Inflação Anual na China
A inflação anual dos preços ao consumidor da China apresentou uma aceleração, alcançando o maior nível em 34 meses durante o mês de dezembro. Ao mesmo tempo, a deflação dos preços ao produtor continua, alimentando as expectativas do mercado sobre a necessidade de mais estímulos para apoiar uma demanda que se mostra fraca.
Desafios Econômicos
Os desequilíbrios na economia chinesa, que totaliza US$ 19 trilhões, se intensificaram ao longo do último ano. Isso ocorre mesmo com o crescimento que busca atingir a meta do governo de Pequim de "cerca de 5%" até 2025. Esse crescimento é sustentado por medidas de apoio econômico e pelo desempenho resiliente das exportações de bens.
A guerra comercial iniciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contribuiu para a persistente fraca demanda do consumidor, que se mantém como um obstáculo à confiança e ao crescimento econômico durante um período marcado por uma crise imobiliária prolongada.
Indicadores de Preços
Os dados publicados pelo Escritório Nacional de Estatísticas indicam que o índice de preços ao consumidor de dezembro teve um aumento de 0,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior, compatível com as expectativas de uma pesquisa da Reuters, e superior ao aumento de 0,7% registrado em novembro. Essa alta nos preços foi influenciada principalmente pelos aumentos de preços dos alimentos, em especial vegetais frescos e carne bovina.
Além disso, as compras de fim de ano, que antecederam o Ano Novo, juntamente com as políticas de apoio, contribuíram para a elevação dos preços ao consumidor.
Medidas Governamentais
As autoridades chinesas têm reafirmado seu compromisso em sustentar uma recuperação dos preços por meio de políticas monetárias, além de adotarem medidas para conter a concorrência excessiva. Elas prometeram, ainda, focar em aumentar a renda da população para estimular o potencial de consumo e melhor alinhar a oferta com a demanda no país.
No entanto, a recuperação da demanda ainda se mostra fraca. A economista-chefe do ING para a Grande China, Lynn Song, apontou que "apesar das expectativas de uma recuperação, a inflação continua relativamente baixa e não deve impedir um novo afrouxamento monetário este ano".
Tendências de Preços ao Consumidor
Durante o ano de 2025, o aumento dos preços ao consumidor se manteve em um patamar estável, permanecendo abaixo da meta de "cerca de 2%" que as autoridades tinham como objetivo. Esse cenário sinaliza que as medidas de estímulo, como um programa de troca de bens de consumo, apresentaram resultados modestos em termos de elevação da confiança e na contenção das pressões deflacionárias.
Na comparação mensal, os preços ao consumidor apresentaram alta de 0,2% em dezembro, em contraste com a queda de 0,1% observada no mês anterior e acima da previsão de um aumento de 0,1%.
Situação dos Preços ao Produtor
O índice de preços ao produtor registrou uma queda de 1,9% em dezembro, na comparação com o ano anterior, mantendo-se em uma situação deflacionária que já perdura por mais de três anos. Na pesquisa da Reuters, esperava-se uma queda de 2% para este indicador.
Analistas, como Dong, atribuem a moderação da deflação ao impacto de preços globais das commodities, incluindo a valorização de metais não ferrosos, além das políticas de controle de capacidade em setores chave da economia.
Ao longo do ano, os preços ao produtor caíram 2,6%, evidenciando uma tendência de queda persistente neste indicador econômico.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br