Indicação de ministro de Lula provoca revolta entre conselheiros; crise se intensifica em um ano para se esquecer.

Indicação de ministro de Lula provoca revolta entre conselheiros; crise se intensifica em um ano para se esquecer.

by Ricardo Almeida
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Tupy: Desafios e Incertezas

Investidores da Tupy (TUPY3) aguardam ansiosamente o fim de 2025. A companhia tem enfrentado uma série de dificuldades, incluindo disputas políticas, queda nos resultados, renegociação de dívidas e, para completar, os efeitos das tarifas impostas pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Queda Acentuada no Ano

Devido a esses fatores, as ações da Tupy acumulam uma queda de 44% no ano. Aproximadamente às 15h, os papéis atingiram a mínima do dia, recuando 2,45%, e sendo cotados a R$ 11,92. Este preço é equivalente aos patamares observados em 2020.

Mudanças no Conselho de Administração

Recentemente, um novo ruído surgiu em relação ao conselho de administração. Em uma ata publicada, o presidente do colegiado, Jaime Luiz Kalsing, expressou sua consternação pela renúncia de Marcio Bernardo Spata. Para seu lugar, a BNDESPar — braço de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que possui cerca de 30% da Tupy — indicou José Múcio Monteiro Filho, atual ministro da Defesa. Essa mudança levantou preocupações sobre a possibilidade de ingerência política na companhia.

Kalsing enfatizou que o momento atual exige um esforço conjunto de todos para a execução dos projetos em andamento. Adicionalmente, ele considerou inadequado o processo de substituição de membros do colegiado em meio aos respectivos mandatos.

Tiago Cesar dos Santos também foi indicado para integrar o conselho fiscal, ocupando a vaga deixada por Marcos Alberto Pereira Motta.

Protesto de Conselheiro

Mauro Cunha fez uso da palavra para manifestar seu descontentamento em relação à mudança de membros do conselho — e foi atendido. Na ata, Cunha expressou surpresa e decepção com a renúncia de Spata.

Ele ressaltou que essa não é uma ocorrência nova, referindo-se a eventos semelhantes de 2023, quando funcionários do BNDES que ocupavam cargos no conselho renunciaram para acomodar indicações políticas. Tal comportamento resultou em um impacto dramático no preço das ações na época.

A recente indicação do ministro da Defesa para o colegiado não é a primeira feita pelo governo Lula, pois outros ministros ocuparam assentos na Tupy nos últimos anos. Cunha alertou que esses acontecimentos se repetem em um momento crítico, quando a companhia enfrenta a deterioração dos resultados.

Cunha também comentou que, embora compreenda as exigências de seu empregador, o comportamento de Spata não deveria se sobrepor aos deveres fiduciários que ele possui enquanto conselheiro e administrador da Tupy. Ele observou que a renúncia, motivada exclusivamente por razões políticas, contraria os deveres fiduciários estabelecidos pela Lei 6.404/76 e poderá ocasionar danos adicionais à Tupy em uma fase crítica.

Críticas à Nova Indicação

O conselheiro mencionou que não possui objeções pessoais ao nome indicado, mas levantou preocupações sobre a falta de experiência técnica. De acordo com Cunha, não há evidências que sugiram que o novo indicado traga valor aos desafios enfrentados pelo conselho neste momento, caracterizando-se apenas como uma indicação política.

Cunha acrescentou que a companhia sofrerá um impacto financeiro imediato, já que o antigo conselheiro renunciou ao seu pagamento, uma prática que, segundo ele, não se deve repetir com o novo indicado. Assim, a Tupy enfrentará um aumento imediato de custos sem a adição necessária de valor.

Ações Legais

Cunha informou que tomará providências e fará uma denúncia junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) contra Marcio Spata, acusando-o de violar o dever fiduciário ao renunciar para facilitar uma indicação política que prejudica a companhia. Ele também se reservou o direito de adotar outras medidas que achem necessárias para proteger a empresa, como se opor a deliberações que possam respaldar uma indicação política, que prejudica a companhia.

Posicionamento do BNDES

Em resposta ao que foi levantado, o BNDES Par declarou, em nota enviada ao Money Times, que a indicação de líderes de setores público e privado para os conselhos de administração das empresas em que investe visa garantir experiência nas decisões estratégicas, mantendo em consideração os interesses do BNDES e de seu controlador. As indicações seguem normas legais aplicáveis ao mercado financeiro e estão alinhadas com as melhores práticas de governança corporativa, promovendo a diversidade no conselho.

O BNDES ressaltou que a indicação de José Múcio é de um profissional com ampla e reconhecida experiência em gestão. Engenheiro civil e ex-ministro, Múcio possui um histórico de cargos importantes, incluindo sua atuação como presidente do Tribunal de Contas da União (TCU) e deputado federal em cinco mandatos.

Ano Difícil para a Tupy

No mês de março, a Tupy já havia enfrentado mudanças significativas, com a troca na liderança executiva. Fernando Rizzo deixou a posição de CEO para dar lugar a Rafael Lucchesi. Rizzo é considerado um dos responsáveis pela recuperação e reestruturação da companhia nos anos anteriores.

A escolha de Lucchesi, que não contava com experiência prévia na Tupy, foi questionada por acionistas minoritários, que apontaram um possível viés político na indicação, visto que ele possui conexões com o BNDES. Em uma entrevista, Camilo Marcantonio manifestou sua opinião de que a trajetória profissional de Lucchesi não era típica de um executivo de uma empresa do setor industrial.

Desempenho Insatisfatório

No contexto de múltiplas dificuldades, a Tupy também tem registrado resultados financeiros abaixo das expectativas. Um relatório recente da XP indicou que a empresa enfrentou mais um trimestre desafiador, com um Ebitda ajustado de R$ 165 milhões, o que representa uma queda de 51%.

A empresa continua lidando com um cenário de demanda dificultosa, que inclui incertezas macroeconômicas e taxas de frete reduzidas. Essa situação tem impactado negativamente a demanda por veículos comerciais, principalmente nos Estados Unidos.

Embora a XP considere improvável uma recuperação no curto prazo, a empresa sinalizou que as iniciativas de reestruturação poderão começar a gerar melhorias a partir de 2026, na medida em que a Tupy se adapta a uma expectativa de volumes menores.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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