. Os contratos futuros de juros mais negociados apresentaram recuos consistentes, enquanto o Tesouro Nacional conseguiu colocar integralmente uma oferta ampliada de Letras do Tesouro Nacional (LTNs) e de Notas do Tesouro Nacional série F (NTN-Fs), enfatizando a interpretação do mercado de um maior conforto diante do cenário fiscal e monetário.
O foco do mercado agora se volta para a intensidade do possível corte de juros em março, sendo os próximo dados econômicos de extrema importância para a avaliação do cenário. Assim, a atenção dos investidores se concentra na evolução das indicações econômicas que surgirão nos próximos dias.
Fonte: br.-.com