Inflação Brasileira
A inflação no Brasil deve registrar um crescimento de 0,32% em janeiro, acumulando um total de 4,43% nos últimos 12 meses. Este índice permanece dentro da faixa de tolerância estabelecida pela meta do Banco Central, que é de 3%, com uma margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. As informações são baseadas na mediana das projeções coletadas pelo Broadcast.
Divulgação do IPCA
O dado oficial referente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) será publicado na próxima terça-feira, dia 10, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), às 9h, no horário de Brasília.
Análise das Projeções
Conforme indicado por Júlio Barros, economista do Banco Daycoval, que projeta uma alta de 0,31% para janeiro, a pressão sobre a inflação deve advém do grupo de bens industriais. Este grupo deve incluir uma alta específica no preço do etanol. Além disso, o setor de alimentação em domicílio também influenciará a alta moderada, sendo este o segundo mês consecutivo em que a alimentação apresenta resultados positivos.
Luciano Costa, economista da Monte Bravo, também prevê um aumento de 0,35%. Costa ressalta que a alimentação é um dos principais responsáveis por essa alta, que inclui a pressão sazonal de alimentos. Entre os fatores que devem contribuir para essa elevação estão o aumento das tarifas de ônibus, a reversão dos descontos promovidos durante a Black Friday e o repasse do aumento do ICMS para os preços da gasolina.
Na estimativa mais alta, a Warren Investimentos projeta uma inflação de 0,37% no mês. Caso essa previsão se concretize, a inflação acumulada em 12 meses chegaria a 4,49%.
Sensibilidade dos Grupos de Preços
Em contrapartida, os serviços são esperados para apresentar um comportamento mais ameno, com destaque para a deflação nos preços de passagens aéreas. Costa também observa que a ativação da bandeira verde em janeiro, junto com a queda no custo de transporte por aplicativo e os seguros voluntários de veículos, devem compensar a pressão sobre o índice.
Em relação ao núcleo da inflação, que é um dado crucial considerado pelo Banco Central, a expectativa é de que os números apresentem menos pressão ao longo do tempo. A média das leituras subjacentes deve cair de 0,46% em dezembro para 0,40% em janeiro. Ademais, os núcleos deverão apresentar uma desaceleração em termos anuais, passando de 4,6% para 4,4% nesse mesmo período.
Desafios e Expectativas do Banco Central
Barros ressalta que, embora o nível elevado da inflação ainda represente um desafio significativo para o Banco Central, a perspectiva de redução é positiva para o atual cenário. O Comitê de Política Monetária (Copom) já sinaliza um possível corte na taxa de juros durante sua próxima reunião.
Ele afirma: “Como já prevíamos, o Banco Central deverá iniciar o ciclo de redução da taxa de juros em março. Contudo, nossa expectativa é que ocorra uma diminuição de 0,25%. Surpresas na divulgação de amanhã podem contribuir para intensificar as probabilidades de um corte mais expressivo.”
Costa complementa essa visão, considerando o novo cenário como propício para um corte de 50 pontos base na reunião do Copom em março, reduzindo a Selic para 14,5%.
Projeções para 2026
Para o ano de 2026, a mediana das projeções do Broadcast estimam uma inflação de 4%. As instituições consultadas para esta reportagem sinalizam uma expectativa de 3,8%, enquanto a Warren prevê uma alta de 4,20%.
Tabela de Projeções de IPCA
| Instituição | IPCA Jan/26 | IPCA 2026 |
|---|---|---|
| Mediana Broadcast | 0,32% | 4,00% |
| Banco Daycoval | 0,31% | 3,80% |
| Monte Bravo | 0,35% | 3,80% |
| Warren Investimentos | 0,37% | 4,20% |
Fonte: www.moneytimes.com.br