Inter prevê inflação mais baixa em 2023, mas corte da Selic somente em 2026

Inter prevê inflação mais baixa em 2023, mas corte da Selic somente em 2026

by Ricardo Almeida
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Revisão da Inflação pelo Inter

Uma semana após a divulgação positiva do IPCA-15, o Banco Inter ajustou para baixo suas previsões relativas à inflação para o final deste ano. O banco reavaliou as estimativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é a principal referência de inflação utilizada pelo Banco Central (BC), reduzindo de 4,70% para 4,60% em dezembro. Esta nova previsão está próxima do teto da meta, que é de 3%, considerando uma tolerância de 1,5 ponto percentual.

A projeção do Inter está em linha com as expectativas de mercado. De acordo com o último Relatório Focus, elaborado por economistas consultados pelo BC, a expectativa é de que o IPCA alcance 4,56% ao final de 2025.

Conforme relatou a economista-chefe Rafaela Vitória, “os dados mais recentes do IPCA-15 de outubro confirmam a tendência de desinflação, com uma diminuição nas medidas de núcleos e serviços. A média móvel de três meses anualizada da medida de núcleos está próxima de 2,9%, um patamar que se encontra dentro do intervalo da meta”.

O IPCA-15, que é visto como um indicador preliminar da inflação, apresentou um aumento de 0,18% em outubro, resultando em uma taxa acumulada de 4,94% em doze meses. A projeção do mercado indicava que o índice avançaria 0,24%, o que representaria uma taxa de 5%, respectivamente.

O Inter também revisou suas previsões de inflação para o final de 2026, ajustando de 4,1% para 4,0%, refletindo a mesma tendência observada no Relatório Focus divulgado na última segunda-feira, dia 27.

Perspectivas para a Taxa de Juros

A economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, afirmou que a expectativa é de que o Banco Central inicie um ciclo de cortes na taxa de juros, a Selic, apenas nos primeiros meses de 2026. Contudo, há a possibilidade de que uma flexibilização monetária ocorra ainda neste ano.

Vitória mencionou que “Apesar de identificarmos a possibilidade de redução da Selic a partir de 2025, os membros do Copom continuam a adotar um discurso rígido, o que contribui para a manutenção das expectativas de mercado em relação à manutenção do atual patamar de 15% por um período mais prolongado”.

O Banco Inter considera “plausível” a possibilidade de um corte de 3 pontos percentuais na Selic, levando a taxa para 12% ao ano no próximo ciclo de afrouxamento monetário.

Esse “espaço” para a redução da taxa de juros considera o elevado nível de restrição da atual política monetária, bem como o cenário de desaceleração da atividade econômica, mesmo diante da perspectiva de uma nova expansão fiscal em 2026 e um aumento projetado do déficit abaixo da linha, que deve subir de cerca de R$ 50 bilhões para R$ 110 bilhões no próximo ano.

Dados sobre Atividade Econômica

De acordo com Rafaela Vitória, os indicadores de atividade econômica referentes ao terceiro trimestre de 2025 confirmam a tendência de desaceleração da economia brasileira. Assim, a economista-chefe mantém a projeção de um Produto Interno Bruto (PIB) levemente negativo para o trimestre, com uma expectativa de crescimento anualizado de 1,4%. Para o ano de 2025, a previsão é de um crescimento de 2%, sustentado pelo desempenho positivo do primeiro semestre.

Para o ano de 2026, projeta-se uma desaceleração de 1,8%. Isso se deve, entre outros fatores, à manutenção da restrição monetária por um tempo maior e ao enfraquecimento do crédito, mesmo com sinais de que poderá haver um corte na Selic nos próximos meses.

As estimativas referentes ao déficit primário, que incluem o pagamento de precatórios e outros gastos fora da meta, foram mantidas em 0,4% do PIB para 2025 e 0,8% para 2026. Vitória destacou que, “apesar da arrecadação robusta, já observamos uma desaceleração no seu crescimento, enquanto a alta real dos gastos deve ficar próxima de 5% em 2026”.

Para a economista-chefe, a tendência de queda nos indicadores econômicos pode se manter no longo prazo, a menos que medidas mais efetivas sejam adotadas para controlar o crescimento das despesas obrigatórias. Isso inclui revisões nas políticas de aumento real do salário mínimo e vinculação dos gastos à receita.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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