Aumento de Tarifas de Aço na União Europeia
A decisão da União Europeia de aumentar as tarifas sobre o aço e reduzir significativamente as cotas de importação gerou preocupações generalizadas no Reino Unido, além de descontentamento entre os fabricantes de automóveis do continente europeu.
Novas Medidas da UE
Na terça-feira, o bloco anunciou planos para restringir as cotas isentas de tarifas para o aço importado, propondo uma redução de 47% em comparação com as cotas de aço de 2024. Além disso, as tarifas sobre quaisquer importações que excedam essas cotas subirão de 25% para 50%.
A Comissão Europeia afirmou que as medidas são uma resposta a pedidos de trabalhadores, da indústria e de vários Estados-membros para "oferecer proteção forte e permanente à indústria do aço da UE, com o objetivo de salvaguardar empregos na União Europeia e apoiar o setor em seus esforços de descarbonização." A proposta visa substituir a medida de salvaguarda do aço, que deve expirar até junho de 2026.
Impactos no Reino Unido
O aumento das tarifas gerou uma reação imediata no Reino Unido, onde a indústria do aço já enfrenta diversas dificuldades, incluindo o fechamento de fábricas e a consequente perda de milhares de empregos. Além disso, as tarifas de 25% sobre as exportações de aço para os Estados Unidos já estavam causando danos significativos.
"This is perhaps the biggest crisis the U.K. steel industry has ever faced," afirmou Gareth Stace, diretor-geral da UK Steel, na terça-feira.
O governo britânico precisa se empenhar para utilizar o relacionamento comercial com a União Europeia e garantir cotas para o Reino Unido, caso contrário, pode enfrentar uma situação desastrosa, adicionou Stace.
Preocupações dos Especialistas
Emily Sawicz, diretora e analista sênior da RSM UK, declarou ao CNBC que o anúncio da UE representa uma "ameaça significativa" para a indústria do aço britânica. “A UE é responsável por cerca de 80% das exportações de aço do Reino Unido, portanto, essas tarifas correm o risco de cortar o acesso ao maior e mais estrategicamente importante mercado do Reino Unido, num momento em que o setor já está sob imensa pressão devido à concorrência global e ao aumento dos custos de energia,” afirmou ela durante a edição "Europe Early Edition" do CNBC na quarta-feira.
Acompanhando o Exemplo
A ação da União Europeia segue uma tendência de tarifas sobre aço estrangeiro implementadas pelos Estados Unidos e Canadá, com o intuito de limitar as importações mais baratas, especialmente oriundas da China, que, segundo esses países, estariam prejudicando suas indústrias de aço domésticas. O presidente da gestão Trump elevou a tarifa sobre a maioria das importações de aço e alumínio de 25% para 50% este ano, enquanto o Canadá endureceu os limites de importação e instaurou uma sobretaxa de 25% sobre quaisquer importações de aço que foram originalmente fundidas e vertidas na China.
A China, por sua vez, rechaça as alegações de que está despejando aço barato em excesso no mercado global. Em sua declaração de terça-feira, a UE enfatizou que "a supercapacidade do aço é um problema global que requer ação conjunta e genuína por parte de todos os parceiros."
Relações Comerciais em Foco
Embora as tarifas tenham sido promovidas como uma forma de proteger as indústrias nacionais de aço, setores que dependem desse material, como a indústria automobilística, expressaram descontentamento com as novas cotas e tarifas.
O Reino Unido provavelmente buscará uma isenção da UE, e pode se sentir encorajado pelo fato de que Noruega, Islândia e Liechtenstein não estarão sujeitos às cotas tarifárias ou encargos de aço da UE, uma vez que fazem parte da Área Econômica Europeia (EEE). A Comissão também sinalizou uma disposição para isentar a Ucrânia das tarifas, observando que "os interesses de um país candidato que enfrenta uma situação de segurança excepcional e imediata, como a Ucrânia, também devem ser considerados na hora de decidir sobre a alocação das cotas, sem comprometer a eficácia da medida."
O Reino Unido não está na EEE, mas é um parceiro comercial próximo e aliado da UE. Após a divulgação do aumento das tarifas, o Primeiro-Ministro Keir Starmer afirmou que o governo está em conversações com a UE e os EUA a respeito das tarifas sobre o aço. Medidas retaliatórias podem não estar fora de questão, como observou o Ministro da Indústria britânico, Chris McDonald: "Continuamos a explorar medidas comerciais mais rigorosas para proteger os produtores de aço do Reino Unido contra comportamentos injustos." No entanto, ele acrescentou que "é vital protegermos os fluxos comerciais entre o Reino Unido e a UE e trabalharmos com nossos aliados mais próximos para enfrentar os desafios globais."
Reação da Indústria Automobilística
O anúncio da União Europeia não foi bem recebido em todos os segmentos do continente, com a Associação dos Fabricantes de Automóveis da Europa (ACEA) expressando que as novas medidas poderiam ameaçar a indústria automobilística nacional. A ACEA destacou que os fabricantes de automóveis europeus obtêm cerca de 90% de suas compras diretas de aço na UE e que estão "mais preocupados" com o impacto inflacionário que as restrições terão sobre os preços de mercado europeus.
"A drástica redução das cotas e a duplicação da tarifa para o excesso de cota para 50% reduzirão significativamente a possibilidade de aliviar a pressão no mercado europeu por meio de importações," disse a ACEA em um comunicado à imprensa.
Além disso, a ACEA mencionou que uma nova regra de origem baseada no princípio de "fundir e despejar" limitará ainda mais as importações e "criará um fardo administrativo maciço para os usuários europeus de produtos de aço importado." A Diretora-Geral da ACEA, Sigrid de Vries, declarou que a entidade reconhece a necessidade de algum nível de proteção para o setor do aço, mas acrescentou: "Sentimos que os parâmetros propostos pela Comissão vão longe demais em cercar o mercado europeu. Precisamos encontrar um melhor equilíbrio entre as necessidades dos produtores europeus e os usuários de aço nesta medida."
Fonte: www.cnbc.com