Indústria brasileira apresenta o pior desempenho em um ano e meio em dezembro, encerrando 2025 em desaceleração.

Desaceleração da Indústria Brasileira em 2025

A indústria brasileira enfrentou uma forte desaceleração em 2025, ano caracterizado por juros restritivos e tarifas elevadas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O ano terminou com o desempenho mensal mais fraco em quase um ano e meio, registrado em dezembro.

Crescimento da Produção Industrial

A produção industrial obteve um crescimento de 0,6% em 2025, marcando o terceiro ano consecutivo de alta. Esse crescimento foi, em grande parte, sustentado pela indústria extrativa. No entanto, foi uma forte desaceleração em relação ao crescimento de 3,1% observado em 2024.

De acordo com os dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção em dezembro apresentou uma retração de 1,2% em comparação a novembro, a maior queda desde julho de 2024, quando a produção havia caído 1,5%. Em comparação ao mesmo mês do ano anterior, houve um avanço de 0,4%. Apesar disso, a produção industrial permanece 16,3% abaixo do nível recorde que foi alcançado em maio de 2011.

Os resultados de dezembro foram significativamente mais fracos do que as expectativas de uma pesquisa realizada pela Reuters com economistas, que previam uma queda de 0,7% em relação ao mês anterior e uma alta de 1,1% em relação ao ano anterior.

A Guerra contra a Inércia

O ano de 2025 foi marcado pela apatia na indústria brasileira, que apresentou resultados próximos a zero ou iguais a zero em quase todos os meses, devido principalmente à política monetária restritiva. Segundo André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE, “ao longo de 2025, verificou-se uma clara perda de ritmo. Esse menor dinamismo está diretamente relacionado à política monetária mais restritiva, que impacta as decisões de investimento das empresas e o consumo das famílias”.

A taxa básica de juros, a Selic, encerrou o ano anterior em 15% e foi mantida nesse patamar pelo Banco Central de janeiro. Apesar disso, a autarquia indicou que iniciará um ciclo de cortes a partir de março.

Fatores Econômicos e Tarifas

Uma parte da apatia enfrentada pela indústria foi atenuada pela força do mercado de trabalho, que resultou em aumento da renda. Entretanto, o aumento das tarifas sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos, que atingiu 50% em agosto, teve um impacto significativo, embora tenha havido recuos nas tarifas posteriormente.

Perspectivas para 2026

André Valério, economista sênior do Inter, avaliou que “com a proximidade do início da flexibilização da política monetária, o setor deverá ter um ano de 2026 menos ruim, mas a tendência de desaceleração deve permanecer pelo primeiro semestre do ano”.

Setores em Destaque

O levantamento do IBGE apontou que o destaque em 2025 foram os avanços das indústrias extrativas, que cresceram 4,9%, e dos produtos alimentícios, que apresentaram um crescimento de 1,5%. Macedo observou que “o setor extrativo, especialmente impulsionado pelo petróleo, é o principal destaque positivo. É o que garante o avanço do total do setor industrial”.

Por outro lado, a produção de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis registrou uma queda de 5,3%, o que exerceu a maior influência sobre o resultado geral.

Performance das Categorias Econômicas

Entre as diversas categorias econômicas, bens de consumo duráveis (2,5%) e de bens intermediários (1,5%) tiveram resultados positivos no ano. Já os produtores de bens de consumo semi e não duráveis (-1,7%) e de bens de capital (-1,5%) apresentaram taxas negativas.

No mês de dezembro, os dados mostraram um perfil disseminado de taxas negativas, sendo que as principais influências negativas vieram de veículos automotores, reboques e carrocerias, que caíram 8,7%, além de produtos químicos (-6,2%) e metalurgia (-5,4%).

Macedo, do IBGE, destacou que “os veículos exemplificam muito bem essa perda de tração da indústria, já que essa atividade depende bastante de crédito e os juros têm um impacto significativo no setor”.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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