Investidores podem estar excessivamente confiantes diante dos crescentes riscos, com o S&P 500 a menos de 4% de sua máxima.

Geopolítica e o Impacto nos Investimentos

Contexto Atual

O ano de 2026 tem sido marcado por instabilidade geopolítica, com eventos significativos ocorrendo na Venezuela, na Groenlândia e agora no Irã. No entanto, alguns analistas de Wall Street acreditam que os investidores não estão tão preocupados quanto deveriam em relação ao recente conflito. No início do ano, uma operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que incluiu a captura e destituição do líder do país, não refletiu uma grande pressão nas ações, que se recuperaram rapidamente dos desdobramentos relacionados ao esforço do presidente Donald Trump para controlar a Groenlândia. Em janeiro, o índice S&P 500 encerrou o mês em território positivo.

Reação do Mercado

O mesmo ocorreu na última segunda-feira, dia após os ataques lançados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã. O S&P 500 saiu de suas mínimas para terminar ligeiramente acima do patamar de estabilidade naquele dia. O índice também se recuperou significativamente nas sessões de quinta e sexta-feira. Contudo, na sexta-feira, quando os futuros do petróleo dos EUA alcançaram o nível mais alto desde 2023, o S&P 500 chegou a cair 1,7%, encerrando a sessão com uma queda de 1,3%.

Análise do Comportamento do Investidor

"Os investidores estão reagindo de forma muito moderada a esta guerra," afirmou Jed Ellerbroek, gerente de portfólio da Argent Capital Management. "Os investidores aprendem muito rapidamente e já vimos Trump, várias vezes nos últimos 13 meses, fazer exigências extremas, e depois acabar se contentando com algo muito mais razoável. Acho que os investidores estão assumindo que isso acontecerá novamente."

Movimentos do Mercado

Embora tenha havido alguns movimentos de aversão ao risco na semana passada, destacando-se a alta do Índice de Volatilidade CBOE acima de 29, o aumento do índice do dólar dos EUA e perdas gerais nas ações ao final da semana, a queda total do S&P 500 foi de 2%. É importante destacar que o índice ainda está a menos de 4% de sua máxima recente. Segundo Ellerbroek, os investidores apostam que o conflito será de curta duração; caso contrário, as perdas no mercado seriam significativamente maiores. Mesmo depois de Trump afirmar que espera que a guerra com o Irã dure de quatro a cinco semanas, mas que poderia se prolongar "muito além disso", a percepção dos investidores permanece otimista.

Impactos das Geopolíticas no Mercado

Segundo o estrategista de investimentos da Baird, Ross Mayfield, o mercado tende a se afastar de eventos que não "se resolvem rapidamente" ou que não causam um "impacto persistente". Ele citou a invasão russa da Ucrânia em 2022 como um exemplo de um evento do qual o mercado acabou se distanciando. O aumento repentino de eventos geopolíticos pode desviar a atenção dos investidores sobre potenciais futuras crises, como as tensões entre China e Taiwan. "Existem muitos eventos geopolíticos e poucos têm um impacto duradouro no mercado, o que pode gerar um certo grau de complacência na base de investidores," disse Mayfield.

Olhos no Setor de Energia

De acordo com Sam Stovall, estrategista-chefe de investimentos da CFRA Research, tudo isso pode mudar rapidamente com a guerra no Irã, especialmente se os preços do petróleo ultrapassarem US$ 100 por barril. Na última sexta-feira, os preços do petróleo nos EUA ultrapassaram US$ 90 o barril, representando um aumento semanal de 35%, o maior desde 1983. Algumas projeções indicam que o petróleo, ao atingir US$ 100, poderia desencadear uma recessão global. "É um nível fundamental, além de um nível de sentimento, acima do qual os investidores, acredito, pensariam que estamos indo em direção a algo pior," afirmou Stovall.

Cenário Futuro

Caso o petróleo não alcance esse limiar, Stovall acredita que a guerra no Irã poderá ser tratada como um "evento de pingue-pongue", algo com que o mercado terá que lidar, mas que será superável. Um fator crucial na determinação desse resultado será o impacto da guerra na infraestrutura energética, que, até o momento, tem sido "relativamente limitado", segundo Matthew Aks, estrategista sênior de assuntos políticos internacionais da Evercore ISI. Se uma série de eventos resultar em danos estruturais permanentes, como a colocação de minas navais no estreito de Ormuz, certamente as preocupações dos investidores aumentariam.

Considerações sobre a Estratégia de Trump

Devido à incerteza em torno do conflito, Marko Papic, da BCA Research, orienta os investidores a "permanecerem ágeis" e estarem prontos para realizar lucros considerando a volatilidade que a situação propõe. Apesar da declaração de Trump de que não haverá acordo para encerrar a guerra sem uma "CAPITULAÇÃO INCONDICIONAL" do Irã, Papic acredita que Trump ainda pode buscar uma saída. "Considerando o comportamento anterior do presidente Trump e as limitações materiais impostas pela interdição de embarcações através de Ormuz, o que afetaria a economia e os mercados americanos, e, assim, seu legado, creio que Trump irá buscar uma desescalada mais rapidamente do que a maioria das pessoas acredita," comentou.

Movimentações no Setor de Defesa

Papic também observou que Trump poderia alegar, em questão de dias, que a missão no Irã está completa, caso os EUA consigam erosionar as capacidades nucleares e de mísseis balísticos de Teerã. Contudo, ele ressalta que as táticas do presidente podem não resultar como o esperado. "O presidente Trump não está lidando aqui com o Canadá ou a China em negociações comerciais, ou com a Dinamarca em um confronto geopolítico," disse. "Ele está lidando com um regime que lutou em guerras e que está encurralado, tornando difícil prever e avaliar a situação do Irã."

O desenvolvimento do conflito pode se estender por semanas ou meses, conforme afirma Dryden Pence, executivo-chefe de investimentos da Pence Wealth Management. Por essa razão, ele está monitorando ações do setor de defesa, incluindo RTX, Lockheed Martin e Northrop Grumman, que registraram valorização entre 2,1% e 4,4% na última semana. "Cada vez que disparamos um desses foguetes ou mísseis, ou acionamos nosso sistema de defesa, isso resulta em custo para reposição," comentou ele à CNBC. "Não acredito que os bombardeios cessem tão cedo."

Fonte: www.cnbc.com

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