Arrecadação Recorde: O Impacto da Alta do IOF no Bolso do Consumidor
No programa “Fala, Duquesa” desta semana, o colunista do “Estadão” discute a elevação da arrecadação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no ano anterior e como essa mudança afeta o consumidor.
A Situação da Previdência Privada
A captação líquida dos planos de previdência privada, que representa a diferença entre os aportes e as retiradas, apresentou uma desaceleração nos primeiros sete meses de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025. Essa situação ocorre em um contexto em que as cobranças referentes ao IOF sobre aportes elevados impactam o setor. Vinicius Albernaz, sócio responsável pela Mio, seguradora da Vinci Compass, considera que este momento é desafiador para a indústria, embora o efeito negativo tende a ser limitado a longo prazo.
A aplicação do IOF sobre os planos do tipo Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) foi estabelecida em junho de 2025. Atualmente, o imposto se aplica somente a aportes que excedem R$ 600 mil por ano, mesmo que esses valores sejam distribuídos entre diferentes seguradoras.
Dados da Captação Líquida
Segundo o relatório recente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), divulgado na última terça-feira (15), a captação líquida nos planos de previdência privada caiu para R$ 7,3 bilhões nos sete primeiros meses de 2026, o que representa uma retração de 36,8% em relação ao mesmo período de 2025.
A Cobrança de IOF e as Mudanças Regulatórias
Embora a cobrança do IOF esteja prejudicando os resultados do setor, Albernaz acredita que outras mudanças regulatórias podem fortalecer a previdência privada ao longo do tempo. Um aspecto positivo é a Lei 14.803/2024, que permite ao contribuinte escolher entre os regimes progressivo ou regressivo de tributação no momento do resgate ou recebimento do benefício. Anteriormente, essa decisão necessitava ser feita no ato da contratação do plano.
Em 2024, a Resolução do Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC) nº 60/2024 possibilitou a criação de planos corporativos no modelo “option-out”, onde os funcionários são automaticamente incluídos e só permanecem fora do plano caso decidam se retirar. Albernaz expressa um forte apoio a esse formato, defendendo que poderia se tornar o padrão de oferta, funcionando como um incentivo para aumentar a adesão à previdência.
Oportunidades na Previdência Corporativa
A defesa desse modelo está alinhada com a estratégia da Mio Vinci Compass, seguradora pertencente ao grupo Vinci Compass, empresa com R$ 361 bilhões sob gestão e assessoria. A Mio vê nos planos corporativos, que as empresas oferecem a seus colaboradores, uma oportunidade significativa de crescimento. Atualmente, a seguradora colabora com 20 empresas, abrangendo aproximadamente 15 mil funcionários.
Impactos da Cobrança de IOF
E-Investidor – Impacto da Cobrança de IOF sobre a Previdência Privada
Vinicius Albernaz analisa que o mercado está se ajustando a essa nova medida, e as pessoas estão começando a planejar aportes recorrentes, enxergando a previdência como um produto de acumulação. Ele classifica este período como desafiador, já que a cobrança de IOF inibe um setor do mercado que frequentemente realizava aportes maiores. Entretanto, ele acredita que a indústria não sofrerá um impacto dramático nos próximos anos, ressaltando que a importância da previdência como ferramenta de planejamento a longo prazo permanece.
Impacto sobre a Alta Renda
A questão que se levanta é se essa medida impacta a atratividade dos planos de previdência para as pessoas de alta renda. Albernaz é categórico: não, de forma alguma. Embora aqueles que planejam fazer aportes elevados de uma única vez precisem levar em consideração a cobrança do IOF, isso se traduz em uma reacomodação dos investimentos, levando a uma tendência de planejamento de aportes periódicos.
Desafios para a Indústria
Além da cobrança do IOF, outro entrave para os investidores refere-se às taxas de administração dos fundos de previdência. Albernaz destaca que a indústria precisa superar a reputação negativa associada às altas taxas, que historicamente eram inadequadas às estratégias de investimento. Com o tempo, essa situação tem melhorado, uma vez que a taxa de carregamento deixou de existir e a entrada de novos players tem promovido uma adequação geral nos custos.
Atualmente, os fundos de previdência têm a capacidade de alocar em uma gama maior de classes de ativos, aproximando-se dos fundos que não pertencem ao setor previdenciário.
Cenário Atual da Previdência Privada no Brasil
No Brasil, 11,2 milhões de pessoas aplicam em previdência privada, enquanto a população total do país ultrapassa 214 milhões de habitantes. Os desafios para o crescimento dessa modalidade envolvem, entre outros, a educação financeira. Vinicius Albernaz afirma que, mais importante do que a taxa de retorno no curto prazo ou a taxa de juros vigente, é a disciplina da alocação.
Outro desafio refere-se à simplificação dos planos de previdência e à implementação de tecnologias que permitam aos investidores acompanhar suas aplicações e verificar se estão atingindo seus objetivos financeiros.
A Tecnologia e o Futuro da Previdência
O avanço tecnológico na previdência privada tem sido relativamente lento em comparação a outros serviços financeiros. Muitas seguradoras, tanto independentes quanto vinculadas a grandes grupos econômicos, vêm investindo em transformação digital. No entanto, elas enfrentam o desafio de sistemas legados que dificultam a inovação.
A falta de modernização é ainda mais evidente no setor de previdência corporativa, onde o foco predominante está sobre os planos individuais. Assim, há uma menor alocação de investimentos nesse segmento corporativo. Desde o início, entendemos que a previdência corporativa representa uma grande oportunidade que ainda não foi completamente explorada por muitas seguradoras.
Fonte: www.estadao.com.br
