Iene sofre desvalorização devido à possível intervenção no câmbio

Iene sofre desvalorização devido à possível intervenção no câmbio

by Editoria Bolsa e Mercado
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Desvalorização do Iene Japonês

O iene japonês apresentou uma queda nesta segunda-feira, dia 21 de outubro, marcando sua quinta desvalorização em seis sessões consecutivas. Os investidores permanecem atentos a quaisquer sinais que possam indicar uma possível intervenção cambial, enquanto o dólar americano apreciou-se, refletindo as expectativas do mercado em relação à futura trajetória das elevações nas taxas de juros nos Estados Unidos.

Os participantes do mercado estavam em estado de alerta para qualquer indício de que Tóquio poderia estar intervindo no mercado cambial. Isso se deveu ao feriado de três dias nos mercados japoneses, o que resultou em uma menor liquidez, aumentando a possibilidade de oscilações significativas nas taxas de câmbio.

Neste cenário, o iene (JPY) sofreu uma desvalorização de 0,38% em relação ao dólar, fechando em 157,48 por dólar.

Aumento das Taxas de Juros pelo Banco do Japão

Na última sexta-feira, o Banco do Japão (BOJ) aumentou as taxas de juros para o nível mais alto em 31 anos, alcançando 1,25%. No entanto, a presença de dois votos contrários à decisão e a ausência de uma orientação mais rigorosa geraram relutância nos investidores em relação à compra da moeda japonesa.

Após o anúncio da elevação das taxas de juros, o iene apresentou uma queda acentuada, seguida por uma leve recuperação, quando um relatório do jornal Nikkei indicou que autoridades japonesas estavam realizando verificações na taxa de câmbio, prática frequentemente associada a uma possível intervenção cambial.

“Com o Japão em feriado, as pessoas recordam o que ocorreu no final de abril e início de maio, quando também estiveram de férias e houve uma intervenção”, comentou Marc Chandler, estrategista-chefe de mercado da Bannockburn Capital Markets, localizado em Nova York. Ele acrescentou: “Não acredito que uma intervenção em 157 ou 157,5 seja muito provável.”

Chandler ainda observou que “os mercados estão um pouco nervosos. Chegamos a ver o iene em meados de 158, então acredito que estamos dentro de uma faixa de oscilação, desde que as taxas de juros dos EUA permaneçam firmes. Apesar da queda nos preços do petróleo, eles ainda se encontram relativamente altos, e os EUA continuam sendo a opção menos desfavorável na disputa”.

Política Monetária e O aumento das Taxas de Juros

Além das ações do BOJ, tanto o Federal Reserve quanto o Banco Central Europeu também elevaram as taxas de juros neste mês. Ambas as instituições alertaram que podem ser necessárias medidas adicionais de aperto monetário para combater a inflação, um desafio que é, em parte, impacto da guerra no Oriente Médio, que já dura quase sete meses.

Esses fatores estão impulsionando a valorização do dólar, influenciado pela expectativa de mais aumentos nas taxas de juros. O índice do dólar (USD), que mede o valor da moeda americana em comparação com uma cesta de moedas que inclui o iene e o euro, subiu 0,13%, alcançando a marca de 100,40, após ter registrado um aumento de 1,1% na semana anterior, seu maior avanço semanal desde o início de junho.

Com relação ao panorama de aumento das taxas de juros, o CME FedWatch informa que os investidores estão precificando uma probabilidade de 55,4% de uma elevação de pelo menos 25 pontos-base na reunião de outubro do Federal Reserve, cifra que representa um aumento em relação aos 43,5% observados na semana anterior.

O presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, declarou na segunda-feira que a inflação nos Estados Unidos pode ter superado os efeitos dos choques tarifários e nos preços da energia dos últimos 18 meses. Ele ressaltou que atualmente a inflação é impulsionada também por uma demanda robusta, o que poderia exigir um ritmo mais acelerado de aumento nas taxas de juros por parte do Federal Reserve.

Referindo-se à necessidade de uma política monetária mais agressiva, o presidente do Fed de St. Louis, Alberto Musalem, afirmou que poderá ser necessário um aumento adicional nas taxas de juros do Fed para reduzir a inflação, que é resultado tanto da forte demanda quanto dos choques nos preços das commodities, que se estendem para além do setor petrolífero.

Influência nas Principais Moedas

O euro (EUR) caiu 0,14%, atingindo a cotação de US$ 1,1467, após o partido de extrema-direita AfD (Alternativa para a Alemanha) conquistar o primeiro lugar nas eleições estaduais realizadas no nordeste da Alemanha no último domingo. Esta situação trouxe implicações significativas para o partido conservador, liderado pelo chanceler Friedrich Merz, que enfrentou sua pior derrota eleitoral regional desde o período pós-guerra.

A libra esterlina (GBP) também apresentou uma desvalorização de 0,18%, encerrando em US$ 1,3369.

O iene havia registrado sua maior valorização nos últimos sete meses, com taxas abaixo de 153 no início de setembro. Isso ocorreu à medida que os investidores começaram a antecipar um aumento mais acelerado nas taxas de juros do Banco do Japão, além dos primeiros indícios de repatriação de capital por parte dos japoneses. No entanto, desde então, a moeda recuou.

O dólar (CNH) diminuiu em 0,03%, alcançando 6,693 em relação ao yuan chinês, que é negociado fora da China. Este movimento ocorre antes da cúpula programada para esta semana em Washington, onde estarão presentes o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping.

Por fim, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou na segunda-feira que altos funcionários dos EUA e da China deverão se reunir novamente em aproximadamente dois meses na cidade de Shenzhen, na China, para debater os riscos associados à inteligência artificial e os protocolos de comunicação relevantes.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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